segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

João Rodrigues de Deus


Rei D. Carlos que concedeu o título.
O 1º Visconde de S. Gião, João Rodrigues de Deus, que tomou o título por decreto de D. Carlos de 29 de Maio de 1890, nasceu em Alcanena, então freguesia do concelho de Torres Novas onde foi grande benemérito, tendo fundado à sua custa uma albergaria para os pobres daquela terra que dotou com casa e rendimento anual de 500$000 réis, garantidos por algumas propriedades.

João Rodrigues de Deus nasceu a 29 de Novembro de 1826, era filho de António Rodrigues de Deus e de D. Maria da Conceição de Deus.

Casou com D. Maria Delfina Silveira e Serpa natural de Lapas, freguesia do concelho de Torres Novas, em 10 de Dezembro de 1863, filha de José Alexandre da Silveira e Serpa e de sua mulher Ana Deodata Freire da Costa e Magalhães.

O título que foi concedido em duas vidas veio a ser recebido pelo seu filho José Alexandre Rodrigues de Deus que nasceu em 13 de Junho de 1866.

O nome de S. Gião tem a ver com a designação da quinta que João de Deus possuía próximo de Torres Novas, na freguesia de S. Pedro.

Além de lavrador e proprietário, era industrial de grande iniciativa, tendo conseguido adquirir grande fortuna

Benemérito por natureza, distribuía as suas abundantes dádivas sempre às ocultas e que a morte veio revelar.

Politicamente desempenhou o lugar de vereador na Câmara Municipal de Torres Novas e foi Procurador à Junta Geral do Distrito.

Desempenhou o lugar de Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Torres Novas.

Faleceu o 1º Visconde em Torres Novas a 8 de Abril de 1894, tendo sido depositado no seu jazigo no cemitério de Torres Novas, tendo falecido a viscondessa em 12 de Maio de 1911,

Em Torres Novas existe a Escola EB1 Visconde de S. Gião e nas Lapas uma Rua com o seu nome.
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Nobreza de Portugal, Vol.II, 1960, p.638.
Mosaico Torrejano, Artur Gonçalves.
http://www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=41625


domingo, 2 de fevereiro de 2014

Ivone Silva


Maria Ivone da Silva Nunes nasceu na freguesia de Paio Mendes, concelho de Ferreira do Zêzere, no norte do Ribatejo no dia 24 de Abril de 1935 e foi uma actriz que se tornou conhecida do grande público, principalmente, pelo seu trabalho humorístico no teatro de revista e na televisão.

Era filha de José António da Silva e de sua mulher Ermelinda Rosa Nunes, ambos ligados à arte da alfaiataria. Ainda que seu pai tivesse participado em filmes portugueses como “O Ladrão da Luva-Branca” e “O Zé do Telhado”, sendo assim Ivone Silva começou cedo a conviver com as artes cénicas, tal como a irmã, também actriz, Linda Silva.

Estreou-se no Parque Mayer na década de 60 tendo participado em revistas como Ó Zé aperta o laço (1971), Cá Vamos Pagando e Rindo (1972), Uma no Cravo, outra na Ditadura (1974), O Bombo da Festa (1976), A Aldeia da Roupa Suja (1978) ou Isto é Maria Vitória! (1986).

Onde se teria tornado mais conhecida, devido à sua grande abrangência, foi na televisão formando com o actor Camilo de Oliveira um dueto humorístico muito engraçado e crítico da sociedade em que faziam de dois alcoólicos, o Agostinho e a Agostinha, no programa televisivo Sabadabadu (RTP).

Algumas das suas frases ainda permanecem na memória do povo como com este vestido preto, nunca me comprometo.

Participou no filme de Henrique Campos, A Maluquinha de Arroios.

Esta figura ímpar do teatro português faleceu vítima de doença prolongada em Lisboa a 20 de Novembro de 1987, na força da vida e quando ainda tinha muito para dar à arte que abraçou.

O seu nome figura pelo menos na freguesia do Campo Grande em Lisboa.

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Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Enciclopédia Verbo Século XXI


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Álvaro Lapa



Álvaro Isidro de Faria Lapa, de seu nome completo, nasceu em Torres Novas a 25 de Março de 1882, formando-se na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa em 1906.

De 1906 a 1909 frequentou as Faculdades de Medicina de Paris e de Berna e respectivas clínicas hospitalares.

Teve três grandes Mestres de que foi discípulo, em Paris os Professores Darier e Milion e, na Suíça, o Professor Ladersohn.

Regressado a Portugal, é nomeado médico dos Hospitais Civis de Lisboa, tendo dirigido de 1911 até 35 a consulta de doenças venéreas do Hospital do Desterro.

Além desta actividade, presta a sua colaboração em diversas publicações ligadas às ciências médicas da sua especialidade e em associações internacionais de dermatologia, tendo sido o representante de Portugal na Comissão Internacional de Luta contra a Lepra.

Nas suas especialidades, dermatologia e venereologia, foi docente na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e igualmente na de Coimbra.

Foi demitido na vaga de depuração política praticada na Universidade e não só, que incluiu grandes figuras da nossa ciência e intelectualidade praticada em Maio de 1935 pelo Governo do “Estado Novo”. Além de Álvaro Lapa foram vítimas também  nesta altura Abel Salazar, Aurélio Pereira Silva Quintanilha, Manuel Rodrigues Lapa, Sílvio Rodrigues Lapa e o General José Mendes Norton de Matos.

O Professor Doutor Álvaro Lapa já militava no partido Republicano nos seus tempos de aluno da Escola Médica de Lisboa onde foi colega de um nosso avô.

Tivemos a honra e o prazer de o conhecer pessoalmente quando acompanhámos o nosso pai a uma consulta no seu consultório que funcionava num primeiro andar no “Rossio” em Lisboa. Levávamos uma carta de recomendação do meu avô e teríamos os nossos 17/18 anos.

Depois da consulta desenrolou-se uma conversa em que ele pretendeu saber algo do seu antigo condiscípulo e de ideias políticas muito próximas depois nós como jovem que éramos recebemos grande lição política onde o grande alvo era Oliveira Salazar. Foi de tal maneira que nunca mais nos esquecemos disso.

Mas o nosso contacto com o Professor não ficou por aqui e numa altura em que já não o esperávamos, por volta de 1970 e quando já tínhamos iniciado a profissão carreira e encontrando-nos numa pequena vila do sul do país, o médico, como íamos passando nessa altura chamou-nos para nos apresentar o Professor Álvaro Lapa ao que respondemos que já o conhecíamos. Ficou admirado o Mestre e não menos o médico que nos chamou. Foi então que tivemos que contar a história que se tinha passado (excepto a lição política). Não deixou de me perguntar pelo meu avô que nesta altura já levava três anos de falecido.

Não consegui apurar a data do seu falecimento que presumo se ter dado depois de 25 de Abril de 1974
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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol. 2 p 679.
http://maismemoria.org/mm/2011/11/25/notas-biograficas-dos-investigadores-e-docentes-alvo-de-depuracao-politica-das-universidades-portuguesas-pelo-estado-novo/
http://memoria.ul.pt/index.php/Lapa,_%C3%81lvaro_Isidro_Faria


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Duarte Ferreira



Eduardo Duarte Ferreira foi um grande empresário metalúrgico que nasceu em Tramagal (Abrantes) em 10 de Fevereiro de 1856 e que faleceu em 21 de Abril de 1948.

Originário de família muito pobre, não teve condições para fazer a então 4ª classe, apesar de ter aprendido a ler e a escrever.

Era considerado pelos seus conterrâneos como um indivíduo de “fraca inteligência” pelo que teve de ir aprender um ofício em terra alheia, o que fez no Rossio ao Sul do Tejo, tendo escolhido a arte de ferreiro.

Aos 26 anos de idade consegue realizar um dos sues sonhos, montar uma oficina de ferreiro, a que chamou “A Forja”. Esta oficina dedicou-se ao fabrico de alfaias agrícolas, principalmente charruas, que se espalharam por todo o país alcançando mesmo o país vizinho, principalmente a raia. O negócio veio a desenvolver-se tornando-se numa das maiores unidades industriais do país.

Naturalmente que nem tudo foram rosas e em 1900 a situação estava muito delicada e foi a esposa que resolveu a situação entregando-lhe 300 mil réis que tinha amealhado sem o conhecimento do marido.

Ferreira Duarte questionou-a pelo facto de ter tanto dinheiro em casa, defendendo a sua máxima que o dinheiro não é para estar parado.

Em 1920, a firma instala-se junto à linha do caminho de ferro da linha da Beira Baixa e passa a designar-se “Grande Fábrica de Metalúrgica”, empregando já 250 operários.

O empreendorismo de Duarte Ferreira não para e três anos depois transforma a firma numa sociedade por quotas, passando a designar-se Duarte Ferreira & Filhos, continuando a expandir-se e a modernizar-se, criando mesmo um laboratório químico e metalúrgico para investigação e ensaio de materiais. Foi criado também um sistema de segurança social para protecção dos seus funcionários.

A Firma passa em 1933/34 ao fabrico de enfardadeiras, debulhadoras e de caixas de lubrificação para eixos de locomotivas a gasogénios para automóveis.

Mais uma mudança se dá na firma e em 1947 passa a ser designada por Metalúrgica Duarte Ferreira, SARL.

Em 1927, Eduardo Duarte Ferreira foi condecorado pelo Presidente da República, Marechal Óscar Carmona, com a Comenda de Mérito Agrícola e Industrial, tendo-se deslocado propositadamente à Vila do Tramagal para o efeito.

A partir da sua morte a sociedade passa por diversas transformações até à sua falência ocorrida em meados dos anos noventa, o que já não faz parte desta nota biográfica.

No Miradouro da Penha foi construído um pequeno monumento homenageando-o que engloba o seu busto.

A toponímia local regista o seu nome.

Diz-se, e parece ser um facto que houve uma altura em que 95% da povoação do Tramagal vivia da sua fábrica.
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Wikipédia, a enciclopédia livre
“O Comendador Eduardo Duarte Ferreira - Um grande Ribatejano, Um grande Português,” J,M, Carvalho Henriques, revista Vida Ribatejana, Vila Franca de Xira, 1960, p. 88.
Jornal O Mirante de 15 de Fevereiro de 2006.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Rodrigo Zagalo Nogueira


Rodrigo Zagalo Nogueira teria nascido em Tomar a 9 de Dezembro de 1819, ainda que lhe sejam dadas outras naturalidades como muitas vezes acontece, neste caso, Braga, Lisboa e Açores.

A Movimentação dos pais por motivos profissionais como parece ser este o caso, dá, por vezes, origem a estes factos.

Era filho de Manuel Joaquim Nogueira, fidalgo da Casa Real, comendador da Ordem da Conceição e foi juiz na relação dos Açores.

Foi com os pais para a ilha Terceira com três anos de idade só saindo de lá para cursar medicina.

Foi médico cirurgião, formado pela Universidade Médica de Lisboa, hoje Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.

Na Universidade Católica de Lovaina fez o doutoramento em 1840.


Universidade Católica de Lovaina

Regressou à sua ilha após a conclusão do doutoramento, exercendo a profissão no Hospital de Santo Espírito na cidade de Angra do Heroísmo. Em 17 de Agosto de 1859 foi nomeado Cirurgião da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, por carta de mercê de D. Pedro V.

Além de um homem de ciência, foi grande benemérito, sendo conhecido como “o médico dos pobres”

Tornou-se sócio correspondente da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa e da Academia Nacional de Cirurgia e Medicina de Cádis.

Ainda que seja referenciado como um político, não consegui encontrar nada sobre ele, admitindo, contudo, que tivesse sido um liberal, quando ser liberal significava ser de esquerda. Os “médicos dos pobres”, nunca conheci nenhum de direita, eram todos de esquerda.

Por renúncia de seu pai, é nomeado, por carta de 1 de Março de 1848, Cavaleiro da Ordem de Cristo.

Escreveu:

A Breve Notícia (Preposições para serem defendidas na Escola Médico-cirúrgica de Lisboa, 1839;

Breves notícias sobre a topografia médica da cidade de Angra do Heroísmo, Angra do Heroísmo 1844.

Romances Históricos, por um brasileiro. Nova edição correcta, aumentada e seguida de algumas poesias soltas, Bruxelas, 1866.

Colaborou com artigos de ordem científica no Jornal das Ciências Médicas de Lisboa e de carácter geral na imprensa terceirense.

Desconhece-se a data do seu falecimento.

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:Wikipédia, a enciclopédia livre.
Dicionário Bibliográfico Português, Inocêncio Francisco da Silva, Tomo VII, Lisboa, 1862, p 183, 184.
Dicionário Bibliográfico Português, Inocêncio Francisco da Silva (Brito Aranha) Tomo XVIII, Lisboa, 1906, p.290, 291.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Tamagnini de Abreu




Fernando Tamagnini de Abreu e Silva nasceu em Tomar, freguesia de Santa Maria dos Olivais, no dia 13 de Maio de 1856.

Escolheu a carreira militar e assenta praça como voluntário no Regimento de Cavalaria 2 em 2 de Junho de 1873.

Assumiu o cargo de director da Escola regimental em 1891 e passados dois anos ingressou na Guarda Municipal de Lisboa.

Vinte anos mais tarde participou na Escola de Repetição seguindo depois para o Estado Maior das Armas e Inspecção de Cavalaria Divisionária. Em 1915 é nomeado Comandante interino da Brigada de Cavalaria.

É promovido a general ainda em 1915, 12 dias antes do general Norton de Matos assumir o Ministério da Guerra e é convidado por este a comandar a futura Divisão de Instrução que se concentrará em Tancos e a seguir Comandante do CEP (Corpo Expedicionário Português) (1917) que combateu na Flandres integrado no exército inglês na I Guerra Mundial. Tamagnini de Abreu era um general a quem foram elogiadas as qualidades de disciplina e comando militar. O Decreto n.º 2.938/1917 no seu Art.º 2-º Assumirá o comando do corpo expedicionário português o general Fernando Tamagnini de Abreu e Silva, que terá a competência que pelas leis e regulamentos em vigor é conferida ao comandante em chefe do exército em operações e usará como distintivo do seu pôsto e função, além das três estrelas de prata, o escudo da República.

A Batalha de La Lys tem lugar a 9 de Abril de 1918 e os portugueses encontravam-se em posições avançadas e o CEP foi destroçado por uma poderosa ofensiva alemã, resultando na morte de 400 portugueses e cerca de 7000 prisioneiros, ficando o CEP muito fragilizado. Era, precisamente, neste dia que estava prevista a substituição dos portugueses por ingleses.

O General Tamagnini de Abreu é substituído pelo General Garcia Rosado em 25 de Agosto e o armistício que põe fim à guerra é assinado em 11 de Novembro de 1918.

Desempenhou as funções de Comandante da 5ª Divisão do Exército e de Presidente do Supremo Tribunal de Justiça Militar.

Escreveu as suas memórias:”Os meus três Comandos” só dados a público em 2004 pela acção da historiadora Isabel Pestana Marques. O que nos vai valendo são estas mulheres e estes homens que acabam por evitar que desapareçam completamente testemunhos tão importantes da nossa história.

Presidiu à Comissão incumbida de rever a legislação relativa a mutilados e estropiados de guerra, bom como á de Comissão dos Padrões da Grande Guerra.

Tamagnini de Abreu é feito Grande Oficial da Ordem Militar de Avis, (1919) agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, (1919) com a Grã Cruz da Ordem Militar da Torre de Espada, de Valor, Lealdade e Mérito (1920) e a Grã Cruz da Ordem Militar de Avis. (1920).

Faleceu em Lisboa a 24 de Novembro de 1924.
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Wikipédia – A Enciclopédia Livre




http://tomar.wordpress.com/category/personalidades/

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

D. Manuel Mendes


Manuel Mendes da Conceição Santos, de seu nome completo, nasceu na freguesia de Olaia, concelho de Torres Novas em 13 de Dezembro de 1876. Era filho de Manuel Mendes e de Maria da Conceição Rodrigues Mendes.

Cedo se inclinou para a vida religiosa e ingressou no Seminário Patriarcal de Santarém. Concluídos estes estudos vai para Roma onde cursa o Ateneu de Santo Apolinário e se doutorou em Teologia.

É ordenado presbítero em 27 de Maio de 1899.

Regressa a Portugal e é professor no Seminário e no Liceu Nacional de Santarém.

É nomeado, entretanto, vice-reitor do Seminário da Guarda em 1915, de cuja Sé é feito Cónego.

 Em 9 de Dezembro desse ano é nomeado Bispo de Portalegre pelo Papa Bento XV. Permanece nesse lugar durante cerca de 4 anos até que em 4 de Junho de 1920 é nomeado Arcebispo Coadjutor de Évora, vindo a ocupar o lugar de Arcebispo Metropolitano por morte do seu antecessor, tendo entrado solenemente na sua Sé no dia 11 de Fevereiro de 1921 iniciando um novo trabalho, dando prioridade à formação do clero, onde passaram a funcionar Seminário, Casas Religiosas e Centros de Actividade Espiritual e Apostólica. Fundou a Congregação Diocesana das Irmãs da Santa Igreja e trouxe para Évora os Padres Salesianos em 1926.

Apanhou o período conturbado da 1ª República e utilizou a imprensa para defender os seus pontos de vista.

Destacou-se então como insigne pastor, com alguma actividade na imprensa durante os agitados tempos da I República. Em 9 de Dezembro de 1915 foi nomeado

Era grande devoto de Santa Teresinha de Jesus e trouxe para Portugal a 1ª imagem da então Beata, para a Sé de Évora.

Benzeu a 1ª pedra da Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima e coroou a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima.

Veio a falecer no exercício destas funções em 30 de Março de 1955 e ficou sepultado na Sé.

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Wikipédia – a enciclopédia livre.
História Eclesiástica de Portugal, P. Miguel de Oliveira, 1994

Simão Gomes

Teria nascido por volta de 1510 na aldeia do Marmeleiro, termo de Tomar e aprendeu com o pai a arte de sapateiro. Autodidacta, instruiu-se e cultivou-se devido à grande inteligência que possuía. Muito sabedor em tudo o que dizia respeito à religião, era um homem cheio de virtudes. Segundo a tradição, fez muitas profecias que se realizaram e daí ser conhecido pelo “Sapateiro Santo”.

Contemporâneo do Infante D. Luís, pai de D. António, Prior do Crato, do Cardeal Infante D. Henrique, mais tarde Rei de Portugal e do Rei D. Sebastião, foi muito considerado por eles, principalmente, por D. Sebastião que o chegou a ouvir em Conselho.

Era pessoa tratada com muito respeito e provas de estima.

Consta que D. Sebastião, indo em dia de grande solenidade à igreja de S. Roque, o meteu consigo dentro da cortina, o que só competia aos filhos e irmãos dos reis.

Sempre que podia esquivava-se às provas de estima com que o queriam presentear nunca pretendendo distinções e honrarias. Preferindo sempre viver na humildade com que nasceu.

Aos treze anos estava em Setúbal servindo o Duque de Aveiro e foi nesta altura que começou a revelar as suas tendências proféticas, pois parecia que uma voz falava por ele.

Veio a fixar-se em Évora, certamente, protegido pelo Cardeal Infante D. Henrique e lá se instala com a sua tripeça de sapateiro. Também é lá que arranja companheira.

Durante a estada em Évora, morando numa casa debaixo do Aqueduto da Prata, foi durante esse tempo guarda da Universidade daquela cidade.

Existindo alguma atribulação devido ao casamento, o cardeal-infante que o estimava convidou-o a mudar a sua residência para Lisboa. Aceite o convite, estabeleceu-se na Rua Larga de S. Roque, nas proximidades do Colégio da Companhia de Jesus e apesar de ter sido “nomeado” por D. Henrique enfermeiro dos seus criados, continuou a trabalhar na sua arte de sapateiro para os mais desfavorecidos. Simão Gomes acabou por pedir escusa daquelas funções e em compensação o Cardeal nomeou-o seu escudeiro e sapateiro pessoal.

Como a peste grassava em Lisboa, o sapateiro-santo procura refugiar-se em Punhete com sua mulher, mas não o deixaram entrar devido ao perigo de contágio, ele ou a companheira podiam vir afectados e por isso ficaram dez dias de quarentena.

Estando El-Rei em Tomar e desejando ir para Almeirim, os moradores de Punhete fizeram uma ponte de barcas no rio Zêzere por onde passou El-Rei e toda a fidalgia que o acompanhava e mais gente e foi então agasalhar-se nas Casas Nobres que possuía junto ao Tejo e que agora eram de D. Francisco de Sande, o que muito satisfez o rei.

Sabendo do conceito que o rei tinha por Simão Gomes, rogaram-lhe que pedisse a Sua Majestade que por sua mercê fizesse aquele lugar em vila pois tinha condições para isso.

Em comitiva e com Simão Gomes à frente, dirigiram-se à residência provisória do rei e quando este o viu demonstrou muita alegria e disse-lhe: “Aqui estais Simão Gomes?” e Agradeceu a toda a comunidade o que fizeram pelo séquito real e perguntou-lhe se o queria ir ver a Almeirim ou se queria dele alguma mercê.

Beijando-lhe as mãos, o sapateiro-santo não se fez rogado e disse-lhe: “Senhor, este lugar de Punhete é quase todo de meus parentes, e me agasalharam aqui, assim eles como a mais gente, com muita caridade por amor de Deus, pois vim como peregrino e faça-me Vossa Alteza mercê de querer, e mandar que daqui em diante seja vila e deixe se ser aldeia. Em resposta El-Rei disse:”Quero, mando que Punhete seja vila, com todos os privilégios, que por este título lhe pertencerem, e se lhe passe logo a provisão deste mercê, que Simão Gomes me pede”.

Alberto Pimentel refere que isto se teria passado em 1569, mas a verdade é que a elevação a vila teve lugar em 30 de Maio de 1571.

Entre outras profecias, são atribuídas a Simão Gomes a derrota de Alcácer-Quibir, a morte de D. Sebastião, o domínio espanhol e a restauração com a aclamação de D. João IV.

Faleceu a 18 de Outubro de 1576 aos 60 anos de pedra na bexiga e foi sepultado na igreja de S, Roque.

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Boletim da Junta de Província do Ribatejo, 1937-40, Director-Editor, Abel da Silva, 1940.

Portugal Antigo e Moderno, Dicionário (...) Augusto Soares d` Azevedo de Pinho Leal, Vol IX1880, p 572.

Ribatejo, Casos e Tradições – II Vol." de Francisco Câncio.

Do texto adaptado do original de Manuel Carvalho Moniz, in Dominicais eborenses. Évora: Câmara Municipal de Évora, 1999, (Col. Novos Estudos Eborenses, 4), p. 128.


sábado, 25 de janeiro de 2014

Pedro Vaz Quintanilha



Nasceu em Tomar por meados do século XVII este Cavaleiro Professo da Ordem de Cristo.

Dedicado às letras, foi a poesia e o teatro que mais o ocuparam.

Quanto à poesia, a sua inclinação era para a de sentido cómico de que deixou grande número e escreveu três autos cujos títulos eram os seguintes:- Auto de Sanção, Auto de S. Brás e Auto do Nascimento de Cristo Senhor Nosso.

Certificou em 1620 ser neto paterno ou mais propriamente descendente de Lourenço Álvares F. Quintanilha, contador do Imperador Carlos V e de sua mulher a Marquesa da Catalunha.

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Portugal Antigo e Moderno, Pinho Leal, Vol XI, 1880,p573.

Biblioteca Lusitana Histórica, crítica e cronologia, Diogo Barbosa Machado,  Vol. 3.


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Gaspar de Mendonça


Gaspar Barata de Mendonça nasceu no Sardoal a 3 de Agosto de 1627 e era filho de Pedro Lopes Barata, magistrado e de sua mulher Antónia de Moura.

Seguindo a carreira do pai, foi realizar os estudos de Direito na Universidade de Coimbra e após a sua conclusão é nomeado Juiz na Comarca da sua terra natal. Entretanto, é colocado como Juiz de Fora em Tomar.

Ao verificar na prática judicial as injustiças praticadas, resolve retirar-se e entrar num seminário, após a ordenação foi nomeado vigário de São João de Gestaçô, pertencente à Diocese do Porto. Ocupa depois o mesmo lugar em Santa Engrácia.

Devido à sua inteligência e dotes oratórios, foi designado Desembargador da Relação Eclesiástica de Lisboa, Juiz dos Casamentos e Relator de Direito Canónico.

Pelo impedimento do 14º Bispo de Miranda, D. André Furtado de Mendonça (1672-1676), substituiu-o temporariamente.

Inocêncio XI
O nosso rei D. Pedro II, desejando elevar à dignidade de arquidiocese a Diocese de S. Salvador da Baía de Todos os Santos, fez uma petição ao Papa Inocêncio XI no sentido de elevar esta à dignidade de Arquidiocese. Ao mesmo tempo solicitava ao Pontífice que ao converter a catedral da Baía na distinção de metrópole Primaz do Brasil, fizesse a nomeação de seu primeiro arcebispo D. Gaspar Barata de Mendonça, pois tratava-se de pessoa altamente qualificada para exercer tamanha dignidade.

Deste modo, o Santo Padre emitiu duas bulas em que nomeia Gaspar Barata de Mendonça como arcebispo da nova arquidiocese, tendo como seu consagrante D. Estêvão Brioso de Figueiredo.
A posse foi tomada por procuração em 3 de Junho de 1677, exercendo a prelazia por delegados sem nunca ter viajado para a nova Sé devido à sua saúde frágil. Apesar disso, fez erigir várias paróquias e acabou por resignar em 1681.

Faleceu na sua vila natal a 11 de Dezembro de 1681 este prelado e jurista português, ribatejano pelo nascimento que jaz sepultado em mausoléu junto à Capela-Mor da Igreja de Santa Maria da Caridade.
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Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

História Eclesiástica de Portugal, Edição Revista e Actualizada, Publicações Europa-América, P. Miguel de Oliveira, 1994.

Dois Mil Anos de Papas, 2005

Dicionário Corográfico de Portugal Continental e Insular, Américo Costa, XI Vol. , Porto, 1948, p 122