domingo, 12 de janeiro de 2014

Barreto Poeira




Grande actor dos tempos da minha juventude.

Ribatejano como eu, nasceu em Vila Franca de Xira a 24 de Abril de 1901.

Aos oito anos faz a sua estreia no teatro de amadores. Durante vinte anos ocupa-se em impulsionar o teatro na sua terra natal, no Grupo Cénico Vila-Franquense, onde participa como actor e encenador.

Apesar disso, não deixa de colaborar com outros grupos como o Grupo Dramático e Beneficente Afonso de Araújo, aparecendo ao lado de Rodolfo dos Santos e de José Maria Guedes Júnior, como co-autor e encenador da revista “Sem Pés nem Cabeça” que foi levada à cena em 1927.

Ao comemorar os seus 31 anos, sobe ao palco para representar a peça de autoria de Faustino Reis Sousa, “ A SESTA” e fá-lo ao lado de Alves Redol, que representava o papel de Manuel, o maioral e de Alda Câncio Tarracha, que era a ceifeira Maria Rosa.

O papel de abegão era representado por Domingos Barreto Poeira.

Esta peça reproduzia os costumes do homem da borda d ‘água e volta a ser representada na 1ª Festa do Colete Encarnado e com o mesmo elenco

Despede-se do Grupo Cénico do Clube Vila-franquense  em fins de 1932 com a peça de Linares Rivas, “Cobardias”.

Fez parte do Clube Estefânia de Lisboa e ainda como amador continua a representar.

Em 1938 entra no cinema, no filme “A Canção da Terra” de Jorge Brum do Canto, onde as críticas lhe são muito favoráveis, passando do anonimato a primeira figura do cinema português, segundo o crítico Artur Portela.

Inicia-se assim a longa série de filmes em que entrou. “Porto de Abrigo” (1940) de Adolfo Coelho, “Fátima, Terra de Fé”, realizado por Jorge Brum do Canto “Amor de Perdição”, trabalho de António Lopes Ribeiro, ambos de 1943, no ano de 1944 e novamente pelas mãos de Brum do Canto entra no “Um Homem às Direitas”onde obtém grande êxito e seguidamente faz parte do elenco numa co-produção Luso-Espanhola “O Diabo são Elas”do realizador Ladislao Vajda. Em 1946 é a vez de “Cais do Sodré” de Alejandro Perla e “Um Homem do Ribatejo” de Henrique Campos, se a memória não me falha, estreado em Santarém, de onde era natural o realizador. Eu tinha apenas oito anos e recordo-me, perfeitamente, do reboliço que houve na cidade.

Em 1947 volta ao teatro, mas agora como profissional, fazendo o protagonista na peça “Ana Cristina” do dramaturgo americano Eugene O ‘ Neil e que teve lugar no palco do Teatro Avenida em Lisboa. Nesse ano entra no filme “Rainha Santa” de Rafael Gil e Aníbal Contreiras e em “Viela Rua Sem Sol” de Ladislao Vajda.

Começa então a alternar o cinema com o teatro e mais tarde, quando aparece, com a televisão.

“Heróis do Mar” de Fernando Garcia e “Vendaval Maravilhoso”, (com Amália Rodrigues) de Leitão de Barros são os filmes onde actua em 1949. Desempenha o papel de Romeiro no filme “Frei Luís de Sousa” realizado por António Lopes Ribeiro (1950).

O último filme em que actua é realizado em 1965 por Manuel Guimarães e tem por título “O Trigo e o Joio”.
A nível televisivo e nas Noites de Teatro da RTP, quando tudo ainda era em directo, entre muitas peças, Barreto Poeira fez parte do elenco de “A Sapateira prodigiosa” de Frederico Garcia Lorca, contracenando com Amália Rodrigues, Costinha, Paulo Renato, Varela Silva e Fernanda Borsatti com realização de Fernando Frazão (1968).

Domingos António Barreto Poeira faleceu em Lisboa a 30 de Outubro de 1980, esta grande figura que ombreou com os melhores na arte de representar.

O seu nome faz parte da toponímia de várias povoações, nomeadamente, na sua terra natal.

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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Carlos Barral Filipe


Carlos Barral Filipe nasceu em Vila Nova da Barquinha a 28 de Setembro de 1859.

Matriculando-se na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, completa o curso em 1885 defendendo tese com “Cólica hepática calculosa”.

Exerce interinamente como cirurgião no Banco do Hospital de S. José, em Lisboa, iniciando essas funções em 15 de Setembro de 1887, passando a efectivo a 27 de Fevereiro de 1890. Seguidamente executa as funções de subdelegado de saúde da 17ª Circunscrição, composta pelas freguesias de S. Tiago, Castelo e Santo André e exerce clínica em Lisboa.

Foi o iniciador da construção do hospital na sua terra natal.

Parece que o Dr. Barral Filipe também era industrial já que efectua o pedido de concessão de Alvará de fornecedor de cerveja da Casa Real, pois era proprietário da Germânia – Fábrica de Cerveja. Essa concessão é obtida por alvará de 22 de Agosto de 1905.

Fez parte da Comissão Organizadora do Grupo Onomástico “Os Carlos”.

A toponímia de Vila Nova da Barquinha regista o nome do Dr. Barral Filipe dado a uma rua da vila onde nasceu.

Já era falecido em 1940.

O Castelo de Almourol, o mais representativo monumento do concelho de Vila Nova da Rainha.
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Portugal – Dicionário Histórico.

Boletim da Junta de Província do Ribatejo, 1937-40, Director Editor, Abel da Silva, Lisboa 1940.

Gazeta dos Caminhos de Ferro, Dezembro de 1937, p.563
Gazeta dos Caminhos de Ferro, 1 de Dezembro de 1937, p. 563.


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Virgínia Dias da Silva



Conhecida, devido à profissão que abraçou e dignificou, simplesmente por Actriz Virgínia.

Nasceu em 19 de Março de 1850 na Rua da Levada em Torres Novas. Era filha mais nova de um casal humilde de viúvos e talvez, por isso, foi criada por uma tia.

Foi o seu padrinho, frequentador dos teatros da capital, que um dia a levou a assistir a um espectáculo. Conhecedor das coisas do palco, foi-lhe fácil descobrir o seu talento ao ouvi-la representar o que vira, reproduzindo frases, cantando e dançando.

Estreou-se aos 16 anos no teatro do Príncipe Real na comédia “Mocidade e Honra” onde revelou logo grande vocação para esta variante da arte. Uma das suas vabtagens era possuir uma extraordinária voz.

Trabalhou naquele teatro dirigida por César de Lima e sob a sua direcção são extraordionários os progressos que obtém. Passando este para o Teatro D. Maria II, leva consigo Virgínia para ocupar o lugar vago pela morte de Manuel Rey.

Depois desta experiência vai como sócia para o Teatro da Trindade onde ocupa o primeiro lugar de dama dramática. Mas não é aí que acaba a sua carreira profissional, pois voltou ao D. MariaII, onde termina a carreira.

Faz digressões ao Brasil onde é muito apreciada, chegando uma vez a ser chamada 27 vezes ao palco e recebida com estrondosa salva de palmas.

Muitas foram as peças representadas, contam-se entre outras:“Princesa de Bagdad”, “A Estrangeira”, “Os Sabichões”,”Peraltas e Sécias”, “Os Velhos”, Frei Luís de Sousa e “Leonor Teles”.

Foi esposa do actor Ferreira da Silva de quem estava divorciada quando faleceu.

Faleceu a 19 de Dezembro de 1922, em Lisboa, ficando sepultada no Jazigo dos Artistas Dramáticos, no Cemitério dos Prazeres.

Em meados de 1866 é criada pelo Montepio dos Artífices, o Teatro Torrejano, inaugurado em 29 de Abril de 1877 que em 1895 e em homenagem à torrejana actriz Virgínia, passa a ter o seu nome.

Mais tarde e com a introdução do cinema e por volta de 1913, passa a designar-se Cine-Teatro Virgínia.

Devido ao seu estado de conservação e à sua localização, o Montepio procedeu à construção de um novo edifício, que veio a ser inaugurado em 1956 e passou a constituir o novo “Virgínia”.
A Câmara Municipal adquiriu o imóvel em 2001.

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Lello Universal – Dicionário Enciclopédico Luso – Brasileiro, Vol. II, Porto, 1975.






domingo, 5 de janeiro de 2014

Reinaldo dos Santos



Reinaldo dos Santos nasceu a 3 de Dezembro de 1880 na Rua das Varinas, em Vila Franca de Xira, filho de Clemente José dos Santos e de D. Maria Amélia Pinheiro dos Santos e neto paterno de Clemente José dos Santos, Barão de S. Clemente, faleceu aos 89 anos, mais precisamente a 6 de Maio de 1970, em Lisboa.

Seu pai era um conceituado médico em Vila Franca de Xira e Reinaldo era o mais novo dos seus cinco filhos.

Termina os estudos primário e secundário na sua terra natal e matricula-se em Lisboa em Medicina no ano de 1898, curso que conclui e, 1903 com 13 valores. Destaca como Professores Carlos Tavares e José Gentil considerando os outros muito autoritários. Ainda apanha como Professor Ricardo Jorge, transferido do Porto, este teria sido para ele o modelo de Professor.

Vai, entretanto, para Barrancos ocupar o lugar de médico municipal, onde se encontrava um grande amigo da família, que confrontado com a desilusão do jovem médico resolve conceder-lhe uma verba para estagiar em França e a partir daí nunca mais parou.

Vai para Paris fazer o estágio em clínicas conceituadas e no mesmo âmbito visita Clínicas em Bóston, Chicago, Filadélfia e Nova Iorque, entre outras.

Em 1906 defende Tese de Doutoramento com Aspectos cirúrgicos das pancreatites crónicas.

Ao nascer-lhe o 1º filho em 1907, não esqueceu de homenagear o seu mecenas, João Afonso de Carvalho, dando-lhe o nome de João Afonso Cid dos Santos.

Regressado a Lisboa dedica-se à sua maior paixão, a cirurgia, sendo cirurgião dos Hospitais Civis de Lisboa.

Concorrendo a Professor Extraordinário da Faculdade de Medicina de Lisboa em 1908, é aprovado no concurso em mérito absoluto.

Em 1910 dá um Curso Livre de Urologia no Hospital do Desterro apresentando o seu novo aparelho e método de uroritmografia.

Estagia nas principais clínicas europeias e é nomeado Membro da Associação Francesa de Urologia, o que acontece também com a Associação Alemã.

É vastíssima a sua actividade no país e no estrangeiro, limitamo-nos apenas a referir algumas mais ligadas ao nosso país.

Vice-Presidente da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa e mais tarde seu presidente. Esteve em França, na 1ª Guerra Mundial, como cirurgião nos Hospitais Ingleses do Norte de França. Consultor de cirurgia do Corpo Expedicionário Português (C.E.P.) como Capitão (português) e Major (inglês).

Em 1916, devido a uma carta que escreve ao Professor Doutor Oliveira Feijão, o Conselho da Faculdade delibera desligá-lo do serviço, sem vencimento e instaurar-lhe imediatamente um processo disciplinar.

Regressado a Portugal, escreve a alguém dizendo que continua suspenso, apesar das repetidas reclamações que não têm seguimento, com a desculpa de que a Faculdade está em férias. Ironiza dizendo que na Faculdade de Medicina a Justiça está de férias!


Reinaldo dos Santos era cada vez mais crítico do sistema de ensino em Portugal.

Foi agraciado com a Medalha de Ouro de Bons Serviços na Grande Guerra.

Membro da Société Internationale de Chirurgie.

Em 1928 realiza a sua primeira arteriografia e pouco depois uma aortografia translombar.

Devido às suas descobertas de alto valor científico não surpreende que lhe seja atribuída a medalha de Ouro da Sociedade Internacional de Urologia.

Na última aula que proferiu na Faculdade de Medicina criticou a censura, a perseguição de intelectuais, a deficiência da educação e a escassez de meios com que se debate o Instituto de Alta Cultura.

Estas são brevíssimas palavras sobre o Professor Doutor Reinaldo dos Santos apenas no campo da Medicina, mas não foi só esta ciência a ocupá-lo.

É interessante verificar que o Dr. Reinaldo dos Santos destaca-se noutros campos, principalmente no das Artes.

Numas férias, após o curso e na Figueira da Foz, acompanha Henrique de Vilhena e participa em campanhas arqueológicas conduzidas por Santos Rocha, um advogado que deu muito a esta área da investigação.


1924– Académico correspondente da Real Academia de Belas-Artes de S. Fernando (Madrid), Membro da Academia de Belas-Artes de Sevilha.

Foi um dos dez vogais Efectivos e Fundadores da Academia Nacional de Belas-Artes de Lisboa.

Sócio Honorário do Grupo dos Amigos do Museu Nacional de Arte Antiga, , Membro Honorário da Academie Royal d’Archéologie de Belgique. Membro Titular e Fundador da Academia Portuguesa de História, 1938 – Um dos quatro Académicos Honorários da Real Academia de Belas-Artes de S. Fernando (Madrid), 1939 – Sócio Honorário da Sociedade Nacional de Belas-Artes, 1940 – Plano, orientação e prefácio do Inventário Artístico de Portugal.

O grande apego à Medicina não lhe retirou a vontade de apreciar e estudar formas de arte como a pintura, escultura, Arquitectura, Mobiliário, Azulejaria, Faianças, Ourivesaria, Vidragem, Iluminura e Tapeçaria e sobre todas elas acabou por publicar trabalhos após aturados estudos.

Descobriu em Pastrana (Espanha) tapeçarias que reproduzem a conquista de Arzila, no Norte de África, por D. Afonso V, atribuídas a Nuno Gonçalves, pintor que mereceu o seu estudo. Sobre este assunto, publicou em 1925 de colaboração com Jorge Cid uma monografia.

Em Toscana (Itália) vira a sua atenção para outro pintor português, Álvaro Pires de Évora. Um dos mais importantes quadros deste pintor voltou a Portugal em 2002 adquirido por uma Instituição Bancária.

Na área da Arquitectura publicou trabalhos sobre as Sés de Lisboa, Évora e Coimbra e também sobre Igrejas e Ermidas regionais.

Não lhe passou despercebida a origem histórica do Mosteiro de Alcobaça e da Batalha, tal como as Igrejas de Santa Clara e de S. Francisco, em Santarém e a de Santa Iria do Olival em Tomar.

O seu interesse pela Arquitectura Portuguesa incidiu sobretudo sobre o Estilo Manuelino, identificando em 1922 Francisco Arruda como sendo o Autor da Torre de Belém, símbolo da Arte Manuelina.

Deu a público dezenas de trabalhos sobre várias áreas que abordou com sentido técnico.

Conviveu com as principais personalidades da sua época, entre os quais Almada Negreiros, Aquilino Ribeiro, Afonso Lopes Vieira, Raul Brandão, Eugénio de Castro e Jaime Cortesão.

Reinaldo dos Santos que a toponímia portuguesa recorda em Instituições e ruas, é sem qualquer dúvida uma grande figura nacional, com uma versatilidade surpreendente e difícil de encontrar.
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Dicionário de História do Estado Novo, Dir. de Fernando Rosas e J.M. Brandão de Brito, Volume II, Bertrand Editora, Venda Nova, 1996.

Lello Universal, Dicionário Enciclopédico Luso – Brasileiro, II Vol. Porto, 1975.

História de Portugal. Joaquim Veríssimo Serrão, Volumes XIV a XVII, Editorial Verbo.

“Alguns Valores da Província do Ribatejo, Octávio de Campos ”Vida Ribatejana, nº Comemorativo dos Centenários da Fundação e Restauração de Portugal, Dir.Ed. e Prop. de Fausto Nunes Dias, Vila Franca de Xira, 1940.




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sábado, 4 de janeiro de 2014

Manuel de Figueiredo


 Nasceu em Torres Novas em 1568 e teria falecido por volta de 1622, foi discípulo do matemático Pedro Nunes e cosmógrafo do Reino.

Dominou, por isso, a Arte de Navegar e em 1608 é nomeado cosmógrafo do Reino, o 4º a exercer tal cargo e fá-lo a nível interino substituindo João Baptista Lavanha.

A Matemática, a Astronomia ou a Física foram particularmente estudadas por ele que deixou uma grande obra neste campo, hoje na grande maioria raríssimas de encontrar.

Escreveu:
“Chronographya, Reportório dos Tempos”, dividido em 10 partes nas quais se contam “Esfera”, “Cosmografia e Arte de Navegação”,”Astrologia Rústica e dos Tempos”, Prognósticação dos eclipses e sementeiras”, “O Calendário romano com os eclipses até (1)630” e “O uso da fábrica da Balhestilha e quadrante geométrico, com um tratado dos relógios”.

Este trabalho constitui um tipo de almanaque com títulos à semelhança de outros autores, mas valorizado por vários comentários e diferenças de apreciação técnica.

Foi impresso em Lisboa em 1603, constituindo uma raridade.

“Hydrographia, Exame de Pilotos” é um trabalho que contém regras que todo o piloto deve conhecer e respeitar para uma melhor navegação. Apresenta Roteiros de Portugal para o Brasil, Rio da Prata, Guiné, S. Tomé, Angola e Índias Portuguesas incluindo igualmente as Américas de Castela. Estes roteiros náuticos escritos com base em antigos textos foram de grande utilidade para a época. Apresenta, igualmente, uma “Tábua de Apartamento do Sol ao Nascer de Leste e Oeste e ao Pôr em Qualquer Altura”, o que constitui ainda a base de hoje.

Foi impressa pela 1ª vez em 1609 e teve mais três edições, 1614, 1625 e 1632.

É obra rara e muito estimada.

Roteiro e Navegação das Índias Ocidentais. Ilhas Antilhas e mar Oceano Ocidental, com suas derrotas, sondas, fundos e conhecenças, etc. – Imprensa em Lisboa, no ano de 1609.

De carácter um pouco diferente, publicou: “Prognóstico do Cometa que apareceu em 15 de Setembro de 1604”.

Impresso em Lisboa no ano de 1605.

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História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004.

Portugal Antigo e Moderno – Dicionário, A.S.B. Pinho Leal, Vol IX1880, p.630.

História de Portugal – Edição Monumental da Portucalense Editora – Porto – (Volumes IV e VI – MCMXXXIV-Portugalense Editora, Lda, Barcelos.



quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

José Duarte Coelho


José Duarte Coelho nasceu na Rua do Mel, na Ribeira de Santarém, freguesia de Santa Iria do concelho de Santarém no dia 27 de Dezembro de 1890. Era filho de um proprietário agrícola e daí ter ingressado na Escola de Regentes Agrícolas, curso que não concluiu.

Como a Ribeira de Santarém esteve sempre ligada, aos Caminhos de Ferro, desde a existência destes, talvez por isso, tivesse ingressado nos quadro da Companhia (1909) e já casado é colocado em 1911, no Entroncamento, passando a viver na Rua 5 de Outubro.
Desempenha, então, a função de Chefe de Escritório da 3ª Secção de Via e Obras.

A zona onde se deu o entroncamento ferroviário era desabitada, como na altura convinha, mas aquela posição chave ferroviária obrigou à colocação de pessoal da Companhia para as mais variadas tarefas, pelo que houve necessidade de alojar os funcionários e as suas famílias, desenvolvendo-se, por isso, a construção.

Acontece que a zona estava dividida por dois concelhos, Torres Novas, através da freguesia de Santiago e Vila Nova da Barquinha por intermédia da freguesia de Santa Maria da Atalaia.

Tinha, entretanto, surgido o 28 de Maio de 1926, movimento político militar que tinha instalado a ditadura em Portugal e Duarte Coelho logo a ele se liga, sendo possivelmente uma das razões, já que de outra maneira não seria possível a emancipação da aldeia que se tinha criada e continuava em pleno desenvolvimento. Esta adesão podia também estar relacionada com alguns conhecimentos que tinha de infância de algumas figuras que iam pontificando no “Movimento”.

Três meses depois, usando os seus bons ofícios, consegue a publicação do Decreto nº 12192, de 25 de Agosto, que criava a freguesia do Entroncamento que ficava, como convinha, a pertencer ao concelho de Vila Nova da Barquinha, libertando-se assim da “poderosa” Torres Novas.

Exerceu as funções de Presidente da Junta de Freguesia mais de duas décadas e era notório que o objectivo seguinte, muito mais difícil de realizar, era a mudança da sede de concelho para a já Vila (1932) do Entroncamento ou em alternativa a constituição de um novo concelho, o que vem a acontecer em 24 de Novembro de 1945.

José Duarte Coelho não aceita ser o primeiro presidente da Câmara. Indicando para o cargo Jacinto Marques Agostinho e só quando este se afastou devido a doença, vem a ocupar o lugar em 1947 mantendo-o até 1959.

Foi Inspector-chefe das Oficinas de Creosotagem dos Caminhos de Ferro Portugueses.

Esteve na fundação da Casa dos Pobres (1943), da Comissão Municipal de Assistência (1945) dos Bombeiros Voluntários (1952), do Grupo de Escuteiros (1957) e da Santa Casa da Misericórdia (1959).

Presidiu à Comissão Concelhia da União Nacional e da A.N.P. desde a criação destes organismos políticos.

Administrativamente, além das presidências da Junta de Freguesia e da Câmara do Entroncamento, foi vogal da Junta Distrital de Santarém desde 1960.

Foi agraciado como Oficial da Ordem de Cristo e com a medalha de ouro do concelho do Entroncamento, de que é cidadão honorário.

Faleceu no Hospital do Entroncamento em 15 de Janeiro de 1976.
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Santarém no Tempo, Virgílio Arruda, 1971

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre

“O Entroncamento importante Vila Ribatejana sede de um progressivo concelho”, Vida Ribatejana, Nº Especial de 1964,Dir. Ed. e Prop. de Faustino Nunes Dias, Vila Franca de Xira, p 179.

“O Entroncamento progride vertiginosamente” Vida Ribatejana, Nº Especial de 1965,Dir. Ed. e Prop. de Faustino Nunes Dias, Vila Franca de Xira, p 184.




terça-feira, 31 de dezembro de 2013

António de Saldanha e Sousa


De seu nome completo, António de Saldanha de Oliveira de Juzarte e Sousa, nasceu na Quinta da Azinhaga, propriedade da família, em 16 de Novembro de 1776, sendo filho de D. João Vicente de Saldanha Oliveira e Sousa Juzarte Figueira e de D. Maria Amália de Carvalho Daun, 1ºs Condes de Rio Maior.

Casou com D. Leonor Ernestina de Carvalho Daun e Lorena, a 16 de Novembro de 1806, filha dos 3ºs Marqueses de Pombal e 1ºs Condes da Redinha de que houve geração.

Sendo o filho primogénito, herdou o título (decreto de 7 de Junho de 1804) e a grande casa de seus pais e foi o 17º administrador do Morgado de Oliveira.

Frequentou o Colégio dos Nobres e obteve o grau de bacharel em Leis na Universidade de Coimbra.

Moço fidalgo, gentil-homem, fez parte da câmara de D. João VI. Grã-Cruz das Ordens de Santiago de Espada e de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e Comendador da Ordem de Cristo.

Assentou praça como cadete em 1800 no Regimento de Infantaria 4 e já capitão foi ajudante de campo do General Gomes Freire de Andrade durante a campanha militar de 1801.

No posto de Coronel, comanda o Regimento de Voluntários Reais de Milícias a Pé, de Lisboa Oriental, mas em 1807 com as Invasões Francesas acompanha a família real na qualidade de gentil-homem, na sua retirada para o Brasil, regressando com ela em 1821.

Após a Vilafrancada, movimento militar que tinha por cabeça o Infante D. Miguel, é incumbido de ir ao Brasil, juntamente com Francisco José Vieira, levar uma carta de D. Afonso VI para seu filho D. Pedro, já declarado Imperador daquele país e a sua nora, a princesa (imperatriz) D. Maria Leopoldina. A corveta que os levava não pode fundear no porto de Rio de Janeiro com a bandeira portuguesa desfraldada e foi obrigada a fundear debaixo de ponto de tiro das baterias. O Conde a muito custo consegue o envio das cartas aos seus destinatários, mas são devolvidas sem sequer serem abertas, tudo isto porque Portugal ainda não tinha reconhecido a independência daquela antiga colónia.

O Conde de Rio Maior procurou por todos os seus meios ser recebido por D. Pedro que sempre o recusou, ficando a corveta apresada seguindo os dois emissários para a Europa noutro navio.

Ao regressar a Portugal depois desta difícil e falhada missão é-lhe cometida outra, igualmente difícil, ou seja, acompanhar o Infante D. Miguel a Viena de Áustria desterrado para ali depois da Abrilada.

Com um Infante daquele temperamento, as coisas que certamente não teriam decorrido como desejava e com isso acaba por agravar os seus sofrimentos, falecendo naquela cidade a 3 de Março de 1825.

Sucedeu-lhe o título e na casa como 3º Conde de Rio Maior, D. João de Saldanha Oliveira Juzarte Figueira e Sousa.
 
Antigo Palácio dos Saldanhas em Santarém. Foto JV, 2010
Segundo o Portugal Sacro – Profano, II Parte, Paulo Dias de Niza, Lisboa, 1768, a Várzea, freguesia do Patriarcado te, por orago Nª Sª da Conceição. O Pároco é cura da apresentação do Prior de S. Martinho de Santarém, rende um moio de trigo, uma pipa de mosto, dois cântaros de azeite e 3600 réis em dinheiro que paga o Comendador, o Morgado de Oliveira.

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Enciclopédia Histórica de Portugal, (Dir. de Duarte de Almeida), Vol. 11, João Romano Torres & Cª, 1938.

Dicionário Corográfico de Portugal Continental e Insular, Américo Costa, Vol X, Livraria Civilização, Porto, 1948, p 342.

Portugal Antigo e Moderno – Dicionário... , Augusto Soares Barbosa d `Azevedo Pinho Leal, Vol VIII, Lisboa, 1878, p 202, 203.

http://www.aatt.org/site/índex.php?op=Núcleo&id=1674

htt://rio-maior-cidadania.blogspot,pt/2010/05/os-condes-e-marqueses-de-rio-maior.html


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Clemente José dos Santos


Clemente José dos Santos nasceu em Vila Franca de Xira a 5 de Janeiro de 1818, era filho de João dos Santos e de sua mulher Maria Rita, faleceu em Lisboa a 2 de Outubro de 1892.

É educado na Casa Pia de Lisboa onde revelou a sua grande capacidade intelectual. Neste sentido vai frequentar aulas de taquigrafia que funcionavam junto do Parlamento, onde acaba por ser nomeado professor e Chefe de Serviços dessa especialização.

Mais tarde, é na Câmara dos Pares Director-Geral e Lente da mesma matéria.

Casou em 13 de Julho de 1846 com Rosa Loureiro dos Santos.

Sendo um profundo estudioso aproveitou os 40 anos junto das instâncias nacionais para coligir elementos que lhe serviram para compor os Documentos para a História das Cortes Gerais da Nação Portuguesa, que deu a público em 8 volumes. Oliveira Marques considera esta obra como excelente e valiosa publicação. Preparou também Memórias e Biografias Parlamentares que infelizmente não concluiu. Contudo completou e deu a público obras de grande importância para o nosso Parlamento como Cérémonial de la Cour de Portugal., Récéption des Ministres Étrangers, Audiences et Présentations, Lisbonne, 1891; Fórmula Adoptada para Recepção, Juramento e Posse dos Príncipes e Infantes na Câmara dos Dignos Pares do Reino e Relação dos Factos Ocorridos em 1836, 1876 e 1891, Lisboa, 1891

Possuindo grande inteligência e sendo um profundo trabalhador constituiu-se um auxiliar precioso dos vários Presidentes da Câmara dos deputados.

Por Decreto de D. Luís de 16 de Junho de 1887 e Carta de 16 de Setembro do mesmo ano, foi criado 1º Barão de S. Clemente do Conselho de Sua Majestade, Fidalgo da Casa Real, Director Geral na Câmara dos Deputados, escritor, Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, Sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa, Membro da Comissão Administrativa do Asilo de Santa Catarina , Sócio da Real Associação dos Arquitectos Civis e Arqueólogos Portugueses, Taquígrafo das Cortes, Bibliotecário-Mor das Cortes e Comendador da Ordem de Santiago.

No Parlamento recebeu por diversas vezes honrosos elogios de oradores de todos os partidos que muito o estimavam, prestando ajuda a todos os que dele precisavam.
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Dicionário Corográfico de Portugal Continental e Insular, de Américo Costa, Vol. X, Porto, 1948, p.857
Portugal – Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Vol VI, pág. 673. Edição em papel, 1904 – 1915, João Romano Torres.Edição electrónica, 2000 – 2010, Manuel Amaral.
História Genealógica da Casa Real Portuguesa, Vol. XV, 2007, p 493
Antologia da Historiografia Portuguesa, org. de Oliveira Marques, II Vol. Publicações Europa-América, 1975, p 100.
Boletim da Junta de província do Ribatejo, 1937 – 40 (Dir. Abel da Silva) Bertrand (Irmãos), 1940, p 676.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


domingo, 29 de dezembro de 2013

Frederico Bonacho dos Anjos



Nasceu em 1877 e faleceu a 18 de Março de 1947, por isso, com 70 anos de idade.

Foi grande lavrador e criador de gado, possuindo vastos domínios, cuja sede da casa agrícola se situava na Quinta dos Álamos no concelho da Golegã, onde nasceu.

Foi cavaleiro tauromáquico amador, mas o seu hobby era a fotografia, pois foi amigo de Carlos Relvas e acabou por ser seu discípulo.

Neste sentido foi sócio do Grémio de Fotografia de Lisboa, e da Sociedade Francesa de Fotografia.

Dedicou-se com afinco ao estudo e desenvolvimento da técnica da fotografia tanto no aspecto da captação da imagem como da sua revelação.

Participou em várias exposições, nomeadamente nas realizadas no Salão de Paris na década de trinta, em Chicago (1932), Madrid (1933), Lucerna (1934) e na Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa (1931) onde alcança o 1º Prémio.

Os temas que mais abordava tinham a ver com a vida do campo com muitas e variadas tarefas e os mendigos que passavam pela quinta pedindo esmola.

Segundo quem o conheceu, era dotado de grande bondade e na sua cozinha havia todos os dias sopa e pão para os pobres que chegassem.

A sua bolsa abria-se para ajudar as instituições de assistência social.

Contribuiu para melhoramentos que se realizaram no Hospital de S. José em Lisboa e igual fez ao da Misericórdia da sua terra natal, a Golegã.

Foi provedor da santa Casa da Misericórdia da Golegã na qual empregou
gratuitamente uma parte significativa das rendas e produtos das suas propriedades.

Foi um apoiante convicto da Campanha do Trigo lançada nos anos trinta do século passado pelo governo de então com o sobreposto de tentar reduzir a dependência externa.

Foi sempre um monárquico convicto.

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“Frederico Bonacho dos Anjos”  Motta Cabral, Vida Ribatejana, Edição Especial Comemorativo do 8º Centenário da Conquista do Ribatejo e da Estremadura aos mouros, Vila Franca de Xira, Julho de 1947



sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Gonçalves Isabelinha




Joaquim Duarte Gonçalves Isabelinha nasceu em Almeirim a 5 de Dezembro de 1908.

Seus pais foram pequenos comerciantes e Gonçalves Isabelinha fez o Liceu na cidade de Santarém na segunda década do século passado.

Matricula-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra onde conclui o curso em 1936, tirando a especialidade de oftalmologia em 1940, em Lisboa.

Quando se encontrava no 2º ano do curso e com um intervalo de poucos dias falecem-lhe primeiro a mãe e depois o pai.

Formou com Rui Puga, durante vários anos, a dupla da especialidade em toda a região de Santarém.

Foi aluno de grandes Mestres como Maximino Correia, Elísio de Moura, Bissaia Barreto e Morais Zamith, entre outros.

Jogou futebol na Associação Académica de Coimbra, pois já tinha iniciado essa actividade desportiva no Sport Grupo Scalabitano os Leões, na cidade de Santarém, clube que se extinguiu ao fundir-se com o Sport Grupo União Operária dando origem ao actual União de Santarém.

Estabeleceu a sua actividade de médico no Largo de Sá da Bandeira em Santarém, onde exerceu medicina até aos 97 anos.

A medicina para ele funcionou como um sacerdócio. Se tinha sempre o consultório cheio de doentes, grande parte eram consultas grátis, pois aos pobres não levava dinheiro e com os amigos acontecia a mesma coisa.

A sua benemerência era bem conhecida na cidade, onde sempre desfrutou de grande carinho da população. Distribuía periodicamente verbas para apoio social por entidades de Santarém e Almeirim.

Quando completou o centenário natalício foi alvo de grande homenagem organizada por um grupo de amigos e a que se associaram entidades oficiais nomeadamente de Santarém, Almeirim e Coimbra, Reitor da Universidade, Presidente da Direcção da Associação Académica de Coimbra e os Presidentes das Câmaras Municipais de Santarém e Coimbra, à que se juntou muito povo de todas as classes sociais.

Não deixaram de participar ranchos folclóricos, fados de Coimbra e Antigos Orfeonistas daquela Universidade. Foi editada uma biografia do homenageado.

O seu nome faz parte da toponímia de Santarém e Almeirim.

Faleceu no Hospital de Santarém a 24 de Novembro de 2009, doze dias antes de completar 101 anos. O corpo esteve em câmara ardente na Igreja de Santa Clara, realizando-se o funeral para jazigo de família no cemitério de Almeirim, sua terra natal.
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