quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Nuno Beja


Nuno Morais Beja nasceu em Santarém em 10 de Fevereiro de 1890, possivelmente, quando seu pai, António Augusto de Matos Sarmento Beja, casado com D. Inês Amélia de Morais, aqui exerceu funções de chefia como funcionário de Fazenda.

Veio a casar em Águeda com D. Maria Antónia da Silva Pinto.

A família de Nuno Beja não tem raízes em Santarém mas sim no Norte do país.

Seguiu a carreira militar e foi promovido a capitão do exército em 1941.

Homem muito dedicado às letras, leccionou na Escola Central de Sargentos, em Águeda, durante muitos anos.

Livros, articulista abordando vários temas, nomeadamente sobre literatura e história, foi colaborador de variadíssimos jornais regionais e nacionais, tal como revistas, não só em Portugal como no estrangeiro.

Desde 1920 que presta assídua colaboração aos jornais da sua região natal e de outras, pois como estudioso e culto tinha sempre assuntos de grande interesse para abordar.

Era sócio correspondente do Centro de Estudos Literários da Universidade de Guiaquil (Equador) e sócio correspondente da Associação de Intercâmbio Cultural de Guiratinga (Brasil).

Na cidade de Coimbra, foi sócio fundador da Associação dos Jornalistas e membro da Sociedade de Defesa e Propaganda e foi o promotor da homenagem prestada à memória do poeta, Manuel da Silva Gaio, em 1938. A ele se juntaram Antero de Figueiredo, Eugénio de Castro e outros.

Foi, igualmente, brilhante conferencista, ficando na memória a conferência que realizou em 27 de Setembro de 1953, no aniversário da Batalha do Buçaco sobre as guerras napoleónicas em Portugal.

Na sua bibliografia contam-se:
Palavras Simples, 1922; Esboço de Uma Bibliografia Portuguesa da Grande Guerra, 1922; Nas asas da glória, 1922; Nove de Abril, 1925; Bolívar (em português, com versão castelhana do Dr. José de La Quadra, Razão da Semana Militar, 1935; Coimbra da Poesia e da Lenda, 1937; A Língua, Vínculo Eterno, 1942; Património Intelectual, 1953; Evocação de Bolívar, 1959.

Traduziu alguns autores da América Central para português.

Deu conferências do Norte a Sul do país, principalmente nas grandes cidades.

A nível de imprensa regional, colaborou no Correio do Ribatejo de Santarém, Vida Ribatejana de Vila Franca de Xira, Notícias do Cartaxo do Cartaxo, Chamusca Nova da Chamusca, O Debate de Santarém, A Gazeta do Ribatejo, Ribatejo Ilustrado e O Rio-maiorense de Rio Maior.

Fora do Ribatejo,deu a sua valiosa ajuda a O Arrifanense de Arrifana da Feira, O Castanheirense de Castanheira de Pêra, Voz de Coimbra de Coimbra, Correio da Beira e Bola de Neve da Guarda, O Figueirense, da Figueira da Foz, entre outros.

Em jornais diários, entre outros, colaborou no Diário da Manhã, República, Diário de Lisboa e Diário de Coimbra.

Vários jornais do estrangeiro mereceram a sua valiosa colaboração e entre as revistas portuguesas e estrangeiras não se pode esquecer a Revista Militar.

O Capitão Nuno Beja faleceu em 1966.
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Santarém no Tempo, Virgílio Arruda, 1971.


"Capitão Nuno Beja", Vida Ribatejana, Joaquim Veríssimo Serrão, número especial de 1960, p. 153-154.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Pedro Oom


Pedro dos Santos Oom do Vale nasceu em Santarém a 24 de Junho de 1926, mas aos 2 anos acompanha a família que vai para Setúbal onde se manteve até aos 11, idade em que vai para Lisboa.

Poderá dizer-se que Pedro Oom é um scalabitano quase por acidente, pois os seus pais, possivelmente, teriam passado por esta cidade devido à profissão de seu pai.

O interesse do pai para o seu ingresso no Colégio Militar frustrou-se, pelo que admito que teria uma carreira militar e daí a passagem esporádica por Santarém.

A vocação do jovem não estava virada para essa actividade e acaba por ingressar na Escola de Artes Decorativas António Arroio onde conhece entre outros, Júlio Pomar, Vespeira, Mário Cesariny e Cruzeiro Seixas.

Inicialmente aderiu ao neo-realismo, mas na década de 40 encontrava-se na corrente surrealista.

Foi o mentor teórico do Abjeccionismo e o autor do manifesto redigido em 1949.

Falecendo o pai, aos 24 anos ingressa nos quadros do Instituto Nacional de Estatística, afastando-se de toda a actividade artística e literária ligada ao surrealismo.

Em substituição desta actividade, dedica-se com entusiasmo ao xadrez onde se distinguiu.

Em 1962 cessa funções no INE mas dois anos depois ingressa no Ministério da Educação onde se dedicou a estudos de estatística sobre o ensino.

Enquanto uns afirmam que faleceu num restaurante no dia 26 de Abril de 1974, quando comemorava os acontecimentos do dia anterior com alguns amigos próximos, José Jorge Letria dá-o como falecido no dia 30, vítima de ataque cardíaco no aeroporto da Portela no regresso do exílio em Paris de José Mário Branco, Luís Cília e Álvaro Cunhal.

Só em 1980 a sua obra literária (poética e panfletária) alicerçada no surrealismo, dispersa por jornais e revistas, foi reunida e publicada em dois volumes (Actuação Escrita).

Pedro Oom que tinha conhecimento das reuniões preparatórias do golpe militar do 25 de Abril, tinha projectado com outros camaradas viver numa comuna e serem auto-suficientes, chegando a visitar terrenos no Ribatejo. O utópico projecto morreu com ele.

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N.B. Tenho encontrado com muita frequência na bibliografia temática a indicação de naturais de Santarém, o que muitas vezes verifico não ser verdade, uns de tempos recuados que não posso confirmar e outros de tempos relativamente recentes que tiveram o seu nascimento noutras terras. Possuo um grupo relativamente numeroso que ainda não consegui identificar onde nasceram.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Rui de Azevedo


Rui Pinto de Azevedo nasceu em Benavente em 1889.

Frequentou o Colégio Militar e tirou o Curso Colonial e o Superior de Letras.

Em 1912 frequenta a Universidade de Berlim e em 1913 a de Oxford.

Exerceu o magistério dos liceus em Évora, Coimbra e no Liceu Camões em Lisboa de que foi reitor e professor de línguas.

Convidado primeiro em 1935 e depois em 1946 para professor de História da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e depois na de Lisboa, declina ambos os convites.

A sua atracção vai, contudo ,para a História a que dedicou todo o seu interesse e tornou-se no maior paleógrafo e diplomatista português do seu tempo.

Foi académico de número a partir de 1938, da Academia Portuguesa da História que o incumbiu do trabalho principal da publicação dos Documentos Medievais Portugueses, já que se tratava de um grande medievalista.

A transcrição paleográfica das chancelarias do Conde D. Henrique, de D. Teresa e de D. Afonso Henriques com uma longa introdução e notas críticas ao texto com tal erudição, põe esse trabalho ao nível dos melhores que são conhecidos.

Foi nomeado pela Academia Portuguesa da História presidente da Comissão das Regras para a Publicação de Documentos e vogal do Conselho Académico.

Sócio de Mérito da Academia das Ciências de Lisboa e distinguido como Doutor Honorís Causa pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

A ele se deve a edição em três volumes de Documentos Medievais Portugueses (1940 – 1962), isto em continuação à Portugaliae Monumenta Histórica.

Publicou O Tejo e as suas Lezírias desde Estrabão aos tempos Modernos, O Ribatejo, As Origens da Ordem de Évora ou de Aviz, O Mosteiro do Lorvão na Reconquista Cristã, 1932; Documentos Falsos de Santa Cruz de Coimbra, 1935; A Chancelaria Régia Portuguesa nos séc. XII e XIII, 1938; A Presúria e o Repovoamento entre Minho e Lima no séc. X, 1945; Riba-Coa sob o Domínio de Portugal, 1962; Documentos Régios, 1958 e 1962 e O Compromisso da Confraria do Espírito Santo de Benavente, 1963.

Benavente, Estudo Histórico – Descritivo, por Álvaro Rodrigues de Azevedo, foi por ele continuado e editado em 1926.

Exerceu as funções de Provedor da Santa Casa da Misericórdia da sua terra natal.

Faleceu em Lisboa em 1976.
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Enciclopédia Verbo Ed. Século XXI, Vol 3, p.1252

Antologia da Historiografia Portuguesa, A. H. de Oliveira Marques, Vol. II, Publicações Europa-América, Lda, 1975, p. 198

Vida Ribatejana, Número Comemorativo dos Centenários da Fundação e Restauração de Portugal, 1940

LELLO UNIVERSAL, Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro, Porto, 1975

Boletim da Junta de Província do Ribatejo, 1937 – 40 (Director e Editor) Abel da Silva, Lisboa, 1940, p 372.

Figuras Notáveis do Ribatejo. Jorge Ramos, Vida Ribatejana.




segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Bernardo de Lima



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 Silvestre Bernardo de Lima, de seu nome completo, nasceu em Alpiarça no dia 1 de Abril de 1823 e faleceu a 9 de Setembro de 1893, por isso, com setenta anos de idade e isto segundo o Dicionário Bibliográfico Português, (Tomo XIX) de Inocêncio Francisco da Silva.

Sem a indicação de dia aparecem outras publicações como a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira que o dão nascido em 1824.

Também não é unânime a data do seu falecimento, além da data apontada acima, a mais encontrada quanto ao ano, a G.E.P.B. indica como sendo 17 de Março de 1881, significando isto doze anos de diferença pelo que deve de haver qualquer lapso.

Com o curso de Agronomia e Veterinária, foi lente de Zootecnia e de Higiene no Instituto de Agronomia e Veterinária, em Lisboa e seu director durante trinta anos.

Tinha frequentado cursos na Escola politécnica e na Real Escola Veterinária Militar, em Lisboa, onde se diplomou ficando habilitado a exercer as funções de Médico Cirurgião Veterinário.

Fez parte do Conselho de Sua Majestade, Deputado e Par do Reino, Director-geral do Comércio e Indústria, Inspector – Geral da Pecuária, sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa e da Real Associação de Agricultura Portuguesa e Cavaleiro da Ordem de Cristo.

Colaborou em diversos jornais, como o “Ateneu”, “Arquivo Rural” e “Jornal Oficial de Agricultura”, onde publicou artigos da sua especialidade.

Coube-lhe organizar em 1870 o Recenseamento Geral dos Gados, mostrando ao país tamanha riqueza, sendo o seu trabalho muito bem considerado e citado no estrangeiro por técnicos da área.

Foi um distinto professor e considerado na sua época o primeiro zootecnista português.

Em 1915 foi-lhe prestada homenagem erigindo-se um seu busto na Escola de Medicina Veterinária de Lisboa e o centenário do seu nascimento também não passou despercebido àquela Instituição voltando a homenagear mais uma vez a figura do professor e estudioso.

Deixou grande número de trabalhos publicados sobre as várias áreas da sua especialidade e seria fastidioso indicá-los todos, pelo que só referiremos alguns: Tabela do resultado do estudo das lãs portuguesas, 1862; Estudos hípicos, (1858 - 1878); Estudos pecuários sobre a província de Trás-os-Montes, 1858; Epizootia aftosa, 1858; Luzerna arbórea, 1859; Erva capim da Guiné, 1859; A propósito de uma visita aos vinhedos de Alpiarça, 1860; O gado cavalar da Exposição Agrícola do Porto, 1860; Ahil, cavalo árabe, 1862; Tabela da composição química, relações nutritivas das forragens, 1874; A cultura do algodão, 1864; História Natural e económica do porco, 1865; Corridas de Cavalos, 1869; Raças bovinas portuguesas, 1870 - 1871; Bibliografia agrícola, 1878; e Doenças da oliveira, laranjeira e sobreiro do Sul de França, 1865.

Quanto ocorreu o centenário do seu falecimento, em 1993, a sua memória não ficou esquecida e foi enaltecida com diversas cerimónias, na Escola, na Estação Zootécnica Nacional e em Alpiarça, terra onde nasceu.

Silvestre Bernardo de Lima interessou-se também pela construção da igreja matriz da sua terra natal.
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Dicionário Bibliográfico Português - Tomos VII e XIX- Inocêncio Francisco da Silva
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
Boletim da Junta de Província do Ribatejo - 1937 - 40
Lello Universal - Dicionário Enciclopédico Luso - Brasileiro - Porto – 1975



domingo, 12 de janeiro de 2014

Barreto Poeira




Grande actor dos tempos da minha juventude.

Ribatejano como eu, nasceu em Vila Franca de Xira a 24 de Abril de 1901.

Aos oito anos faz a sua estreia no teatro de amadores. Durante vinte anos ocupa-se em impulsionar o teatro na sua terra natal, no Grupo Cénico Vila-Franquense, onde participa como actor e encenador.

Apesar disso, não deixa de colaborar com outros grupos como o Grupo Dramático e Beneficente Afonso de Araújo, aparecendo ao lado de Rodolfo dos Santos e de José Maria Guedes Júnior, como co-autor e encenador da revista “Sem Pés nem Cabeça” que foi levada à cena em 1927.

Ao comemorar os seus 31 anos, sobe ao palco para representar a peça de autoria de Faustino Reis Sousa, “ A SESTA” e fá-lo ao lado de Alves Redol, que representava o papel de Manuel, o maioral e de Alda Câncio Tarracha, que era a ceifeira Maria Rosa.

O papel de abegão era representado por Domingos Barreto Poeira.

Esta peça reproduzia os costumes do homem da borda d ‘água e volta a ser representada na 1ª Festa do Colete Encarnado e com o mesmo elenco

Despede-se do Grupo Cénico do Clube Vila-franquense  em fins de 1932 com a peça de Linares Rivas, “Cobardias”.

Fez parte do Clube Estefânia de Lisboa e ainda como amador continua a representar.

Em 1938 entra no cinema, no filme “A Canção da Terra” de Jorge Brum do Canto, onde as críticas lhe são muito favoráveis, passando do anonimato a primeira figura do cinema português, segundo o crítico Artur Portela.

Inicia-se assim a longa série de filmes em que entrou. “Porto de Abrigo” (1940) de Adolfo Coelho, “Fátima, Terra de Fé”, realizado por Jorge Brum do Canto “Amor de Perdição”, trabalho de António Lopes Ribeiro, ambos de 1943, no ano de 1944 e novamente pelas mãos de Brum do Canto entra no “Um Homem às Direitas”onde obtém grande êxito e seguidamente faz parte do elenco numa co-produção Luso-Espanhola “O Diabo são Elas”do realizador Ladislao Vajda. Em 1946 é a vez de “Cais do Sodré” de Alejandro Perla e “Um Homem do Ribatejo” de Henrique Campos, se a memória não me falha, estreado em Santarém, de onde era natural o realizador. Eu tinha apenas oito anos e recordo-me, perfeitamente, do reboliço que houve na cidade.

Em 1947 volta ao teatro, mas agora como profissional, fazendo o protagonista na peça “Ana Cristina” do dramaturgo americano Eugene O ‘ Neil e que teve lugar no palco do Teatro Avenida em Lisboa. Nesse ano entra no filme “Rainha Santa” de Rafael Gil e Aníbal Contreiras e em “Viela Rua Sem Sol” de Ladislao Vajda.

Começa então a alternar o cinema com o teatro e mais tarde, quando aparece, com a televisão.

“Heróis do Mar” de Fernando Garcia e “Vendaval Maravilhoso”, (com Amália Rodrigues) de Leitão de Barros são os filmes onde actua em 1949. Desempenha o papel de Romeiro no filme “Frei Luís de Sousa” realizado por António Lopes Ribeiro (1950).

O último filme em que actua é realizado em 1965 por Manuel Guimarães e tem por título “O Trigo e o Joio”.
A nível televisivo e nas Noites de Teatro da RTP, quando tudo ainda era em directo, entre muitas peças, Barreto Poeira fez parte do elenco de “A Sapateira prodigiosa” de Frederico Garcia Lorca, contracenando com Amália Rodrigues, Costinha, Paulo Renato, Varela Silva e Fernanda Borsatti com realização de Fernando Frazão (1968).

Domingos António Barreto Poeira faleceu em Lisboa a 30 de Outubro de 1980, esta grande figura que ombreou com os melhores na arte de representar.

O seu nome faz parte da toponímia de várias povoações, nomeadamente, na sua terra natal.

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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Carlos Barral Filipe


Carlos Barral Filipe nasceu em Vila Nova da Barquinha a 28 de Setembro de 1859.

Matriculando-se na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, completa o curso em 1885 defendendo tese com “Cólica hepática calculosa”.

Exerce interinamente como cirurgião no Banco do Hospital de S. José, em Lisboa, iniciando essas funções em 15 de Setembro de 1887, passando a efectivo a 27 de Fevereiro de 1890. Seguidamente executa as funções de subdelegado de saúde da 17ª Circunscrição, composta pelas freguesias de S. Tiago, Castelo e Santo André e exerce clínica em Lisboa.

Foi o iniciador da construção do hospital na sua terra natal.

Parece que o Dr. Barral Filipe também era industrial já que efectua o pedido de concessão de Alvará de fornecedor de cerveja da Casa Real, pois era proprietário da Germânia – Fábrica de Cerveja. Essa concessão é obtida por alvará de 22 de Agosto de 1905.

Fez parte da Comissão Organizadora do Grupo Onomástico “Os Carlos”.

A toponímia de Vila Nova da Barquinha regista o nome do Dr. Barral Filipe dado a uma rua da vila onde nasceu.

Já era falecido em 1940.

O Castelo de Almourol, o mais representativo monumento do concelho de Vila Nova da Rainha.
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Portugal – Dicionário Histórico.

Boletim da Junta de Província do Ribatejo, 1937-40, Director Editor, Abel da Silva, Lisboa 1940.

Gazeta dos Caminhos de Ferro, Dezembro de 1937, p.563
Gazeta dos Caminhos de Ferro, 1 de Dezembro de 1937, p. 563.


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Virgínia Dias da Silva



Conhecida, devido à profissão que abraçou e dignificou, simplesmente por Actriz Virgínia.

Nasceu em 19 de Março de 1850 na Rua da Levada em Torres Novas. Era filha mais nova de um casal humilde de viúvos e talvez, por isso, foi criada por uma tia.

Foi o seu padrinho, frequentador dos teatros da capital, que um dia a levou a assistir a um espectáculo. Conhecedor das coisas do palco, foi-lhe fácil descobrir o seu talento ao ouvi-la representar o que vira, reproduzindo frases, cantando e dançando.

Estreou-se aos 16 anos no teatro do Príncipe Real na comédia “Mocidade e Honra” onde revelou logo grande vocação para esta variante da arte. Uma das suas vabtagens era possuir uma extraordinária voz.

Trabalhou naquele teatro dirigida por César de Lima e sob a sua direcção são extraordionários os progressos que obtém. Passando este para o Teatro D. Maria II, leva consigo Virgínia para ocupar o lugar vago pela morte de Manuel Rey.

Depois desta experiência vai como sócia para o Teatro da Trindade onde ocupa o primeiro lugar de dama dramática. Mas não é aí que acaba a sua carreira profissional, pois voltou ao D. MariaII, onde termina a carreira.

Faz digressões ao Brasil onde é muito apreciada, chegando uma vez a ser chamada 27 vezes ao palco e recebida com estrondosa salva de palmas.

Muitas foram as peças representadas, contam-se entre outras:“Princesa de Bagdad”, “A Estrangeira”, “Os Sabichões”,”Peraltas e Sécias”, “Os Velhos”, Frei Luís de Sousa e “Leonor Teles”.

Foi esposa do actor Ferreira da Silva de quem estava divorciada quando faleceu.

Faleceu a 19 de Dezembro de 1922, em Lisboa, ficando sepultada no Jazigo dos Artistas Dramáticos, no Cemitério dos Prazeres.

Em meados de 1866 é criada pelo Montepio dos Artífices, o Teatro Torrejano, inaugurado em 29 de Abril de 1877 que em 1895 e em homenagem à torrejana actriz Virgínia, passa a ter o seu nome.

Mais tarde e com a introdução do cinema e por volta de 1913, passa a designar-se Cine-Teatro Virgínia.

Devido ao seu estado de conservação e à sua localização, o Montepio procedeu à construção de um novo edifício, que veio a ser inaugurado em 1956 e passou a constituir o novo “Virgínia”.
A Câmara Municipal adquiriu o imóvel em 2001.

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Lello Universal – Dicionário Enciclopédico Luso – Brasileiro, Vol. II, Porto, 1975.






domingo, 5 de janeiro de 2014

Reinaldo dos Santos



Reinaldo dos Santos nasceu a 3 de Dezembro de 1880 na Rua das Varinas, em Vila Franca de Xira, filho de Clemente José dos Santos e de D. Maria Amélia Pinheiro dos Santos e neto paterno de Clemente José dos Santos, Barão de S. Clemente, faleceu aos 89 anos, mais precisamente a 6 de Maio de 1970, em Lisboa.

Seu pai era um conceituado médico em Vila Franca de Xira e Reinaldo era o mais novo dos seus cinco filhos.

Termina os estudos primário e secundário na sua terra natal e matricula-se em Lisboa em Medicina no ano de 1898, curso que conclui e, 1903 com 13 valores. Destaca como Professores Carlos Tavares e José Gentil considerando os outros muito autoritários. Ainda apanha como Professor Ricardo Jorge, transferido do Porto, este teria sido para ele o modelo de Professor.

Vai, entretanto, para Barrancos ocupar o lugar de médico municipal, onde se encontrava um grande amigo da família, que confrontado com a desilusão do jovem médico resolve conceder-lhe uma verba para estagiar em França e a partir daí nunca mais parou.

Vai para Paris fazer o estágio em clínicas conceituadas e no mesmo âmbito visita Clínicas em Bóston, Chicago, Filadélfia e Nova Iorque, entre outras.

Em 1906 defende Tese de Doutoramento com Aspectos cirúrgicos das pancreatites crónicas.

Ao nascer-lhe o 1º filho em 1907, não esqueceu de homenagear o seu mecenas, João Afonso de Carvalho, dando-lhe o nome de João Afonso Cid dos Santos.

Regressado a Lisboa dedica-se à sua maior paixão, a cirurgia, sendo cirurgião dos Hospitais Civis de Lisboa.

Concorrendo a Professor Extraordinário da Faculdade de Medicina de Lisboa em 1908, é aprovado no concurso em mérito absoluto.

Em 1910 dá um Curso Livre de Urologia no Hospital do Desterro apresentando o seu novo aparelho e método de uroritmografia.

Estagia nas principais clínicas europeias e é nomeado Membro da Associação Francesa de Urologia, o que acontece também com a Associação Alemã.

É vastíssima a sua actividade no país e no estrangeiro, limitamo-nos apenas a referir algumas mais ligadas ao nosso país.

Vice-Presidente da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa e mais tarde seu presidente. Esteve em França, na 1ª Guerra Mundial, como cirurgião nos Hospitais Ingleses do Norte de França. Consultor de cirurgia do Corpo Expedicionário Português (C.E.P.) como Capitão (português) e Major (inglês).

Em 1916, devido a uma carta que escreve ao Professor Doutor Oliveira Feijão, o Conselho da Faculdade delibera desligá-lo do serviço, sem vencimento e instaurar-lhe imediatamente um processo disciplinar.

Regressado a Portugal, escreve a alguém dizendo que continua suspenso, apesar das repetidas reclamações que não têm seguimento, com a desculpa de que a Faculdade está em férias. Ironiza dizendo que na Faculdade de Medicina a Justiça está de férias!


Reinaldo dos Santos era cada vez mais crítico do sistema de ensino em Portugal.

Foi agraciado com a Medalha de Ouro de Bons Serviços na Grande Guerra.

Membro da Société Internationale de Chirurgie.

Em 1928 realiza a sua primeira arteriografia e pouco depois uma aortografia translombar.

Devido às suas descobertas de alto valor científico não surpreende que lhe seja atribuída a medalha de Ouro da Sociedade Internacional de Urologia.

Na última aula que proferiu na Faculdade de Medicina criticou a censura, a perseguição de intelectuais, a deficiência da educação e a escassez de meios com que se debate o Instituto de Alta Cultura.

Estas são brevíssimas palavras sobre o Professor Doutor Reinaldo dos Santos apenas no campo da Medicina, mas não foi só esta ciência a ocupá-lo.

É interessante verificar que o Dr. Reinaldo dos Santos destaca-se noutros campos, principalmente no das Artes.

Numas férias, após o curso e na Figueira da Foz, acompanha Henrique de Vilhena e participa em campanhas arqueológicas conduzidas por Santos Rocha, um advogado que deu muito a esta área da investigação.


1924– Académico correspondente da Real Academia de Belas-Artes de S. Fernando (Madrid), Membro da Academia de Belas-Artes de Sevilha.

Foi um dos dez vogais Efectivos e Fundadores da Academia Nacional de Belas-Artes de Lisboa.

Sócio Honorário do Grupo dos Amigos do Museu Nacional de Arte Antiga, , Membro Honorário da Academie Royal d’Archéologie de Belgique. Membro Titular e Fundador da Academia Portuguesa de História, 1938 – Um dos quatro Académicos Honorários da Real Academia de Belas-Artes de S. Fernando (Madrid), 1939 – Sócio Honorário da Sociedade Nacional de Belas-Artes, 1940 – Plano, orientação e prefácio do Inventário Artístico de Portugal.

O grande apego à Medicina não lhe retirou a vontade de apreciar e estudar formas de arte como a pintura, escultura, Arquitectura, Mobiliário, Azulejaria, Faianças, Ourivesaria, Vidragem, Iluminura e Tapeçaria e sobre todas elas acabou por publicar trabalhos após aturados estudos.

Descobriu em Pastrana (Espanha) tapeçarias que reproduzem a conquista de Arzila, no Norte de África, por D. Afonso V, atribuídas a Nuno Gonçalves, pintor que mereceu o seu estudo. Sobre este assunto, publicou em 1925 de colaboração com Jorge Cid uma monografia.

Em Toscana (Itália) vira a sua atenção para outro pintor português, Álvaro Pires de Évora. Um dos mais importantes quadros deste pintor voltou a Portugal em 2002 adquirido por uma Instituição Bancária.

Na área da Arquitectura publicou trabalhos sobre as Sés de Lisboa, Évora e Coimbra e também sobre Igrejas e Ermidas regionais.

Não lhe passou despercebida a origem histórica do Mosteiro de Alcobaça e da Batalha, tal como as Igrejas de Santa Clara e de S. Francisco, em Santarém e a de Santa Iria do Olival em Tomar.

O seu interesse pela Arquitectura Portuguesa incidiu sobretudo sobre o Estilo Manuelino, identificando em 1922 Francisco Arruda como sendo o Autor da Torre de Belém, símbolo da Arte Manuelina.

Deu a público dezenas de trabalhos sobre várias áreas que abordou com sentido técnico.

Conviveu com as principais personalidades da sua época, entre os quais Almada Negreiros, Aquilino Ribeiro, Afonso Lopes Vieira, Raul Brandão, Eugénio de Castro e Jaime Cortesão.

Reinaldo dos Santos que a toponímia portuguesa recorda em Instituições e ruas, é sem qualquer dúvida uma grande figura nacional, com uma versatilidade surpreendente e difícil de encontrar.
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Dicionário de História do Estado Novo, Dir. de Fernando Rosas e J.M. Brandão de Brito, Volume II, Bertrand Editora, Venda Nova, 1996.

Lello Universal, Dicionário Enciclopédico Luso – Brasileiro, II Vol. Porto, 1975.

História de Portugal. Joaquim Veríssimo Serrão, Volumes XIV a XVII, Editorial Verbo.

“Alguns Valores da Província do Ribatejo, Octávio de Campos ”Vida Ribatejana, nº Comemorativo dos Centenários da Fundação e Restauração de Portugal, Dir.Ed. e Prop. de Fausto Nunes Dias, Vila Franca de Xira, 1940.




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sábado, 4 de janeiro de 2014

Manuel de Figueiredo


 Nasceu em Torres Novas em 1568 e teria falecido por volta de 1622, foi discípulo do matemático Pedro Nunes e cosmógrafo do Reino.

Dominou, por isso, a Arte de Navegar e em 1608 é nomeado cosmógrafo do Reino, o 4º a exercer tal cargo e fá-lo a nível interino substituindo João Baptista Lavanha.

A Matemática, a Astronomia ou a Física foram particularmente estudadas por ele que deixou uma grande obra neste campo, hoje na grande maioria raríssimas de encontrar.

Escreveu:
“Chronographya, Reportório dos Tempos”, dividido em 10 partes nas quais se contam “Esfera”, “Cosmografia e Arte de Navegação”,”Astrologia Rústica e dos Tempos”, Prognósticação dos eclipses e sementeiras”, “O Calendário romano com os eclipses até (1)630” e “O uso da fábrica da Balhestilha e quadrante geométrico, com um tratado dos relógios”.

Este trabalho constitui um tipo de almanaque com títulos à semelhança de outros autores, mas valorizado por vários comentários e diferenças de apreciação técnica.

Foi impresso em Lisboa em 1603, constituindo uma raridade.

“Hydrographia, Exame de Pilotos” é um trabalho que contém regras que todo o piloto deve conhecer e respeitar para uma melhor navegação. Apresenta Roteiros de Portugal para o Brasil, Rio da Prata, Guiné, S. Tomé, Angola e Índias Portuguesas incluindo igualmente as Américas de Castela. Estes roteiros náuticos escritos com base em antigos textos foram de grande utilidade para a época. Apresenta, igualmente, uma “Tábua de Apartamento do Sol ao Nascer de Leste e Oeste e ao Pôr em Qualquer Altura”, o que constitui ainda a base de hoje.

Foi impressa pela 1ª vez em 1609 e teve mais três edições, 1614, 1625 e 1632.

É obra rara e muito estimada.

Roteiro e Navegação das Índias Ocidentais. Ilhas Antilhas e mar Oceano Ocidental, com suas derrotas, sondas, fundos e conhecenças, etc. – Imprensa em Lisboa, no ano de 1609.

De carácter um pouco diferente, publicou: “Prognóstico do Cometa que apareceu em 15 de Setembro de 1604”.

Impresso em Lisboa no ano de 1605.

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História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004.

Portugal Antigo e Moderno – Dicionário, A.S.B. Pinho Leal, Vol IX1880, p.630.

História de Portugal – Edição Monumental da Portucalense Editora – Porto – (Volumes IV e VI – MCMXXXIV-Portugalense Editora, Lda, Barcelos.



quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

José Duarte Coelho


José Duarte Coelho nasceu na Rua do Mel, na Ribeira de Santarém, freguesia de Santa Iria do concelho de Santarém no dia 27 de Dezembro de 1890. Era filho de um proprietário agrícola e daí ter ingressado na Escola de Regentes Agrícolas, curso que não concluiu.

Como a Ribeira de Santarém esteve sempre ligada, aos Caminhos de Ferro, desde a existência destes, talvez por isso, tivesse ingressado nos quadro da Companhia (1909) e já casado é colocado em 1911, no Entroncamento, passando a viver na Rua 5 de Outubro.
Desempenha, então, a função de Chefe de Escritório da 3ª Secção de Via e Obras.

A zona onde se deu o entroncamento ferroviário era desabitada, como na altura convinha, mas aquela posição chave ferroviária obrigou à colocação de pessoal da Companhia para as mais variadas tarefas, pelo que houve necessidade de alojar os funcionários e as suas famílias, desenvolvendo-se, por isso, a construção.

Acontece que a zona estava dividida por dois concelhos, Torres Novas, através da freguesia de Santiago e Vila Nova da Barquinha por intermédia da freguesia de Santa Maria da Atalaia.

Tinha, entretanto, surgido o 28 de Maio de 1926, movimento político militar que tinha instalado a ditadura em Portugal e Duarte Coelho logo a ele se liga, sendo possivelmente uma das razões, já que de outra maneira não seria possível a emancipação da aldeia que se tinha criada e continuava em pleno desenvolvimento. Esta adesão podia também estar relacionada com alguns conhecimentos que tinha de infância de algumas figuras que iam pontificando no “Movimento”.

Três meses depois, usando os seus bons ofícios, consegue a publicação do Decreto nº 12192, de 25 de Agosto, que criava a freguesia do Entroncamento que ficava, como convinha, a pertencer ao concelho de Vila Nova da Barquinha, libertando-se assim da “poderosa” Torres Novas.

Exerceu as funções de Presidente da Junta de Freguesia mais de duas décadas e era notório que o objectivo seguinte, muito mais difícil de realizar, era a mudança da sede de concelho para a já Vila (1932) do Entroncamento ou em alternativa a constituição de um novo concelho, o que vem a acontecer em 24 de Novembro de 1945.

José Duarte Coelho não aceita ser o primeiro presidente da Câmara. Indicando para o cargo Jacinto Marques Agostinho e só quando este se afastou devido a doença, vem a ocupar o lugar em 1947 mantendo-o até 1959.

Foi Inspector-chefe das Oficinas de Creosotagem dos Caminhos de Ferro Portugueses.

Esteve na fundação da Casa dos Pobres (1943), da Comissão Municipal de Assistência (1945) dos Bombeiros Voluntários (1952), do Grupo de Escuteiros (1957) e da Santa Casa da Misericórdia (1959).

Presidiu à Comissão Concelhia da União Nacional e da A.N.P. desde a criação destes organismos políticos.

Administrativamente, além das presidências da Junta de Freguesia e da Câmara do Entroncamento, foi vogal da Junta Distrital de Santarém desde 1960.

Foi agraciado como Oficial da Ordem de Cristo e com a medalha de ouro do concelho do Entroncamento, de que é cidadão honorário.

Faleceu no Hospital do Entroncamento em 15 de Janeiro de 1976.
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Santarém no Tempo, Virgílio Arruda, 1971

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre

“O Entroncamento importante Vila Ribatejana sede de um progressivo concelho”, Vida Ribatejana, Nº Especial de 1964,Dir. Ed. e Prop. de Faustino Nunes Dias, Vila Franca de Xira, p 179.

“O Entroncamento progride vertiginosamente” Vida Ribatejana, Nº Especial de 1965,Dir. Ed. e Prop. de Faustino Nunes Dias, Vila Franca de Xira, p 184.