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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

José Maria de Moura


Teria nascido em Vila Franca de Xira em 1772, originário de uma família abastada seguiu a carreira militar, alistando-se em 1795.

Em 1808 organizou em Plymouth, com emigrados portugueses, a Legião Lusitana, conduzindo-a em seguida para o Porto,

D, Afonso VI fê-lo sub-inspector de Artilharia no Rio de Janeiro e agraciou-o com a Comenda de Sta. Eufémia da Vila de Penela, da Ordem de Avis, tendo em consideração os serviços que prestou durante a Guerra Peninsular.

Comandou o Regimento de Artilharia nº 3 de 1811 a 1819.

Em 1819 é elevado por D. João VI ao posto de brigadeiro, sendo depois promovido ao posto mais elevado, ou seja, tenente-general.

É nomeado em 1821 Governador de Armas de Pernambuco (Brasil), funções que exerceu até Dezembro do ano seguinte.

Assume depois o Governo da Província do Grão Pará em 1 de Abril de 1822, notabilizando-se pelo comando das tropas portuguesas acantonadas em Belém e que combateram na Guerra da Independência do Brasil até à sua capitulação em 15 de Agosto de 1823, altura em que se retiraram para Portugal.


O Brasil tornou-se independente de Portugal em 7 de Setembro de 1822, mas o Grão-Pará não aceitou o governo Brasileiro e preferiu ficar ligado a Portugal.

Foi grande a excitação passada nesta Província onde o cónego Batista Campos apoiado por comerciantes brasileiros consegue reunir um número suficiente de pessoas para jurar fidelidade à Constituição Lusitana, isto em 1823. Depois a Junta Governativa pelo Imperador, os rebeldes exigiram a formação de um governo popular sob a chefia de Baptista Campos.

Vários movimentos tiveram lugar uns com vista à inclusão no Brasil e outros à ligação a Portugal.

O brigue do capitão Greenfell, em nome do Imperador e em 15 de Agosto de 1823 deu uma salva de 21 tiros proclamando a adesão do Pará à Independência do Brasil, tendo havido durante este período um grande número de vítimas de ambos os lados.

Escreveu: Exposição dos motivos pelos quais o marechal de campo José Maria de Moura não tem podido ir para o Porto, reunir-se ao exército de S.M.F. a Rainha de Portugal, do comando do seu augusto pai o duque de Bragança. Dunquerque, 1833.

Reparar que a cidade de Santarém, junto ao Amazonas, faz parte de Grão-Pará.

José Maria de Moura veio a falecer na sua terra natal a 10 de Janeiro de 1836

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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol. 18, p. 20.

Enciclopédia Mirador Internacional, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasil, 1981, Vol. 16, p.8553.


http://parahistorico.blogspot.pt/2009/02/adesao-independencia-e-rebelioes-no.html
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Alves Redol



António Alves Redol nasceu em Vila Franca de Xira a 29 de Dezembro de 1911, vindo a falecer em Lisboa a 29 de Novembro de 1969. Era filho de António Redol da Cruz, um pequeno comerciante ribatejano e de Inocência Alves Redol.

Frequentou o Colégio Arriaga em Lisboa onde concluiu o Curso Comercial em 1927, seguindo depois para Angola, Luanda, no “Niassa” a 5 de Abril de 1928 no sentido de poder encontrar uma vida melhor, o que não veio a acontecer

Escreve aos 15 anos o seu primeiro artigo para a imprensa regional no caso na “Vida Ribatejana”, de Vila Franca de Xira.

Regressa a Portugal em 1930 onde exerce várias profissões, envolvendo-se também na oposição à política do “Estado Novo” que combate já sendo membro do Partido Comunista.

Colaborou, entretanto, com o jornal “O Diabo”.

Encontra na literatura a maneira de combater o regime salazarista com a sua escrita neo-realista de que se torna figura de referência tanto no romance como no teatro.

Considerado como o primeiro romancista desta nova tendência, encontrou larga aceitação, interessando-se pelo drama social do Ribatejo.

Em 1939 publica o primeiro romance, “Gaibéus”, cujo assunto se relaciona com os problemas sócio-económicos  vividos pelos ceifeiros.

Naturalmente começa a sofrer os ataques próprios da sua abordagem e situação com os quais não se importa minimamente. Esta postura, valeu-lhe o êxito junto do grande público que contrabalançou bem com o ataque violento da crítica que lhe apontava deficiências de escrita. Desde a limguagem simplória às tramas romanescas.

Redol quer antes de tudo que os seus livros sejam documentos humanos.

Alves Redol publica seguidamente “Marés” (1941), “Avieiros” (1943), “Fanga” (1944), “Porto Manso” (1946), “A Barca dos Sete Lemes” (1958), “Uma Fenda na Muralha” (1959), “Barranco dos Cegos” (1962), considerada a sua obra prima. “Glória, Estudo Etnográfico”, escrito em 1938 só foi publicado postumamente.

Todos estes trabalhos têm várias edições indo “Fanga” pelo menos na 9ª.

Para teatro escreveu “A Forja” (1948) e “O Destino Morreu de Repente” (1967) que foram. Naturalmente, objecto de censura para serem levadas a cena.

Possivelmente, a obra literária de Alves Redol marcará significativamente a literaturas dp século XX pela desigualdade formal do valor artístico e a grande capacidade de rigor da realidade social-

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Dicionário de História do Estado Novo, Fernando Rosas e J.M. Brandão de Brito, Vol. II, Bertrand Editora, 1996, pp 820 e 821.

História da Literatura Portuguesa, António Jo´se Satraiva e Óscar Lopes, Porto Editora, Limitada, 1982, pp. 1084 e 1085.

htt://infopedia.pt/$alves-redol

htt://www,citi,pt/cultura/artes_plasticas/desnhos/álvaro_cunhal/Redol.html

domingo, 12 de janeiro de 2014

Barreto Poeira




Grande actor dos tempos da minha juventude.

Ribatejano como eu, nasceu em Vila Franca de Xira a 24 de Abril de 1901.

Aos oito anos faz a sua estreia no teatro de amadores. Durante vinte anos ocupa-se em impulsionar o teatro na sua terra natal, no Grupo Cénico Vila-Franquense, onde participa como actor e encenador.

Apesar disso, não deixa de colaborar com outros grupos como o Grupo Dramático e Beneficente Afonso de Araújo, aparecendo ao lado de Rodolfo dos Santos e de José Maria Guedes Júnior, como co-autor e encenador da revista “Sem Pés nem Cabeça” que foi levada à cena em 1927.

Ao comemorar os seus 31 anos, sobe ao palco para representar a peça de autoria de Faustino Reis Sousa, “ A SESTA” e fá-lo ao lado de Alves Redol, que representava o papel de Manuel, o maioral e de Alda Câncio Tarracha, que era a ceifeira Maria Rosa.

O papel de abegão era representado por Domingos Barreto Poeira.

Esta peça reproduzia os costumes do homem da borda d ‘água e volta a ser representada na 1ª Festa do Colete Encarnado e com o mesmo elenco

Despede-se do Grupo Cénico do Clube Vila-franquense  em fins de 1932 com a peça de Linares Rivas, “Cobardias”.

Fez parte do Clube Estefânia de Lisboa e ainda como amador continua a representar.

Em 1938 entra no cinema, no filme “A Canção da Terra” de Jorge Brum do Canto, onde as críticas lhe são muito favoráveis, passando do anonimato a primeira figura do cinema português, segundo o crítico Artur Portela.

Inicia-se assim a longa série de filmes em que entrou. “Porto de Abrigo” (1940) de Adolfo Coelho, “Fátima, Terra de Fé”, realizado por Jorge Brum do Canto “Amor de Perdição”, trabalho de António Lopes Ribeiro, ambos de 1943, no ano de 1944 e novamente pelas mãos de Brum do Canto entra no “Um Homem às Direitas”onde obtém grande êxito e seguidamente faz parte do elenco numa co-produção Luso-Espanhola “O Diabo são Elas”do realizador Ladislao Vajda. Em 1946 é a vez de “Cais do Sodré” de Alejandro Perla e “Um Homem do Ribatejo” de Henrique Campos, se a memória não me falha, estreado em Santarém, de onde era natural o realizador. Eu tinha apenas oito anos e recordo-me, perfeitamente, do reboliço que houve na cidade.

Em 1947 volta ao teatro, mas agora como profissional, fazendo o protagonista na peça “Ana Cristina” do dramaturgo americano Eugene O ‘ Neil e que teve lugar no palco do Teatro Avenida em Lisboa. Nesse ano entra no filme “Rainha Santa” de Rafael Gil e Aníbal Contreiras e em “Viela Rua Sem Sol” de Ladislao Vajda.

Começa então a alternar o cinema com o teatro e mais tarde, quando aparece, com a televisão.

“Heróis do Mar” de Fernando Garcia e “Vendaval Maravilhoso”, (com Amália Rodrigues) de Leitão de Barros são os filmes onde actua em 1949. Desempenha o papel de Romeiro no filme “Frei Luís de Sousa” realizado por António Lopes Ribeiro (1950).

O último filme em que actua é realizado em 1965 por Manuel Guimarães e tem por título “O Trigo e o Joio”.
A nível televisivo e nas Noites de Teatro da RTP, quando tudo ainda era em directo, entre muitas peças, Barreto Poeira fez parte do elenco de “A Sapateira prodigiosa” de Frederico Garcia Lorca, contracenando com Amália Rodrigues, Costinha, Paulo Renato, Varela Silva e Fernanda Borsatti com realização de Fernando Frazão (1968).

Domingos António Barreto Poeira faleceu em Lisboa a 30 de Outubro de 1980, esta grande figura que ombreou com os melhores na arte de representar.

O seu nome faz parte da toponímia de várias povoações, nomeadamente, na sua terra natal.

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domingo, 5 de janeiro de 2014

Reinaldo dos Santos



Reinaldo dos Santos nasceu a 3 de Dezembro de 1880 na Rua das Varinas, em Vila Franca de Xira, filho de Clemente José dos Santos e de D. Maria Amélia Pinheiro dos Santos e neto paterno de Clemente José dos Santos, Barão de S. Clemente, faleceu aos 89 anos, mais precisamente a 6 de Maio de 1970, em Lisboa.

Seu pai era um conceituado médico em Vila Franca de Xira e Reinaldo era o mais novo dos seus cinco filhos.

Termina os estudos primário e secundário na sua terra natal e matricula-se em Lisboa em Medicina no ano de 1898, curso que conclui e, 1903 com 13 valores. Destaca como Professores Carlos Tavares e José Gentil considerando os outros muito autoritários. Ainda apanha como Professor Ricardo Jorge, transferido do Porto, este teria sido para ele o modelo de Professor.

Vai, entretanto, para Barrancos ocupar o lugar de médico municipal, onde se encontrava um grande amigo da família, que confrontado com a desilusão do jovem médico resolve conceder-lhe uma verba para estagiar em França e a partir daí nunca mais parou.

Vai para Paris fazer o estágio em clínicas conceituadas e no mesmo âmbito visita Clínicas em Bóston, Chicago, Filadélfia e Nova Iorque, entre outras.

Em 1906 defende Tese de Doutoramento com Aspectos cirúrgicos das pancreatites crónicas.

Ao nascer-lhe o 1º filho em 1907, não esqueceu de homenagear o seu mecenas, João Afonso de Carvalho, dando-lhe o nome de João Afonso Cid dos Santos.

Regressado a Lisboa dedica-se à sua maior paixão, a cirurgia, sendo cirurgião dos Hospitais Civis de Lisboa.

Concorrendo a Professor Extraordinário da Faculdade de Medicina de Lisboa em 1908, é aprovado no concurso em mérito absoluto.

Em 1910 dá um Curso Livre de Urologia no Hospital do Desterro apresentando o seu novo aparelho e método de uroritmografia.

Estagia nas principais clínicas europeias e é nomeado Membro da Associação Francesa de Urologia, o que acontece também com a Associação Alemã.

É vastíssima a sua actividade no país e no estrangeiro, limitamo-nos apenas a referir algumas mais ligadas ao nosso país.

Vice-Presidente da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa e mais tarde seu presidente. Esteve em França, na 1ª Guerra Mundial, como cirurgião nos Hospitais Ingleses do Norte de França. Consultor de cirurgia do Corpo Expedicionário Português (C.E.P.) como Capitão (português) e Major (inglês).

Em 1916, devido a uma carta que escreve ao Professor Doutor Oliveira Feijão, o Conselho da Faculdade delibera desligá-lo do serviço, sem vencimento e instaurar-lhe imediatamente um processo disciplinar.

Regressado a Portugal, escreve a alguém dizendo que continua suspenso, apesar das repetidas reclamações que não têm seguimento, com a desculpa de que a Faculdade está em férias. Ironiza dizendo que na Faculdade de Medicina a Justiça está de férias!


Reinaldo dos Santos era cada vez mais crítico do sistema de ensino em Portugal.

Foi agraciado com a Medalha de Ouro de Bons Serviços na Grande Guerra.

Membro da Société Internationale de Chirurgie.

Em 1928 realiza a sua primeira arteriografia e pouco depois uma aortografia translombar.

Devido às suas descobertas de alto valor científico não surpreende que lhe seja atribuída a medalha de Ouro da Sociedade Internacional de Urologia.

Na última aula que proferiu na Faculdade de Medicina criticou a censura, a perseguição de intelectuais, a deficiência da educação e a escassez de meios com que se debate o Instituto de Alta Cultura.

Estas são brevíssimas palavras sobre o Professor Doutor Reinaldo dos Santos apenas no campo da Medicina, mas não foi só esta ciência a ocupá-lo.

É interessante verificar que o Dr. Reinaldo dos Santos destaca-se noutros campos, principalmente no das Artes.

Numas férias, após o curso e na Figueira da Foz, acompanha Henrique de Vilhena e participa em campanhas arqueológicas conduzidas por Santos Rocha, um advogado que deu muito a esta área da investigação.


1924– Académico correspondente da Real Academia de Belas-Artes de S. Fernando (Madrid), Membro da Academia de Belas-Artes de Sevilha.

Foi um dos dez vogais Efectivos e Fundadores da Academia Nacional de Belas-Artes de Lisboa.

Sócio Honorário do Grupo dos Amigos do Museu Nacional de Arte Antiga, , Membro Honorário da Academie Royal d’Archéologie de Belgique. Membro Titular e Fundador da Academia Portuguesa de História, 1938 – Um dos quatro Académicos Honorários da Real Academia de Belas-Artes de S. Fernando (Madrid), 1939 – Sócio Honorário da Sociedade Nacional de Belas-Artes, 1940 – Plano, orientação e prefácio do Inventário Artístico de Portugal.

O grande apego à Medicina não lhe retirou a vontade de apreciar e estudar formas de arte como a pintura, escultura, Arquitectura, Mobiliário, Azulejaria, Faianças, Ourivesaria, Vidragem, Iluminura e Tapeçaria e sobre todas elas acabou por publicar trabalhos após aturados estudos.

Descobriu em Pastrana (Espanha) tapeçarias que reproduzem a conquista de Arzila, no Norte de África, por D. Afonso V, atribuídas a Nuno Gonçalves, pintor que mereceu o seu estudo. Sobre este assunto, publicou em 1925 de colaboração com Jorge Cid uma monografia.

Em Toscana (Itália) vira a sua atenção para outro pintor português, Álvaro Pires de Évora. Um dos mais importantes quadros deste pintor voltou a Portugal em 2002 adquirido por uma Instituição Bancária.

Na área da Arquitectura publicou trabalhos sobre as Sés de Lisboa, Évora e Coimbra e também sobre Igrejas e Ermidas regionais.

Não lhe passou despercebida a origem histórica do Mosteiro de Alcobaça e da Batalha, tal como as Igrejas de Santa Clara e de S. Francisco, em Santarém e a de Santa Iria do Olival em Tomar.

O seu interesse pela Arquitectura Portuguesa incidiu sobretudo sobre o Estilo Manuelino, identificando em 1922 Francisco Arruda como sendo o Autor da Torre de Belém, símbolo da Arte Manuelina.

Deu a público dezenas de trabalhos sobre várias áreas que abordou com sentido técnico.

Conviveu com as principais personalidades da sua época, entre os quais Almada Negreiros, Aquilino Ribeiro, Afonso Lopes Vieira, Raul Brandão, Eugénio de Castro e Jaime Cortesão.

Reinaldo dos Santos que a toponímia portuguesa recorda em Instituições e ruas, é sem qualquer dúvida uma grande figura nacional, com uma versatilidade surpreendente e difícil de encontrar.
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Dicionário de História do Estado Novo, Dir. de Fernando Rosas e J.M. Brandão de Brito, Volume II, Bertrand Editora, Venda Nova, 1996.

Lello Universal, Dicionário Enciclopédico Luso – Brasileiro, II Vol. Porto, 1975.

História de Portugal. Joaquim Veríssimo Serrão, Volumes XIV a XVII, Editorial Verbo.

“Alguns Valores da Província do Ribatejo, Octávio de Campos ”Vida Ribatejana, nº Comemorativo dos Centenários da Fundação e Restauração de Portugal, Dir.Ed. e Prop. de Fausto Nunes Dias, Vila Franca de Xira, 1940.




Wikipédia, a enciclopédia livre

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Clemente José dos Santos


Clemente José dos Santos nasceu em Vila Franca de Xira a 5 de Janeiro de 1818, era filho de João dos Santos e de sua mulher Maria Rita, faleceu em Lisboa a 2 de Outubro de 1892.

É educado na Casa Pia de Lisboa onde revelou a sua grande capacidade intelectual. Neste sentido vai frequentar aulas de taquigrafia que funcionavam junto do Parlamento, onde acaba por ser nomeado professor e Chefe de Serviços dessa especialização.

Mais tarde, é na Câmara dos Pares Director-Geral e Lente da mesma matéria.

Casou em 13 de Julho de 1846 com Rosa Loureiro dos Santos.

Sendo um profundo estudioso aproveitou os 40 anos junto das instâncias nacionais para coligir elementos que lhe serviram para compor os Documentos para a História das Cortes Gerais da Nação Portuguesa, que deu a público em 8 volumes. Oliveira Marques considera esta obra como excelente e valiosa publicação. Preparou também Memórias e Biografias Parlamentares que infelizmente não concluiu. Contudo completou e deu a público obras de grande importância para o nosso Parlamento como Cérémonial de la Cour de Portugal., Récéption des Ministres Étrangers, Audiences et Présentations, Lisbonne, 1891; Fórmula Adoptada para Recepção, Juramento e Posse dos Príncipes e Infantes na Câmara dos Dignos Pares do Reino e Relação dos Factos Ocorridos em 1836, 1876 e 1891, Lisboa, 1891

Possuindo grande inteligência e sendo um profundo trabalhador constituiu-se um auxiliar precioso dos vários Presidentes da Câmara dos deputados.

Por Decreto de D. Luís de 16 de Junho de 1887 e Carta de 16 de Setembro do mesmo ano, foi criado 1º Barão de S. Clemente do Conselho de Sua Majestade, Fidalgo da Casa Real, Director Geral na Câmara dos Deputados, escritor, Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, Sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa, Membro da Comissão Administrativa do Asilo de Santa Catarina , Sócio da Real Associação dos Arquitectos Civis e Arqueólogos Portugueses, Taquígrafo das Cortes, Bibliotecário-Mor das Cortes e Comendador da Ordem de Santiago.

No Parlamento recebeu por diversas vezes honrosos elogios de oradores de todos os partidos que muito o estimavam, prestando ajuda a todos os que dele precisavam.
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Dicionário Corográfico de Portugal Continental e Insular, de Américo Costa, Vol. X, Porto, 1948, p.857
Portugal – Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Vol VI, pág. 673. Edição em papel, 1904 – 1915, João Romano Torres.Edição electrónica, 2000 – 2010, Manuel Amaral.
História Genealógica da Casa Real Portuguesa, Vol. XV, 2007, p 493
Antologia da Historiografia Portuguesa, org. de Oliveira Marques, II Vol. Publicações Europa-América, 1975, p 100.
Boletim da Junta de província do Ribatejo, 1937 – 40 (Dir. Abel da Silva) Bertrand (Irmãos), 1940, p 676.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


domingo, 22 de dezembro de 2013

José da Costa e Silva


Natural da Vila de Povos, hoje concelho de Vila Franca de Xira, onde nasceu a 25 de Julho de 1747. Arquitecto de formação, aos 21 anos D. José envia-o para Itália para completar a sua formação, estudando em Bolonha onde se enquadra na formação neoclássica.

Os seus trabalhos obtiveram vários prémios e distinções e foi nomeado Académico de Honra.

Percorre as cidades italianas mais significativas da sua arte como Génova, Veneza, Florença e Roma que muito o ajudam na sua formação.

Não deixa de visitar as ruínas de Pompeia e na Campânia o Palácio Real de Caserta, obra de Luigi Vanvitelli

É convidado a ser professor da Universidade de Coimbra mas não aceita o convite.

Regressa a Portugal em 1780 e no ano seguinte é designado professor de Arquitectura da aula de desenho, em Lisboa.

Em 1789, é encarregado pelo Ministro da Fazenda para projectar o edifício do Erário Régio, mas não passou das fundações pois a sua conclusão atingiria verbas incomportáveis para o erário público. Três anos depois um grupo de capitalistas contrata-o para realizar um projecto de teatro de ópera que substituísse o arrazado pelo Terramoto de 1755. É assim que sai o Teatro de São Carlos ainda activo e que revela influências de estilo do Teatro La Scala, de Milão e do Teatro de San Carlo em Nápoles.

Além de boa construção foi-lhe proporcionado uma excelente acústica.

Pela mesma altura e por iniciativa de D. Maria Francisca Benedita é responsável pelo projecto do Asilo dos Inválidos Militares, em Runa (Torres Vedras) que além desta missão servia de residência à princesa.

Outra obra em que esteve envolvido foi a construção do Palácio da Ajuda, trabalhos que começaram em 1795 pelo arquitecto régio Manuel Coelho de Sousa, mas os planos foram alterados por Costa e Silva, supervisor, e pelo italiano Francisco Fabri que quando Costa e Silva vai para o Brasil fica sozinho à frente da empreitada.

Incumbiu-se também da conclusão da capela-mor do Loreto.

Em 1812 e com a família Real no Brasil devido às Invasões Francesas, é chamado pelo Príncipe Regente D. João, chegado ao Rio de Janeiro é nomeado Arquitecto das Obras Reais.

Parece ter preparado um projecto para a fachada do Paço de São Cristóvão, mas desconhece-se  se foi aproveitado na construção neoclássica do palácio. Há quem lhe atribua uma certa semelhança com a fachada do Palácio real da Ajuda. Outra obra em que é suposto ter-se envolvido, é no Teatro de São João no Rio de Janeiro que parece apresentar algumas semelhanças ao de Lisboa.

Em 1818, José da Costa e Silva desfez-se da sua colecção de objectos de arte, composta por camafeus, estampas, pinturas, moldes e livros, que vendeu à Biblioteca do Rio de Janeiro pela quantia de um conto e seiscentos mil reis.

Já não regressa a Portugal, pois falece no Rio de Janeiro a 21 de Março de 1819.

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Wikipédia, a enciclopédia livre
Lello Universal – Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro, Vol. II, 1975, p 902
História de Portugal, Joaquim Veríssimo Serrão, Vol. VI, 1982, p 458
História de Portugal, M. Pinheiro Chagas e J. Barbosa Colen, Vo. XII, 1907, p 161
História de Portugal, Edição Monumental da Portucalense Editora, Porto, Vol.VI, p 596
Enciclopédia Mirador Internacional, Vol. 17, Brasil, 1981, p 9211
http://www.infopedia.pt/$jose-da-costa-e-silva


sábado, 14 de dezembro de 2013

Pedro Jacques de Magalhães



Teria nascido por volta de 1620 este intrépido guerreiro que batalhou na América Espanhola, no Brasil e em Portugal, nas Guerras da Restauração, sendo assinalável o seu grande êxito na Batalha de Castelo Rodrigo.

Foi seu berço o pequeno lugar de Sobralinho, freguesia de Alverca, concelho de Vila Franca de Xira.

Único filho de Henrique Jacques de Magalhães e de Violante de Vilhena, não se conhecendo a data certa do nascimento, mas considerando-se a mais provável aquela que indicamos.

O trisavô paterno, Pedro Jacques, bateu-se na Batalha do Toro ao lado de D.Afonso V, enquanto do lado materno descendia da aristocracia castelhana sendo trineto de Sancho de Tovar.

Casou duas vezes, ambas na ilha da Madeira com D. Luísa Freire de Andrade filha de Manuel Dias de Andrade, moço fidalgo e Administrador da Junta Geral do Comércio da referida ilha e de sua mulher, D. Brites da Silva e a segunda por falecimento da 1ª, com D. Maria Vicência de Vilhena, filha de António Correia de Baharem e de sua mulher D. Antónia de Vilhena, tendo havido geração de ambas.

No dia 1º de Dezembro de 1640 encontrava-se na América sob o domínio espanhol e quando teve conhecimento dos acontecimentos a decorrer em Portugal tentou com outros portugueses, entre os quais João Rodrigues de Vasconcelos e Sousa, 2.º conde de Castelo Melhor, apoderarem-se das galés espanholas carregadas de prata e fugirem para Portugal, mas foram descobertos e presos tendo sido condenados.

Passado algum tempo conseguiu evadir-se e chegar a Portugal e foi nomeado governador de Olivença lugar que ocupa até 1646.

Volta ao continente Americano, mas agora para o Brasil, em 1649, como almirante da esquadra que escoltou a primeira frota da Companhia Geral do Comércio do Brasil e que veio a ancorar em Pernambuco, onde prestou valioso auxílio a Francisco Barreto de Meneses que governava aquela capitania e na luta contra os holandeses.

Em 1653 regressa ao Brasil como capitão-general e em parceria com Francisco de Brito Freire, outro ribatejano natural de Coruche e com uma armada de 60 navios para se oporem e darem luta aos holandeses que pretendiam apoderar-se da colónia portuguesa.

Regressado novamente ao país, é nomeado em 1658 general de artilharia do exército do Alentejo e esteve na Batalha de Linhas de Elvas (14 de Janeiro de 1659), cuidando de tudo o que dizia respeito à artilharia.

Homem sempre disposto a ocupar o lugar que lhe destinavam pela sua versatilidade, foi nomeado em 1663 mestre de campo general da província da Beira. Havendo necessidade de socorrer a praça de Évora que estava em perigo a ela se dirige com os seus homens, gorando assim as intenções dos inimigos e estando na Batalha do Ameixial.

Na jornada e conquista de Alcântara fere-se numa perna o que lhe origina um defeito físico.

A sua acção mais notável, como já se referiu, teve lugar na Batalha de Castelo Rodrigo, onde derrotou, devido à energia e rapidez com que actuou , o poderoso exército do Duque de Ossuna que cercava Castelo Rodrigo defendido apenas por 150 soldados e esta praça era considerada a segurança da Província da Beira.

Tomou lugar nas Cortes convocadas para 1 de Janeiro de 1668 em que D. Afonso VI foi deposto do trono e o Infante D. Pedro jurado Príncipe herdeiro e depois reconhecido como rei D. Pedro II.

Foi este rei que em reconhecimento do todo o trabalho que prestou ao país e por carta de 6 de Fevereiro de 1671 o agraciou com o título de Visconde de Fonte Arcada. A 5 de Setembro de 1675 foi nomeado familiar do Santo Ofício.

Pedro Jacques de Magalhães foi fidalgo da casa real por sucessão a seus maiores, pertenceu ao conselho de P. Pedro II, conselheiro de Guerra, 1º Alcaide de Castelo Rodrigo, senhor do Paul e Quinta de Bordalete em Lagos, Capitão general da Armada Real.

Faleceu em 1688.
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Dicionário de História de Portugal, Dir. de Joel Serrão, Livraria /  Figueirinhas / Porto, Vol. IV, p 139.

Dicionário Corográfico de Portugal Continental e Insular de Américo Costa, Vol, VI, 1938, pp 853-54

Figuras Militares da Restauração, General Ferreira Martins, Lisboa. Revista Militar, 1940, Ano XCII, Dez., Nº 12, III Centenário da Restauração do Estado

História de Portugal, Joaquim Veríssimo Serrão, Vol. V, Editorial Verbo, 1982, p. 52

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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Frei Nicolau de Almeida




Nasceu em Vila Franca de Xira no dia 25 de Dezembro de 1761, Manuel Nicolau de Almeida, filho de Francisco Caetano de Almeida e de sua mulher, Caetana Inácia da Conceição.

Foi aprender as primeiras letras e seguidamente a Gramática Latina, dando logo provas de grande capacidade de aprendizagem.

Destinado à vida eclesiástica, o que na altura era habitual, professa na religião dos Carmelitas Calçados. Continuando a demonstrar as suas aptidões, é mandado cursar Teologia na Universidade de Coimbra onde obteve o grau de Doutor (1790) e serviu por vários anos em Opositor.

É depois nomeado Lente substituto de História Universal e Eloquência no Colégio das Artes da mesma Universidade.

A quando das Invasões Francesas, retira-se da cidade de Coimbra, embarcando na Figueira da Foz com destino a Lisboa, passando à ilha da Madeira como Comissário dos Terceiros da sua Ordem. Aí lecciona Teologia, sendo considerado bom orador, pregando nas principais solenidades.

Recolhe-se entretanto ao Convento do Carmo, em Lisboa, onde é sagrado na sua igreja, Bispo de Angra, em 3 de Maio de 1819, o que é confirmado por bula de 29 de Maio de 1820.,ocupando a 26ª posição nesse lugar, governando o seu bispado de 1820 a 1825.

Considerado liberal convicto cedo se envolve na intensa actividade política que grassava naquela ilha estabelecendo e de contra-poder como capitão general dos Açores Francisco Garção Stockler.

Após ter sido jurada a Constituição de 1822 e sendo adido da Junta Governativa foi chamado a Lisboa, juntamente com Stockler, por ordem de D. João VI

Esteve preso em Camarate sem que se lhe conheçam as acusações que sobre ele impedem.

Esta situação tem a ver com algumas posições políticas dúbias que tomou, principalmente manifestadas nos escaldantes sermões que pronunciou.

Recuperou a liberdade em 1823. Nesta altura é eleito Bispo de Bragança, não chegando contudo a ser confirmado nesta Diocese pelo Papa Leão XII, em razão de dúvidas que a seu respeito se suscitaram, motivado pela publicação das cartas sobre indulgências, de que era autor.

Faleceu em 8 de Outubro de 1825 e ficou sepultado no Convento do Carmo, em Lisboa.


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Três Vilafranquenses ilustre (…), Júlio Pelouro,  in Vida Ribatejana, nº especial de 1951
História Eclesiástica de Portugal, P. Miguel de Oliveira, 1994
Wikipédia, a enciclopédia livre
Diccionario Chorographico de Portugal Continental e Insular,Américo Costa,  Vol II, 1930, p. 476.


terça-feira, 23 de novembro de 2010

Sousa Martins


José Tomás de Sousa Martins é considerado um dos maiores médicos portugueses e uma honra para a medicina portuguesa.

Nasceu na Vila de Alhandra no dia 7 de Março de 1843.

Os primeiros estudos foram feitos na sua terra natal e aos treze anos praticava na farmácia de um seu tio. Ao mesmo tempo frequenta a Escola de Farmácia.
Em 1864 termina aquele curso mas em 1861 e com dezoito anos, tinha-se matriculado na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, curso que também conclui em 1866.

Foi brilhante aluno em ambos os cursos, sendo a sua tese em medicina considerada na altura de grande nível e versava sobre a inervação da fibra muscular cardíaca (O pneumogástrico preside a tonicidade da fibra muscular do coração).

Em 1872 desempenhava as funções de professor substituto da Escola Médica - Cirúrgica de Lisboa e quatro anos depois ocupava a cátedra de Patologia Geral, Semiologia e História da Medicina..

Ao mesmo tempo era médico do Hospital de S. José, sendo em 1855 director de enfermaria.

O Doutor Sousa Martins gozou de verdadeira celebridade no meio português, destacando-se fundamentalmente como clínico, pelo talento e saber científico, ajudado pela singular fluência da palavra convincente e pelo relacionamento com os doentes, onde a bondade e dedicação lhe fizeram ganhar o epíteto de “Pai dos Pobres”.
Foi conferencista de mérito e orador insigne. Deixou escrito: Comemoração de Luís Pasteur, Nosologia de Antero de Quental e vários estudos e relatórios da sua especialidade.

Era sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa, da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa, da Sociedade Farmacêutica Lusitana, do Instituto de Coimbra, da Academia Real de Medicina da Bélgica, da Academia de Medicina de Madrid, da Sociedade de Geografia de Lisboa, da Associação dos Jornalistas e Escritores Portugueses, de que foi sócio fundador e de muitas mais Sociedades e Academias, nacionais e estrangeiras.
Fez parte igualmente de muitas comissões onde a sua presença era indispensável.
Foi em 1876 secretário e relator da comissão que redigiu a Farmacopeia Geral do Reino e a Farmacopeia Portuguesa.

Desempenhou variadíssimas vezes a função de representante de Portugal em vários eventos ligados à medicina e à saúde.

Em 1881 presidiu à comissão executiva e da secção de medicina da expedição científica à Serra da Estrela, o que lhe permitiu vir a redigir um estudo muito importante sobre o tratamento da tuberculose pulmonar.

Quando se sentiu doente e conhecendo que a doença que o atormentava não tinha cura, recolheu à sua casa de Alhandra onde veio a falecer no dia 18 de Agosto de 1897, apenas com cinquenta e quatro anos.

Dois anos depois do seu falecimento foi-lhe erguida uma estátua no Campo de Santana, em frente da Escola Médica.
A estátua primitiva veio a ser substituída pela actual de autoria do escultor Costa Mota.

Também na sua terra natal, os seus conterrâneos lhe levantaram um monumento semelhante.

O nome do Doutor Sousa Martins e apesar de ter decorrido mais de um século sobre a sua morte, continua a ser idolatrado por muita gente, como se de um taumaturgo se tratasse.

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Dicionário Ilustrado da História de Portugal - Edições Alfa

Lello Universal - Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro

Boletim da Junta de Província do Ribatejo - 1937 - 1940

História de Portugal - Vol. X - Joaquim Veríssimo Serrão

História de Portugal - Vol. 5- Dir. de José Mattoso

"Alguns Valores da Província do Ribatejo ", Octávio R. de Campos,
in Vida Ribatejana, nº Comemorativo dos Centenários - 1940

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Ferreira Gordo

Alhandrense que viu a luz do dia a 19 de Março de 1758, pensando-se ser filho de outro alhandrense, Manuel Ferreira Gordo, que foi desembargador da Legacia e a quem foi imposto a suspensão perpétua de advogar, tendo estado preso na Torre de S. Julião da Barra, pelas suas ideias liberais.

Joaquim José Ferreira Gordo, de seu nome completo, formou-se em Direito, recebeu o grau de doutor em 20 de Julho de 1783 e era bacharel em Cânones pela Universidade de Coimbra.

Foi presbítero, sendo monsenhor da Patriarcal de Lisboa e pertenceu ao Conselho da Rainha D. Maria II.

Sócio da Academia Real das Ciências. Bibliotecário - mor da Biblioteca Nacional de Lisboa.

Notável bibliófilo, organizou uma biblioteca de obras antigas portuguesas e espanholas. Por encargo da Academia, esteve em Madrid a estudar manuscritos referentes a Portugal, o que originou que publicasse Apontamentos para a História civil e literária de Portugal e seus domínios, coligidos de manuscritos, assim nacionais como estrangeiros, que existem na Biblioteca Real de Madrid; na do Escorial e nas de alguns senhores e letrados da corte de Madrid.

Escreveu também um livro sobre as Ordenações Manuelinas e Filipinas e dispersas ou extravagantes, publicado em 1792 e que teve nova edição, revista e aumentada em 1829.
Publicou igualmente a Memória sobre os Judeus em Portugal, obra consultada e citada por Alexandre Herculano, englobado na História e Memórias da Academia.

Nunca esqueceu a sua terra onde passava o pouco tempo que os seus afazeres lhe permitiam, interessando-se por tudo o que lhe dissesse respeito, apoiando com a sua influência as aspirações locais.

Pesquisou a sua história, deixando um manuscrito que se encontra na Biblioteca Pública de Lisboa e que intitulou de Memórias da Vila de Alhandra.

Ferreira Gordo expôs por escrito várias reclamações do povo de Alhandra num memorial que enviou a D. Francisco Rafael de Castro, “Principal da Santa Igreja Patriarcal de Lisboa, reformador e reitor da Universidade de Coimbra e membro da Regência de Portugal em 1807, quando a família real retirou para o Brasil.

Camilo Castelo Branco, publicou em Noites de Insónia uma carta de Ferreira Gordo acerca da quotização dos académicos para o busto ao Duque de Lafões.
Faleceu em Lisboa aos 27 de Abril de 1838.


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Dicionário Bibliográfico Português, Inocêncio Francisco da Silva, 1858.

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.

"Um alhandrense ilustre - Joaquim José Ferreira Gordo, por Álvaro de Oliveira Pais, in Vida Ribatejana, nº Especial, 1965, p. 94.

Boletim da Junta de Província do Ribatejo, nº 1, Anos de 1937/40.

"Alguna Valores da Província do Ribatejo", Octávio R. de Campos, Vida Ribatejana, nº Comemorativo dos Centenários da Fundação e Restauração de Portugal, Julho de 1940.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Joaquim Maria Pereira Boto

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 10 DE NOVEMBRO DE 1995)


Nasceu em Alhandra a 13 de Março de 1851.

Aos onze anos entra para o seminário de Santarém onde faz os primeiros estudos e depois cursa o liceu da mesma cidade.

Vem a leccionar Matemática e Filosofia no 1º e 2º anos do curso do seminário, frequentando na mesma altura o 5º ano de Teologia.

Aos vinte e quatro anos recebe as ordens de presbítero com dispensa de idade.

Convidado pelo patriarca das Índias, Aires de Ornelas, vai exercer as funções de reitor do Seminário de Rachol mas permanece nessas funções pouco tempo pois tem de regressar ao continente por motivo de saúde.

Vai exercer então para o Seminário de Faro, funções de professor de ciências eclesiásticas, assumindo a vice-reitoria em 1882, substituindo por morte o Padre António José Reis.

Em 1884 foi nomeado cónego honorário da Sé de Faro e examinador pré-sidonal. Um ano depois foi agraciado com o oficialato da Ordem de Sant’Iago e a seguir elevado à categoria de Monsenhor camareiro secreto de Sua Santidade.

A Junta Geral do Distrito de Faro louvou-o pela sua colaboração no posto meteorológico D. Francisco Gomes do Avelar que fundou em 1894, a Câmara Municipal de Faro nomeou-o conservador, por distinção, do Museu Arqueológico e Lapidar Infante D. Henrique, de que tinha sido fundador. A ele se ficou devendo também o glossário das Principais Monumentos do Museu.

Dedicou-se ao estudo da arqueologia do Algarve, realizando explorações nas ruínas romanas do Milreu. Em Faro foi sempre uma figura de grande relevo social.

O seu nome faz parte da toponímia farense.

Pereira Boto veio a ser transferido para a Sé de Lisboa onde foi cónego e capelão da Casa Real, vindo a falecer nesta cidade no dia 23 de Janeiro de 1907.

Foi sócio da Academia das Ciências de Lisboa, da Associação dos Arqueólogos Portugueses, da Real Academia de História de Madrid, do Instituto de Coimbra, do Instituto Arqueológico do Algarve, da associação dos Arquitectos Civis, da Sociedade Martins Sarmento, de Guimarães, da Real Academia de Belas Artes, de Sevilha, da Associação Artística - Arqueológica de Barcelona, do Instituto 19 de Setembro, de Lisboa e da Sociedade Literária Almeida Garrett.

Foi-lhe oferecida em 1888 a mitra de Portalegre, que não veio a ocupar.

Em 1897 ofereceu à Academia de Ciências de Lisboa a cópia de um manuscrito com várias notícias sobre as lutas luso-francesas no Algarve, em 1810 e ao Instituto de França uma memória sobre o israelitismo em Portugal, facto que foi posto em destaque pela imprensa francesa.

Publicou vários trabalhos sobre arqueologia.

Depois da sua morte a Imprensa Nacional editou o Promptuário Analytico dos Carros Nobres da Casa Real Portuguesa e das Carruagens da Gala, obra que veio a ser utilizada para a organização do catálogo do Museu dos Coches, em Lisboa.
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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
Algarviana, Subsídios para uma bibliografia do Algarve e dos Autores Algarvios, Mário Lyster Franco Vol. I, A – B, 1982
Lello Universal, Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro

sábado, 26 de setembro de 2009

Afonso de Albuquerque

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 28 DE JULHO DE 1995)



Se há figuras que nos causam algumas complicações devido ao seu currículo ser muito sucinto, não possibilitando uma apresentação isolada, havendo necessidade de recorrer ao grupo, outras oferecem-nos “problemas” muito semelhantes mas de sinal contrário, já que são figuras nacionais, ou mesmo internacionais, com extensos dados ao dispor pelo que temos a necessidade de resumir, escolhendo, o que não se torna fácil de executar.
Está neste caso a “figura” que hoje iremos referir, o “leão dos mares” e a quem Camões chamou “terríbel”.

***
Afonso de Albuquerque nasceu na quinta do Paraíso, junto a Alhandra, entre 1445 e 1462.

Foi o segundo filho do 3º Senhor de Vila Verde dos Francos, Gonçalo de Albuquerque, conselheiro de D. Afonso V, e de D. Leonor de Meneses. Era neto e bisneto dos escrivães da puridade de D. João I e de D. Duarte, Gonçalo Lourenço e João Gonçalves de Gomide.

Fidalgo de linhagem, tomou parte na batalha do Totó (1476). Participou também no socorro enviado por D. Afonso V ao rei de Nápoles, apoquentado pelos turcos em 1480. Quatro anos depois faz parte da expedição de socorro à fortaleza marroquina da Graciosa.

Foi estribeiro-mor de D. João II. Quando este morreu, voltou a África com um irmão que aí morreu em luta com os mouros.

Regressando a Portugal, foi integrado na guarda do rei D. Manuel.

Em 1503 parte para a Índia chefiado uma capitania de três naus (a outra ia sobre o comando de seu primo, Francisco de Albuquerque) que sofreram grandes temporais mas logo que chegaram ao Oriente, obtiveram assinalados êxitos.

Não se demora muito tempo por aquelas paragens pois a 25 de Janeiro do ano seguinte regressa a Portugal começando a ser notórias as conferências secretas que tem com o Venturoso.

Em 1506 e possivelmente em resultado dessas conferências, parte novamente com destino ao Oriente, na armada de Tristão da Cunha, comandando seis velas e devia acompanhá-lo até à ilha de Socotorá.

Afonso de Albuquerque fazia-se acompanhar, secretamente, de um documento que o nomeava Governador da Índia logo que D. Francisco de Almeida terminasse o seu mandato (1505/1508). Até essa altura, tinha a missão de vigiar com a sua armada, o mar da Arábia.

Ataca e faz render Curiate, seguem-se-lhe Mascate, Soar, Orfacate e Ormuz. Aqui a peleja foi terrífica e o próprio Albuquerque sai ligeiramente ferido da refrega.

Procura então dar início e abre os alicerces de uma fortaleza nesta cidade mas não obtém o apoio dos capitães, Afonso Lopes da Costa, António do Campo e João da Nova, que se insubordinam e o abandonam.

Ficando apenas com dois navios, Albuquerque dirige-se novamente a Socotorá onde inverna enquanto os capitães com ele desavindos, vão acusá-lo ao Vice-Rei, D. Francisco de Almeida que lhe ordena a uma devassa.

As ideias do domínio do comércio no Oriente eram diferentes entre eles. Enquanto D. Francisco procurava dominar pela força naval, devendo para o efeito manter no mar poderosa armada, Afonso de Albuquerque procurava o domínio da terra com a ocupação de pontos chave e a edificação de fortalezas.

Sabendo do que se estava congeminando contra si, Albuquerque dirige-se a Cananor onde se encontrava o vice-rei.

Naturalmente que o encontro não foi amistoso (Dezembro de 1508) e Afonso de Albuquerque já conhecedor das ordens do Reino, exige a entrega do Governo o que o vice-rei recusa.

O ódio entre os dois aumenta, a devassa prossegue acabando com a prisão de Afonso de Albuquerque.

Chegou pouco tempo depois o Marechal Fernando Coutinho, com Ordens do Reino, cujo primeiro acto é soltar Albuquerque, seguindo os dois para Cochim, onde chegaram a 29 de Outubro de 1509.

D. Francisco de Almeida parte a 20 de Novembro para Portugal e Afonso de Albuquerque assumiu finalmente o lugar de Governador da Índia.

Durante o seu governo tomou duas vezes a cidade de Goa e a de Malaca, construiu a fortaleza de Calecut, foi ao estreito de Ormuz, levantou uma fortaleza na ilha de Diu e outra na cidade de Goa.

Procurou criar laços familiares entre naturais e portugueses, favorecendo o casamento de mulheres indígenas com militares e funcionários portugueses.

Lançou os fundamentos do Grande Império Português que se manteve próspero por mais de um século.

Faleceu na barra da Aguada a 15 de Dezembro de 1515, um domingo, quando regressava a Goa, depois da conquista de Ormuz, vítima da ingratidão do monarca que premiou os seus grandes serviços demitindo-o do cargo, sendo substituído por Lopo Soares de Albergaria.

Pouco antes de morrer, teria pronunciado a frase que ficou célebre:- “Mal com os homens por amor de el-rei e mal com el-rei, por amor dos homens” E morreu.
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Os Vice-Reis da Índia no Período da Expansão (1505-1581), José F. Ferreira Martins, 1986.
História de Portugal, Vol. V, dir. de João Medina.
Dicionário de História de Portugal, Vol. 1, dir. de Joel Serrão.
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.
Os Descobrimentos Portugueses, Luís Albuquerque, 1986.

domingo, 31 de maio de 2009

Francisco Câncio

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 31 DE MARÇO DE 1995)


Escritor, articulista e conferencista, entre outras actividades.

Dedicou-se de alma e coração a trabalhos históricos e etnográficos, onde tem um lugar bem marcante pelo menos no que se refere ao Ribatejo.

Escritor de mérito que utilizou a “elegância e a facilidade", além do Ribatejo dedicou muito do seu trabalho ao passado de Lisboa. Há quem o considere mesmo o cronista por excelência da região ribatejana.

Francisco Xavier Vidinha Câncio, de seu nome completo, nasceu no dia 10 de Maio de 1903 em Alhandra e faleceu em 26 de Setembro de 1973.

Usou por vezes o pseudónimo de João dos Montes.

Fez os primeiros estudos no Colégio de Santarém ,então propriedade e direcção do Cónego Dr. Joaquim Augusto que foi seu professor e licenciou-se em Histórico-Filosóficas e em Direito na Universidade de Lisboa; foi professor do ensino particular e dirigiu o Colégio Afonso de Albuquerque, em Vila Franca de Xira.

Foi sócio do Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia e do Instituto de Coimbra.

Colaborador de vários jornais (pensamos que incluindo o Correio do Ribatejo) e revistas, nos primeiros vinte e oito números especiais da “Vida Ribatejana”, foi o primeiro ao colaborar com trinta e oito artigos.

Da sua bibliografia destacamos, no que respeita ao Ribatejo:
Ribatejo, Monografia Ilustrada, Crónicas Estremenhas, 1936, Ribatejo Histórico e Monumental, 1938 (com a patrocínio da J.P.Ribatejo), Contos Ribatejanos, Lx 1940, Festa Brava, Lx, 1941, Subsídios para a História Económica do Ribatejo, Lx, 1944, Ribatejo Lendário e Pitoresco, Lx 1946, O Ribatejo e as Festas Centenárias de Lisboa, 1947, Notas de um Ribatejano, Lx e Tempos Idos.

Tendo por base Lisboa, publicou:
Aspectos de Lisboa no Século XIX, Subsídios para a História do Real Paço de Alcântara e do Real Paço da Ajuda, Lisboa de outros Séculos, 1940, Alguns Aspectos de Lisboa Manuelista, Lisboa, 1942, Lisboa, Figuras e Casos Passados, Lx, 1942, O Paço de Queluz, Lx, 1950, Coisas e Loisas de Lisboa Antiga, Lx, 1951, O Paço da Ajuda, Lx, 1955 e Lisboa no Tempo do Passeio Público, Lisboa, 1962 que pensamos ter sido a última obra editada.
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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol. V, pág. 70 e Vol, XXXIX pág. 218 e Vol 2 (Actualização)
Dicionário Enciclopédico LELLO UNIVERSAL, 1975, pág. 448
Vida Ribatejana nº Especial de 1940 e de 1956

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Gomes do Avelar

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 17 DE MARÇO DE 1995)


É certo que esta figura é bem mais conhecida no Algarve do que no Ribatejo, já que foi naquela região que a sua acção mais se fez sentir.

Nasceu a 17 de Janeiro de 1739 no sítio do Mato, freguesia de Calhandriz, então termo da vila de Alhandra, hoje concelho de Vila Franca de Xira e faleceu em Faro a 16 de Dezembro de 1816.

Sendo os pais pessoas de parcos haveres, cedo come-çou a trabalhar na agricultura. Já cresci-do, um tio, o Padre Inocêncio, leva-o para Lisboa onde acabou por entrar na Con-gregação dos Padres do Oratório, organis-mo fundado em Itália por S. Filipe de Nery, em meados do século XVI e introduzido em Portugal no tempo de D. João IV. Ordenou-se presbítero em 1763.

Em 1784 é recebido com muita simpatia pelo papa Pio VI. Aproveitou a viagem a Roma para desenvolver os seus conhecimentos sobre obras de arte.

Em 3 de Setembro de 1788, regressa a Lisboa dando entrada no Colégio dos Congregados.
Falecendo o confessor da Rainha D. Maria I, é chamado para o substituir, o bispo do Algarve, D. José Maria de Melo. Para o lugar deixado vago, e indicado este ribatejano que tenta dissuadir os responsáveis de tal nomeação. Não o conseguindo, acaba por ser sagrado em Lisboa no dia 26 de Abril de 1789, por isso com cinquenta anos. Despido de vaidades, entra na Diocese com a simplicidade que lhe era peculiar.
Foi encontrar os confrades eclesiásticos em regime de quero, posso e mando, mas o novo bispo cedo os meteu na ordem. Havia padre que apresentava conta de tantas missas que, na verdade, a hora devia ter mais de 600 minutos!

Apesar de caminhos horríveis, Francisco Gomos do Avelar visitou diversas igrejas para conhecer os seus problemas, o que fez mais de uma vez.

As igrejas de Albufeira, Santa Maria do Castelo (Tavira), Aljezur, São Brás de Alportel, Estói, Cacela e São Luís (Faro), foram construídas de novo ou quase, sob a sua ordem e vigilância e mesmo nalguns casos, de risco.

Por sua iniciativa foi inaugurado em 8 de Janeiro de 1797 o seminário de Faro.
A austeridade que possuía só encontrava rival na bondade que punha em todos os seus actos.

Foi no seu tempo que se criaram mais ou menos por toda a Diocese, censitários públicos, pondo termo à prática, até então ainda usada, dos enterramentos nas igrejas.

Mas não foi só com assuntos eclesiásticos que o prelado se preocupou. Interessou-se por tudo o que pudesse engrandecer o Algarve.

Mereceram-lhe a melhor atenção a conservação de estradas, caminhos e pontes. Foram construídas, entre outras, as pontes de Ludo, Marim, Cacela e Marchil.

As termas das Caldas de Monchique, igualmente beneficiaram da sua acção, mandando fazer novas acomodações e reparar o hospital destinado a pobres.

Também no seu tempo se construiu o chamado Arco da Vila, um monumento representativo da cidade de Faro, com a estátua de São Tomás de Aquino e erguido em substituição de uma das arruinadas portas da antiga muralha. Para a realização deste e outros monumentos, fez vir de Roma o arquitecto Xavier Fabri que se hospedou no Paço até à sua retirada para Lisboa onde continuou a trabalhar.

Após a expulsão dos franceses, em 1808 e em que muito se empenhou, foi presidente da Junta Provisional então instituída e, tempo depois, vice-presidente do Conselho de Regência e encarregado do Governo das Armas da Província, função que desempenhou com elevado critério.

Pio VII em 1816, a pedido do Governo, concedeu-lhe o título pessoal de Arcebispo.
A agricultura algarvia também mereceu o seu cuidado, recomendando e ensinando os melhores e mais modernos sistemas, em conversas que mantinha com a gente do campo, onde se deslocava com frequência, no desejo de difundir os conhecimentos que obtinha com a leitura de obras de autores consagrados.

Os amendoais aumentaram e a qualidade melhorou. Aconselhou a enxertia de zambujeiros em oliveiras, publicou uma pastoral explicando como se deviam preparar os figos e dizem que foi o introdutor do cultivo da batata no Algarve.

D. Francisco Gomes do Avelar publicou livros de âmbito muito diverso.

A cidade de Faro erigiu-lhe no Largo da Sé um monumento em 1940, o que foi feito incluído nas Comemorações Centenárias.

Em 1969 a Junta de Freguesia de Calhandriz fez erguer um busto do seu filho ilustre no arruamento principal da povoação.

Esta figura tão marcante da vida do Algarve, tem merecido o interesse de muita gente que sobre a sua figura se tem debruçado.
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Algarviana – Subsídios para uma bibliografia do Algarve e de autores algarvios, Mário Lyster Franco Vol.I, 1982
Corografia do Algarve, João Baptista da Silva Lopes, Ed. 1982
“D. Francisco Gomes do Avelar – De guardador de suínos na Calhandriz a Bispo do Algarve”, Genoveva R. Coelho em Vida Ribatejana, nº Comemorativo do 8º Centenário da Conquista do Ribatejo e da Estremadura aos Mouros, 1947