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sábado, 1 de março de 2014

António Marques Esparteiro





António Marques Esparteiro nasceu na freguesia de Mouriscas, concelho de Abrantes, a 21 de Outubro de 1898. Era filho de Luís Marques Esparteiro, comerciante e de Engrácia Lopes. Eram oito irmãos e todos fizeram os seus estudos.

Frequentou a Escola Naval e tirou o Curso de Artilharia no Royal Naval College de Greenwich e na Gunnery School de Portsmouth e o Curso Naval de Guerra. Sai assim, oficial da Marinha.

Nas suas funções de oficial da Marinha foi director da Escola de Alunos Marinheiros (1927), comandou o torpedeiro Lis e o vapor Lidador.

Como capitão-tenente exerceu, igualmente, as funções de comandante da Defesa Marítima do Porto de Leixões e Barra do Douro (1943), tendo comandado interinamente as forças navais do Estado da Índia e foi comandante do Aviso Afonso de Albuquerque.

Este Aviso veio a ser destruído em combate em Dezembro de 1961 por uma força da União Indiana. Defrontou 6 navios de guerra e era seu capitão o capitão de mar e guerra Cunha Aragão.

Fez parte da Missão Naval da Fiscalização dos Avisos de 1ª classe construídos em Inglaterra.

Foi Director-Geral da Marinha e desempenhou as funções de vogal do Conselho Consultivo do Museu da Marinha e da Comissão da História Militar. Esteve igualmente ao serviço da Marinha de Guerra na Embaixada de Portugal nos Estados Unidos da América.

Passou à reserva como capitão de mar e guerra em 21 de Agosto de 1958, por isso, ao fazer 60 anos.

Naturalmente que pelo trabalho desempenhado foi agraciado com variadas condecorações.

Tudo isto era mais do que suficiente para que fosse classificado de figura ribatejana a destacar, mas o capitão-de-mar-e-guerra António Marques Esparteiro além de ter deixado obra escrita sobre a sua profissão, foi um grande escritor e dicionarista. É das suas mãos que sai em 1936 o valioso trabalho Dicionário Ilustrado da Marinha, de que vieram a sair mais duas edições, uma em 1943 e outra em 2001.

São dezenas os trabalhos publicados, estando quase todos relacionados com a marinharia.

Faleceu em finais de 1976.
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Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Grande Enciclopédia Luso-Brasileira.

Blogue Mouriscas, Terra Grande, Terra Nossa.

Cabodofimdomundo,blogspot,pt/2010/05/nrp-afonso-de-albuquerque,html


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Duarte Ferreira



Eduardo Duarte Ferreira foi um grande empresário metalúrgico que nasceu em Tramagal (Abrantes) em 10 de Fevereiro de 1856 e que faleceu em 21 de Abril de 1948.

Originário de família muito pobre, não teve condições para fazer a então 4ª classe, apesar de ter aprendido a ler e a escrever.

Era considerado pelos seus conterrâneos como um indivíduo de “fraca inteligência” pelo que teve de ir aprender um ofício em terra alheia, o que fez no Rossio ao Sul do Tejo, tendo escolhido a arte de ferreiro.

Aos 26 anos de idade consegue realizar um dos sues sonhos, montar uma oficina de ferreiro, a que chamou “A Forja”. Esta oficina dedicou-se ao fabrico de alfaias agrícolas, principalmente charruas, que se espalharam por todo o país alcançando mesmo o país vizinho, principalmente a raia. O negócio veio a desenvolver-se tornando-se numa das maiores unidades industriais do país.

Naturalmente que nem tudo foram rosas e em 1900 a situação estava muito delicada e foi a esposa que resolveu a situação entregando-lhe 300 mil réis que tinha amealhado sem o conhecimento do marido.

Ferreira Duarte questionou-a pelo facto de ter tanto dinheiro em casa, defendendo a sua máxima que o dinheiro não é para estar parado.

Em 1920, a firma instala-se junto à linha do caminho de ferro da linha da Beira Baixa e passa a designar-se “Grande Fábrica de Metalúrgica”, empregando já 250 operários.

O empreendorismo de Duarte Ferreira não para e três anos depois transforma a firma numa sociedade por quotas, passando a designar-se Duarte Ferreira & Filhos, continuando a expandir-se e a modernizar-se, criando mesmo um laboratório químico e metalúrgico para investigação e ensaio de materiais. Foi criado também um sistema de segurança social para protecção dos seus funcionários.

A Firma passa em 1933/34 ao fabrico de enfardadeiras, debulhadoras e de caixas de lubrificação para eixos de locomotivas a gasogénios para automóveis.

Mais uma mudança se dá na firma e em 1947 passa a ser designada por Metalúrgica Duarte Ferreira, SARL.

Em 1927, Eduardo Duarte Ferreira foi condecorado pelo Presidente da República, Marechal Óscar Carmona, com a Comenda de Mérito Agrícola e Industrial, tendo-se deslocado propositadamente à Vila do Tramagal para o efeito.

A partir da sua morte a sociedade passa por diversas transformações até à sua falência ocorrida em meados dos anos noventa, o que já não faz parte desta nota biográfica.

No Miradouro da Penha foi construído um pequeno monumento homenageando-o que engloba o seu busto.

A toponímia local regista o seu nome.

Diz-se, e parece ser um facto que houve uma altura em que 95% da povoação do Tramagal vivia da sua fábrica.
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Wikipédia, a enciclopédia livre
“O Comendador Eduardo Duarte Ferreira - Um grande Ribatejano, Um grande Português,” J,M, Carvalho Henriques, revista Vida Ribatejana, Vila Franca de Xira, 1960, p. 88.
Jornal O Mirante de 15 de Fevereiro de 2006.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Manuel Rodrigues Júnior


 

Abrantino nascido na freguesia de Bemposta a 6 de Julho de 1889, filho de Manuel Rodrigues e de Luísa Maria e oriundo de famílias modestas.

Sendo logo aluno brilhante na Escola Primária, ingressa no Seminário Patriarcal de Santarém, ainda que nunca tivesse mostrado vocação pela vida eclesiástica, mas era uma maneira das gentes sem meios obterem formação.

Abandonando o seminário, faz alguns exames de equivalência no Liceu Nacional de Santarém ficando equiparado ao curso geral liceal, concluindo os mesmos no Liceu de Coimbra sempre com altas classificações.

Matricula-se em 1911 na Universidade de Coimbra no curso de Ciências Farmacêuticas, mas no ano seguinte transfere-se para a Faculdade de Direito, curso que termina em 1919 com a classificação máxima. O doutoramento concluiu -o dois anos depois e com a mesma classificação.

É contratado mediante concurso para assistente na Faculdade de Direito e em 1924 já é Professor Catedrático da mesma Faculdade.

Contemporâneo, relaciona-se com Oliveira Salazar e Gonçalves Cerejeira e pensa-se que terá frequentado o Centro Académico de Democracia Cristã, alinhando com quem defendia uma solução política de direita para estabilizar o país.

Juntamente com Salazar, Mendes dos Remédios, Fezas Vital, Mário de Figueiredo e Costa Leite (Lumbrales), colaboradores do Boletim da Faculdade de Direito de Coimbra, formava “o grupo de Coimbra” muito considerado pelos jovens oficiais do 28 de Maio.

Sendo um republicano opunha-se ao monopólio político do Partido democrático.

Após o 28 de Maio de 1926, é convidado juntamente com Oliveira Salazar e Mendes dos Remédios pelo General Gomes da Costa para integrar o futuro Governo de Salvação Nacional, sendo nomeado, lugar que aceitou, Ministro da Justiça e dos Cultos, enquanto Salazar nega-se a tomar posse.

Implementa extensa reforma legislativa reorganizando o Conselho Superior de Judiciário, o Código do Processo Civil e do Processo Criminal e na criação da Ordem dos Advogados.

Em 11 de Abril de 1928 é exonerado a seu pedido voltando ao seu lugar académico, agora como Professor Catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa.

Oliveira Salazar assume a presidência do Ministério em 1932 e chama o antigo colega para voltar a ocupar a pasta de Ministro da Justiça, o que se verifica até 1940. Ocupou interinamente e por curtos períodos e em acumulação o Ministério das Colónias, da Educação Nacional e das Obras Públicas.

Entrando em desentendimentos com Salazar, é afastado do Governo numa remodelação do mesmo. A base da questão parece estar na permanência vitalícia de Oliveira Salazar como Presidente do Conselho de Ministros.

Neste sentido tinha publicado no jornal O Século, em 1938, um texto a que deu o título “O homem que passou” e este homem é identificado com Salazar.

Naturalmente, como era seu timbre, não o demitiu logo, aproveitando a oportunidade que considerava certa.

Afastado da política activa, volta à cátedra na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e passa a ser colaborador activo do jornal O Século.

Foi autor de numerosos trabalhos principalmente dentro da sua área científica, sendo “A posse”um dos mais conceituados. “A Indústria Mineira em Portugal”, “Problemas Sociais”, “Política, Direito e Justiça”, “O Cidadão do Estado Novo” e “O Estado Novo e as suas realizações, são alguns dos seus trabalhos publicados.

Pertenceu ao Conselho Superior da Marinha Mercante, ao Conselho Administrativo do Banco Nacional Ultramarino e vogal da Comissão Administrativa do Porto de Lisboa. Foi deputado à Assembleia Nacional, pertenceu à União Nacional e fez parte da Câmara Corporativa, entre outras actividades.

Faleceu em Lisboa a 2 de Março de 1946 e aqui sepultado. Foi trasladado no ano seguinte para jazigo no cemitério da freguesia de Bemposta, sua terra natal. 
 
Ainda em sua vida, o seu nome foi dado à escola primária da Bemposta. Foi-lhe erigido um busto após a sua morte na terra que o viu nascer assim como a rua principal passou a ter o seu nome.

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Dicionário de História do Estado Novo, Fernando Rosas e J.M. Brandão de Brito, 1996, p.853.

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.

Boletim da Junta de Província do Ribatejo, Nº 1, Anos de 1937 – 1940, p. 289.

História das Freguesias e Concelhos de Portugal, Edição Quidnovi, 2004, Vol. 1, p. 15

 

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Manuel Constâncio

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 6 DE JUNHO DE 2008)



Manuel Constâncio Alves, de seu nome completo, nasceu no lugar de Sentieiras, freguesia de S. Vicente da actual cidade de Abrantes em 4 de Agosto de 1726.

Falecendo seu pai, que era um pequeno agricultor, em 1738, foi a família viver para perto da vila do Sardoal onde iniciou o estudo das primeiras letras e depressa aprendeu o ofício de barbeiro com cujos rendimentos ia sustentando a família que era numerosa.

Como era hábito nesse tempo a tais profissionais, Manuel Constâncio quis ser sangrador, arte que praticou com um padrinho de baptismo de uma sua irmã.

Começa a estudar português e latim em Abrantes, continuando a exercer a sua profissão e aproveita para frequentar quando pode o hospital local.

Com vinte e um anos, o marquês de Abrantes, possivelmente reparando nas suas faculdades, leva-o para Lisboa, arranjando-lhe o lugar de criado na casa de seu cunhado, o Conde de Portimão, D. Pedro de Lencastre.

Cerca de três anos depois, com vinte e quatro anos, Manuel Constâncio, inscreveu-se como praticante de cirurgia com o licenciado José Elias da Fonseca, no Hospital de Todos-os-Santos de Lisboa.

Na época a cadeira de anatomia era dirigida pelo cirurgião francês, Pedro Dufau que o Marquês de Pombal trouxera para Lisboa com intenção de reformar os estudos nessa área da medicina o que atraiu Constâncio.

Com os conhecimentos adquiridos, apresenta-se a exame de sangrador, obtendo a sua carta em 16 de Julho de 1754, por isso com vinte e oito anos de idade.

Não ficam por aí os seus objectivos pois quatro anos depois apresenta-se a exame de cirurgião, obtendo para o efeito a carta datada de 21 de Outubro de 1758.

É nomeado entretanto para o cargo de cirurgião-ajudante do corpo de tropas comandadas pelo marquês de Marialva, quando as tropas francesas e espanholas invadem Trás-os-Montes.

Em 11 de Novembro de 1763, substitui Dufau no ensino da Anatomia devido aos problemas criados pela guerra. Assume em 1 de Outubro de 1764 a regência definitiva da Cadeira por jubilação de Dufau, tendo sido este que o indicou para o substituir.

Casou aos cinquenta e um anos, tendo tido três filhos e uma filha.

Um dos filhos, Francisco Solano Constâncio foi médico, escritor e político e a filha, a Marília das poesias de Bocage.

Pela sua reputação clínica, foi nomeado cirurgião da Casa Real por alvará de 26 de Janeiro de 1786 e pouco depois cirurgião da Real Câmara.

Pelo seu desempenho mereceu receber o título de escudeiro e cavaleiro fidalgo em 28 de Agosto de 1789.

Manuel Constâncio distribuía generosamente os seus teres pelos discípulos necessitados, certamente pensando no seu difícil percurso de vida.

Foi acima de tudo um professor sapiente, dedicado e progressivo.

Fez escola e os seus discípulos nunca deixaram de enaltecer o nome daquele que soubera despertar neles o interesse científico.

Faleceu a 14 de Julho de 1817, no Sardoal, este abrantino que é um exemplo de trabalho e de competência.

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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira de Cultura, Edição Século XXI, Vol. 7, pp1021-1022

Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro Lello Universal, Porto, 1975

Dicionário de História de Portugal, dir. de Joel Serrão, Livraria Figueirinhas, Porto, Vol. IV, p. 241

Boletim da Junta de Província do Ribatejo, Anos 1937/1940

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Manuel Augusto de Almada e Castro

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 26 DE JANEIRO DE 1996)

Nasceu em Abrantes a 10 de Janeiro de 1829.

Seguiu a carreira militar sendo oficial do exército.

Foi autor de uma lista de antiguidades dos oficiais inferiores de cavalaria e infantaria… precedida de todas as obrigações dos oficiais inferiores de infantaria nos diferentes serviços de escala, Lisboa, 1864”.

Reformou-se como major em 1885, tendo falecido quatro anos depois
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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

Dicionário Bibliográfico Português 1893, Vol XVI, p. 393

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Mariana de Abreu

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBAREJO DE 26 DE JANEIRO DE 1996)

Natural de Abrantes, faleceu bastante jovem. Apesar disso alcançou perfeito conhecimento do latim, filosofia e da música.

Deixou um catálogo de Varões insignes em Armas até ao tempo de D. João da Costa e um tratado de filosofia Moral e outro de retórica.

Viveu na primeira metade do século XVII.
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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

domingo, 13 de junho de 2010

Joaquim da Costa

(PIBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 26 DE JANEIRO DE 1996)

Pintor, nascido em Abrantes em 1753, foi discípulo do grande pintor paisagista francês, Jean Pillement, primeiro e depois do seu irmão Manuel Costa, pintor de teatros e pintor habilíssimo.

Foi pintor de carruagens reais e cenógrafo.

Em 1803 esteve ao serviço do teatro do Salitre, em Lisboa, pintando para essa casa de espectáculos. Manteve-se nessa actividade até 1812.

Foi autor do novo teatrinho do Bairro Alto.
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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Nuno da Fonseca Cabral

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 26 DE JANEIRO DE 1996)

[Castelo de Abrantes]

Desconhece-se quando nasceu e morreu mas sabe-se que é natural de Abrantes.

Fillho de Bernardo da Fonseca, foi doutor na Universidade de Coimbra em Direito Civil e professor da cadeira de Instituta, em 1600, obtendo a de Código em 1601 e a dos Três Livros, em 1604.

Foi nomeado desembargador da Casa da Suplicação em 1614 e corregedor do crime da Corte em 1623.

Foi autor de: “Oração do Auro do Juramento de El-Rei D. Filipe, Nosso Senhor… a 14 de Junho de 1619” e “Oração no Auto das Cortes… a 18 de Julho de 1619”.
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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
Dicionário Bibliográfico Português, 1862, Vol. VI, p.312

segunda-feira, 7 de junho de 2010

P. Manuel Cordeiro

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 26 DE JANEIRO DE 1996)

Nascido em Abrantes em 1586, faleceu em Lisboa a 9 de Março de 1649.

Jesuíta, missionário no Mazagão e qualificador do Santo Ofício, funções que exerceu no seu regresso de Roma, onde foi penitenciário da Basílica de S. Pedro.

Formou-se em Coimbra depois de professar e ensinou Teologia.

Escreveu:- “De Obligatipnibus Clericorum Soecularium Et Regularium, Lisboa, 1646.
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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

domingo, 30 de maio de 2010

D. Estêvão de Almeida

Sacerdote, filho de D. Diogo Fernandes de Almeida, Prior do Crato, nasceu em Abrantes.

Acompanhou a Castela D. Isabel, filha de D. Manuel I e esposa de Carlos V.

Nomeado bispo de Leão, passou depois à Diocese de Cartagena.

Participou no concílio de Trento e morreu em 1563.
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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

António Boto

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 6 DE OUTUBRO DE 1995)



Poeta e prosador de grande sensibilidade que caracteriza o seu modernismo. É um dos mais notáveis e discutidos poetas da sua época.

António Tomás Boto nasceu em Concavada (Abrantes), segundo uns, em 1900, segundo outros em 1897.

O seu aparecimento nos meios literários causou grandes controvérsias e escândalos.
As revistas de vanguarda literária, da época, como a “Contemporânea”, “Athena” e “Águia”, ao publicarem os seus trabalhos, levaram-no a uma grande quantidade de leitores que o começaram a admirar.

Outras revistas, dirigidas a diferentes extractos sociais, igualmente fazem a sua divulgação.

O público e a crítica começaram a considerar o poeta como uma das realidades definitivas e de primeira linha na nossa intelectualidade.

O seu primeiro livro de poemas data de 1920, intitula-se “Canções” e tem prefácio de Manuel Teixeira Gomes, sendo apreendido em 1924. Foi traduzido para o inglês por Fernando Pessoa.

Escreveu a seguir, “António”, uma novela dramática com estudo crítico de Fernando Pessoa.

“Aos vinte e seis anos, Boto, de sobrancelhas depiladas e sempre, segundo os seus próprios amigos, comprometedor, era já uma figura típica de Lisboa”.

Na década de quarenta, fixa-se no Brasil, onde veio a falecer no Rio de Janeiro, no dia 12 de Março de 1959.

Publica, entre outros, mais os seguintes trabalhos: - “Alfama”, peça em três actos, “Trovas””Cantigas de Saudade”, “O Meu Amor Pequenino” (traduzido para o italiano, inglês, alemão e espanhol), “Ciúme”(com estudos críticos de José Régio e de José Gaspar Simões), “Motivos de Beleza” “Curiosidades Estéticas”, “Pequenas Esculturas”, “Olimpíadas”, “Dandismo”, “Cantares”, “Baionetas da Morte”, “”Nove de Abril” (teatro), “Por Causa do Fado” (teatro), “Dar de beber a quem tem sede”, “Verdade e Mentira da Minha Vida”, “Flor do Mal” (teatro) e “Sonetos”.

António Boto colaborou na grande imprensa, incluindo a revista “Presença”.

Quando o General Norton de Matos foi alto-comissário em Angola, desempenhou o lugar de Chefe da Repartição Política e Civil do Zaire.
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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
Dicionário Universal Lello
História de Portugal, J. Veríssimo Serrão, Vol XII, 1990
História de Portugal, Dir. João Medina, Vol. 6

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Ramiro Guedes



Fervoroso republicano, era tido na melhor conta pelas autoridades monárquicas, que o sabiam idealista honesto e desinteressado.

Já em estudante afirmava e punha em foco as suas ideias republicanas e trabalhou como poucos para o advento da República.

Logo que se constituiu o Partido Republicano Português, nele se filia, tendo sido membro da comissão consultiva e tomando parte em todos os congressos realizados.

Foi o fundador do partido em Abrantes, ainda que no tempo da monarquia.

Nasceu em Abrantes em 22 de Junho de 1850 (segundo a G.E.P.B. em Lisboa).

Foi aluno do Colégio Militar e formou-se em medicina na Escola Médico-cirúrgica de Lisboa, em 27 de Julho de 1872.

Exerceu clínica em Alter do Chão, Mação e Abrantes.

Foi o 1º Governador Civil de Santarém após a implantação da República, funções que desempenhou de 05.10.1910 a 15.08.1911.

Voltou ao desempenho das mesmas funções entre 16.03.1918 e 22.12.1918.

Foi deputado às Constituintes de 1911, eleito pelo Círculo de Tomar e tomou lugar no primeiro Senado Republicano.

Não aceitou o lugar de vogal do Conselho Superior de Administração do Estado, nem o de Provedor da Assistência Pública, para que tinha sido nomeado.

Depois da experiência “sidonista” afastou-se da política activa e dedicou-se inteiramente à actividade clínica.

Veio a falecer em Abrantes no dia 23 de Dezembro de 1933.

domingo, 18 de outubro de 2009

António Florêncio de Sousa Pinto

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 18 DE AGOSTO DE 1995)



Nasceu em Abrantes a 27 de Fevereiro de 1818 e entrou aos catorze anos na Academia Real da Marinha.

Alistou-se logo a seguir nas tropas do Duque da Terceira.

Acabada a guerra civil, continuou os estudos concluindo o curso de Artilharia.
Em 1844 tomou parte no cerco de Almeida, onde muito se distinguiu pelo que veio a ser agraciado com o grau de cavaleiro da Torre e Espada.

Foi ajudante de campo do príncipe D. Fernando, até à sua morte e Ministro da Guerra, (1877) par do Reino e general de divisão.
Morreu em Lisboa em 1878.

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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

José Veríssimo Alves da Silva

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 18 DE AGOSTO DE 1995)

Economista e publicista, figura controversa, nasceu em Abrantes em 1744.

Foi professor de Filosofia e Latinidade na cidade de Tomar, onde se casou e fixou.

Em 1810 foi preso por vingança como jacobino, acusado de haver aceitado um cargo de governança ao serviço francês durante o tempo em que a povoação esteve ocupada militarmente pela divisão comandada por Margaron.

Preso e enviado para Lisboa, foi removido para o presídio da Trafaria.

Instaurado o processo foi julgado e sentenciado a degredo para África não obstante mostrar em sua defesa que por aceitar dos franceses aquela missão, evitara a Tomar igual sorte à que teve Leiria, que fora por esse tempo saqueada e queimada.


[Insígnea dos jacobinos]
Acabou por não cumprir a pena pois faleceu no mesmo presídio a 10 de Maio de 1811.
Escreveu e publicou várias obras de certa notoriedade, entre as quais:- “Instrução ao novo Código ou dissertação crítica sobre a principal causa da obscuridade do nosso Código autêntico, Lisboa, 1780”, “Memória sobre a Cultura das Vinhas, no tomo I das Memórias de Agricultura, da Academia Real das Ciências”, “Memória sobre os meios de suprir a falta de estrumes animais”, no mesmo tomo, “Memória sobre as principais causas porque o luxo tem sido nocivo aos portugueses”, no tomo I das Memórias Económicas; “Observações botânico- metereológicas , feitas em Tomar, no tomo V das Memórias Económicas, etc.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Frei António Baptista Abrantes

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 18 DE AGOSTO DE 1995)

Nasceu em Abrantes a 25 de Dezembro de 1737.

Franciscano da Ordem, Terceira, acompanhou a família Real para o Brasil em 1807, tendo sido capelão da armada e confessor da Rainha D. Carlota Joaquina.
Professor de língua árabe, foi autor de “Instruções da Língua Arábica para uso das Escolas da Congregação”.

Faleceu no Rio de Janeiro em 1813.

domingo, 13 de setembro de 2009

Infante D. Luís



(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 14.07.1995)


O quarto filho de D. Manuel e de sua segunda mulher, D. Maria, nasceu em Abrantes no dia 3 de Março de 1506, numa altura em que a corte tinha abandonado Lisboa, fugindo à peste que grassava na capital.

Cedo deu o infante provas de inteligência e dedicação ao estudo, tendo como mestre, entre outros, o sábio Pedro Nunes que lhe ministrou, Aritmética, Geometria e Filosofia, considerando-o um bom aluno.

O Infante D. Luís era de meã estatura, loiro e de bem parecer, bem disposto e prazenteiro no falar, galante no vestir, como o descreve Damião de Góis.

Além disso, era arguto, cauto e com um certo engenho literário e musical.

Acompanhou-o no estudo ministrado por Pedro Nunes, D. João de Castro que foi o 13º Governador e 4º Vice-Rei da Índia.

Condestável do Reino e fronteiro-mor da Comarca de Entre-Tejo e Guadiana, por carta de 16 de Novembro de 1521.

Foi o 5º Duque de Beja, Grão-Prior do Crato por carta de 10 de Março de 1529, pertenceu à Ordem de S. João de Jerusalém; Senhor das vilas de Covilhã, Seia, Almada, Moura, Serpa e de Marvão e dos concelhos de Lafões e Besteiros.

Era príncipe extremamente estimado no paço mas também pelo povo que lhe queria sinceramente pela sua jovialidade, franqueza e inteligência, o que contrastava com o feitio do rei D. João III, seu irmão e que parece não gostar da popularidade do irmão e tenta sempre contrariar os seus planos.

Apesar disso, foi considerado colaborador muito próximo do rei, juntamente com a rainha-mãe, D. Catarina e pelo Conde de Vimioso e de Castanheira que o aconselhavam na governação.

D. Luís era pessoa a quem os cristãos-novos recorriam para moderar o fanatismo de D. João III.

Fundou o Mosteiro de São João da penitencia das Religiosas Maltesas, na vila de Estremoz, para ser habitado por fidalgos pobres.

D. Luís desejava ir à Índia mas apesar de se mostrar à altura do comando dos portugueses naquelas terras do Oriente, o rei recusou-se a nomeá-lo o que naturalmente o Infante não gostou.

Entretanto, em 1530, Carlos V pede auxílio a Portugal para a expedição que ia empreender contra o corsário Barbaroxa, visto este ter-se assenhorado de Tunes e Argel, dominando o Mediterrâneo.

D. João presta efectivamente o auxílio solicitado enviando uma esquadra de vinte caravelas, duas naus e o galeão S. João, “o Botafogo”, considerado o melhor navio da época.

D. Luís pretende comandar a frota mas o rei, mais uma vez, a isso se furta, nomeando para o efeito, António de Saldanha.

Devido ao facto, o infante sai secretamente de Évora, onde a corte se encontrava e dirige-se a Barcelona, sendo recebido por Carlos V que o cumula de gentilezas, dando--lhe lugar na expedição. É então que o rei se vê obrigado a enviar carta ordenando a António de Saldanha que o infante fosse de todos obedecido durante a jornada, como se fosse ele próprio, rei.

D. Luís governando o Botafogo, com 366 peças de bronze, cortou a fortíssima cadeia de ferro que atravessava o porto de Goleta, dando entrada à frota e obrigando o corsário a fazer-se ao mar, onde a batalha lhe seria mais desfavorável, cumprindo assim a sua missão o que originou largo agradecimento de Carlos V.

Em 1534 são-lhe outorgadas as rendas e o senhorio de todo o termo de Beja. Foi protector de arquitectos, escritores e sábios e o fomentador do gosto renascentista.

Dedicaram-lhe obras vários vultos das nossas letras, como Gil Vicente, Sá de Miranda, Lourenço de Cáceres, D. João de Castro e mesmo o mestre sábio, Pedro Nunes.

O infante teve várias vezes o matrimónio negociado mas nunca concluído, vindo a morrer solteiro.

Estiveram nestas condições, Maria Tudor, então princesa, Cristina da Dinamarca, a sobrinha D. Maria que veio a ocupar o trono de Parma e a princesa Edviges da Polónia. Este último casamento negociado por Damião de Góis, foi considerado inoportuno por D. João III.

O Infante deixou contudo um filho legitimado, de Violante Gomes (a Pelicana), judia de rara beleza que se fez cristã e professou no Mosteiro de Almoster, onde veio a morrer. D. António que foi Prior do Crato como seu pai, foi pretendente ao trono de Portugal após a morte do Cardeal-Rei, seu tio.

O Infante D. Luís adoeceu na vila de Salvaterra de Magos, de onde foi levado para Lisboa, falecendo no dia 27 de Maio de 1555, ficando sepultado no Mosteiro de Belém.
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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
Dicionário de História de Portugal, dir. de Joel Serrão
História de Portugal, Joaquim Veríssimo Serrão
O Mosteiro de Almoster, P. Joaquim Luís Batalha, 1975

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Francisco Solano de Abreu


Nesta série de “notas biográficas” sobre figuras ribatejanas já desaparecidas, ainda não tínhamos referido nenhum abrantino, o que vamos fazer hoje.

Personagem plurifacetada, distinguiu-se acima de tudo pelo que realizou em favor da sua terra natal.

O Dr. Francisco Eduardo Solano de Abreu nasceu em Abrantes no dia 19 de Julho de 1858, sendo filho de D. Leonor Emília de Abreu e do Dr. Francisco Rodrigues de Abreu, médico que exerceu clínica no concelho durante vários anos.

Quando estudante de Direito em Coimbra, pertenceu ao grupo “Anda à Roda”, sendo o grande animador da fundação de alguns jornais académicos, como “A Porta Férrea”, “Coimbra em Fralda” e outros.

É bem cedo que se revela a sua vocação para as letras.

Em Coimbra escreveu a revista “No País das Arrufadas” (1882), em que faz uma crítica leve e correctíssima à vida dos lentes e para a récita do seu 5º Ano Universitário, “O Charivari”, peça em três actos.

Entretanto, e ainda estudante, juntamente com um amigo, funda, em 1884, o “Correio de Abrantes”, o primeiro semanário que ali se publicou, ainda que de curta duração (1887). Logo a seguir, cria outro (1888), ligado igualmente a um amigo e intitulado “A Nova” que cessou em 1890.

Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra em 1885, abrindo banca de advogado na sua terra natal.

Filiou-se no Partido Progressista que pouco tempo depois abandona.

Colabora na imprensa diária: “Correio da Noite” e “Diário Popular”.

Foi Administrador do Concelho e Subdelegado do Procurador Régio na Comarca e Juiz Substituto.

Em 1908 era Presidente da Câmara Municipal, lugar em que se manteve até à implantação da República.

A sua dedicação à Assistência e Beneficência na terra natal, considerada a sua maior faceta, originou ter recebido o grau de Comendador da Ordem de Benemerência e a medalha de Mérito, Filantropia e Generosidade.

Pertenceu aos corpos gerentes do Montepio Abrantino Soares Mendes, desenvolvendo intensa actividade em sua defesa e organizando várias diversões no sentido de adquirir fundos.

Criou nele uma farmácia privativa, contribuindo ele próprio com elevada quantia para o efeito.

Em 1905 fundou o Sindicato Agrícola de Abrantes, de que foi presidente.

É provedor da Santa Casa da Misericórdia durante muitos anos, criando no Hospital do Salvador, que dela dependia, o “banco” e fez construir a sala de operações, maternidade e outras instalações.

O Dr. Solano de Abreu também ajudou a fundar a “Sopa dos Pobres”.

Por sua iniciativa erigiram-se na cidade os monumentos a dois abrantinos que se destacaram, o General Avelar Machado, nas armas e na política e a Francisco Taborda, mais conhecido simplesmente por actor Taborda, um predestinado para o teatro.

Após a Proclamação da República o Dr. Solano de Abreu tomou a direcção da sua casa agrícola. Dedicando-se ao fabrico de manteiga, considerada de excelente qualidade, levou-o a publicar o “Tratado Prático do Fabrico de Manteiga” e a participar em vários congressos de agricultura em Portugal e em Espanha.

Faleceu na sua casa de Vale de Roubam, em 27 de Abril de 1941, sem deixar descendentes.

Publicou: Palestras Literárias. Série de discursos; Amorosas (1906), Um Anjo sem Asas, Maltrapilhos e Mulher Purificada, romances; Doutrina Santa, Irmã da Caridade, Madrugada Redentora (1909) e Do Alto da Cruz (1924), peças teatrais, além dos trabalhos que já referimos.
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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
Vida Ribatejana,
nº Especial de 1961.