domingo, 1 de dezembro de 2013

Fernando de Távora



Nasceu em Santarém entre 1510 e 1520, filho de Fernão Cardoso e de D. Filipa de Brito.

Doutorou-se em Teologia pela Universidade de Coimbra, ingressando na Ordem Religiosa de S. Domingos, professando no Convento de S. Domingos de Benfica a 6 de Abril de 1555.

Foi o 5º Bispo do Funchal, confirmado por Pio V a 14 de Novembro de 1569.

D. Fernando de Távora nunca se deslocou à sua Diocese, pelo medo que lhe inspirava a travessia do oceano, segundo Frei Luís de Sousa ou por falta de vista, na opinião de Frutuoso.

Governou a Diocese através de vigários-gerais.

Os três primeiros bispos nunca se deslocaram à Diocese, o 4º é o primeiro a tomar posse do lugar no local.

Renunciou à mitra em 1573, tendo ido desempenhar as funções de esmoler (pessoa que tem o encargo de distribuir esmolas, suas ou oferecidas por outrem) de D. Sebastião. Mereceu muito a estima deste monarca e do seu tio, o Cardeal D. Henrique que o substituiu no trono.

Escreveu os Comentários ao Evangelho de S. João.

Foi hábil pintor e faleceu em Azeitão em 1577 sendo sepultado no Convento de S. Domingos em Lisboa, local onde deixou alguns quadros preciosos.

Foi irmão de Frei Henrique de Távora ou Frei Henrique de S. Jerónimo que foi bispo de Cochim (1576) e Arcebispo de Goa (1577).

_____________________________________

Dicionário Corográfico de Portugal Continental e Insular, Américo Costa, Vol. VI, 1938, p 1077.
História Eclesiástica de Portugal, P. Miguel de Oliveira, Publicações Europa-América, 1994.
Monumentos e Lendas de Santarém, Zepherino N. G. Brandão, Lisboa, 1883.
arquivohistoricomadeira.blogspot.com

pt.wikipedia.org

sábado, 30 de novembro de 2013

Caetano de Figueiredo


Nasceu na então Vila de Santarém a 24 de Março de 1699 sendo filho de Manuel Figueiredo Vaz e de Mariana da Costa.

Ainda adolescente entrou na Religião dos Clérigos Regulares e na Casa de N. S. da Divina Providência, tendo recebido a roupeta a 8 de Abril de 1720.

 Com 21 anos parte para a Índia e é na Casa de Goa que faz profissão solene a 22 de Setembro de 1721.

Durante 14 anos desenvolve a sua acção missionária com muito zelo.

D. Alberto Caetano de Figueiredo volta ao Reino em 1735 e devido às suas qualidades onde avulta a afabilidade é elevado ao lugar de Prepósito (antigo prelado de certas congregações religiosas) governando a Casa de N. Senhora da Divina Providência de Lisboa. Tomou posse em 18 de Junho de 1740, terminando o mandato em 1743. Volta a exercer o lugar a partir de 22 de Setembro de 1748 que termina em 5 de Junho de 1751. Retoma o lugar em 29 de Agosto de 1754 acabando por renunciá-lo e ser substituído em 21 de Junho de 1755 pelo P. D. José Caetano de Carvalho.

Era considerado um talentoso orador sagrado, tendo deixado a seguinte obra: Panegyrico Funebre nas Exequias de João de Souza Mexia, Cavalleiro professo da Ordem de Christo, Secretario da Junta da Sereníssima Casa de Bragança, e do Infantado, e Escrivão da Fazenda da mesma Casa, celebradas pela Mesa do Santíssimo Sacramento da Freguezia das Mercês, a 24 de Julho de 1738. Feito em Lisboa na Officina Sylviana da Academia Real, 1738.
 _________________________________

Biblioteca Lusitana, Diogo Barbosa Machado, 1759

Memórias históricas cronológicas da Sagrada Religião dos Clérigos..., Thomaz Caetano do Bem.


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Gil Guedes Correia de Queiroz


Nasceu na freguesia de S. Nicolau  de Santarém no dia 16 de Julho de 1795 o 1ºConde da Foz, título que lhe foi concedido em 30 de Setembro de 1862, tendo sido também 1º Barão por decreto de 21 de Outubro de 1843 e 1º Visconde por diploma de 15 de Setembro de 1855.

Era filho de Tristão Guedes Correia de Queirós Castelo Branco, capitão do regimento de cavalaria de Santarém e de Francisca Manuel Correia Barreto.

Herdou de seu pai todos os bens livres, de vínculos e de prazos, entre os quais o Morgadio de Momporcão, e as Herdades do Monte do Olival, de Murças e das Freiras, tudo no termo de Estemoz e igualmente Senhor da Herdade da Capela em Monforte.

Casou em 14 de Setembro de 1847 com D. Mariana Georgina Palha de Faria Lacerda, filha do Desembargador da Casa da Suplicação e proprietário, José Pereira Palha de Faria Guião, fidalgo da Casa Real.

Entrou no serviço militar em 10 de Outubro de 1812, por isso com 17 anos e já como alferes de cavalaria tomou parte na Guerra Peninsular. Acabada esta oferece-se para tomar parte na divisão destinada a Montevideu e já como tenente.

Tomou parte na luta que se travou no Rio da Prata em 1816 sendo elogiado em várias Ordens da divisão e promovido a capitão.

Regressa a Portugal e é colocado no Regimento de Cavalaria nº 2.

De ideias liberais combate as forças do Conde de Amarante em 1823.
Com a chegada do Infante D. Miguel sai de Lisboa indo reunir-se aos liberais na ilha Terceira, nos Açores.

Fez parte da expedição que desembarcou em 8 de Julho de 1832 nas praias do Mindelo e entrou no cerco do Porto onde se distinguiu.

Já como major foi ajudante de campo de D. Pedro e promovido a tenente-coronel.

Em 1834 é coronel e comanda o Regimento de Cavalaria nº 1. Após a Revolução de Setembro pede a exoneração do comando, retirando-se para a sua casa no Alentejo.

Em 1843 governava a forte Praça de Elvas, é graduado em brigadeiro e passa a ajudante de campo de D. Fernando II. Em 1851 promovido a Marechal de Campo, em 1860 a Tenente-General e em 1864 a General de Divisão.

Fidalgo da Casa Real foi agraciado com variadíssimas condecorações entre as quais a de Cavaleiro da Ordem da Torre e Espada e Grã-cruz da Ordem de Avis

Faleceu no Paço das Necessidades  em Lisboa, a 27 de Fevereiro de 1870.
_______________________________

Santarém no Tempo, Virgílio Arruda, 1971.
Dicionário Corográfico de Portugal Continental e Insular, Américo Costa, Vol. VI, 1938 pp 958 e 959.
Boletim da Junta de Província do Ribatejo, 1937/40, p 560.


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Frei Pedro Arnaldo


Cavaleiro do Templo de que teria sido um dos oito fundadores da Ordem (1118) e seu 3º Mestre.

Na época da Reconquista, a sua memória ficou ligada à fundação da Igreja de Santa Maria de Alcáçova, em Santarém (1154).

Segundo uma pequena lápide que sobreviveu aos vários restauros daquele templo ao longo dos séculos, teria recebido essa incumbência de D. Hugo.

Ao longo dos anos, nos restauros têm aparecido restos do templo medieval.

D. Frei Pedro Arnaldo, Comendador de Santarém, após a conquista deste forte castelo aos mouros, a qual ajudou a obter, teria sido incumbido desta construção para comemorar o facto, o que realizou junto da Alcáçova.

Igreja de Sta. Maria de Alcáçova.
Des. de Braz Ruivo

Foi um excelente guerreiro tendo estado muito ligado a D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques.

Esteve como Cavaleiro Cruzado na Terra Santa ajudando a proteger os caminhos para Jerusalém.

D. Afonso Henriques concedeu-lhe privilégios em 1155 quando já era rei de Portugal.

Parece ter morrido em combate a 24 de Junho de 1158, no assédio às muralhas quando se pretendeu conquistar pela primeira vez aos mouros a forte praça de Alcácer do Sal.

Sucedeu-lhe com Mestre da Ordem do D. Gualdim Pais.

Foi sepultado na Igreja de Santa Maria de Alcáçova, em Santarém, que fundou.

Há quem lhe atribua, talvez com mais propriedade, que seja natural de Gondomar.

_____________________________________

Monumentos e Lendas de Santarém, Zepherino N. G. Brandão, David Corazzi, Editor, Lisboa, 1883.
Santarém no Tempo, Virgílio Arruda, 1971
pt.cyclopedia.net/wiki/Frei-Arnaldo-(templário)
blog.thomar.org/2007/04/mestres-da-ordem-do-templo.html
templariosportugueses.blogspot.pt/2010_03_01_archive.html
 Wikipédia


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Gil Fernandes de Carvalho


Nasceu na vila de Azambujeira, actualmente do concelho de Rio Maior, em finais do século XIII este cavaleiro fidalgo, considerado de génio irascível e odiento, de desmedido orgulho e temível brigão.

Desenvolveu estas características, em jovem, nas correrias que com outros fazia em perseguição dos mouros.

Igreja Matriz de Azambujeira e Pelourinho.

Gil Fernandes era filho de Fernão Gomes e de D. Maria Gonçalves de Moreira. Teve a companhia de vários irmãos e pertenceu à importante família portuguesa dos Carvalhos.

Diz-se que era bisneto de Bartolomeu Domingos de Carvalho,  que instituiu o morgado deste apelido e donatário da Azambujeira.

Para tomar parte nas Cortes ou por qualquer motivo pessoal, o fidalgo deslocou-se certa vez a Lisboa, onde permaneceu uns dias.

Ficou na Azambujeira um dos seus moços de esporas, que muito prezava que, talvez influenciado pela vivência do seu Senhor, acabou por cometer um crime considerado grave.

O poder Real, representado pelo Juiz, actuou, condenando-o a ser açoitado, sentença que entretanto tinha sido confirmada pelo corregedor.

Gil Carvalho ao ter conhecimento do sucedido, regressa a Azambujeira, manda açoitar o Juiz e pior ainda, cortar as duas orelhas ao corregedor!

Em face de tal, o rei D. Dinis ordena a sua prisão mas este consegue escapar à Justiça, fugindo para Castela.

Morre D. Dinis, sucedendo-lhe seu filho D. Afonso IV que na história ficou conhecido pelo “O Bravo” devido à bravura demonstrada na batalho do Salado (1340).

Afonso XI de Castela, genro de D. Dinis, atacado por numerosas forças muçulmanas vindas de África, pede auxílio, por intermédio da rainha sua esposa, ao rei português que lho presta, comandando ele próprio o seu exército que se cobriu de glória nas margens do rio Salado.

Admirado com a enorme bravura de um dos combatentes cristãos, pergunta D. Afonso IV quem era aquele prodigioso guerreiro tenho-lhe sido respondido que se tratava de um português, Gil Fernandes Carvalho, homiziado em Castela, desde o tempo de seu pai, D. Dinis.

Afonso IV perdoou-lhe o crime praticado e de que estava arrependido, autorizando-o a regressar a Portugal e ao seu torrão natal, concedendo-lhe, além disso, o título de Mestre da Ordem de Santiago.

Existe muita lenda nesta estória onde são várias as incongruências.
___________________________

A Freguesia de Azambujeira no presente e no passado, Albertino Henriques Barata, in Correio do ribatejo de 12 de Novembro de 1976

Boletim da Junta de Província do Ribatejo - 1937 / 40

Rio Maior - Importante e pitoresco concelho ribatejano, in Vida Ribatejana - 1950

Diccionario Chorographico de Portugal Continental e Insular, Vol. II, 1930, pp 1183,1184


  

domingo, 27 de outubro de 2013

Ruy Belo





Ruy Moura Belo nasceu a 27 de Fevereiro de 1933 em São João da Ribeira, antiga sede de concelho e hoje fazendo parte do concelho de Rio Maior, constando-me ser filho de professores de Instrução Primária.e faleceu em Queluz a 8 de Agosto de 1978, vítima de edema pulmonar.

Fez o curso liceal no Liceu de Santarém e em 1951 matriculou-se como aluno de Direito que acaba por concluir em Lisboa em 1956. Era igualmente licenciado em Filologia Românica.

Tornou-se membro da Opus Dei.

Após o curso parte para Roma, doutorando-se em direito canónico pela Universidade de S. Tomás de Aquino, defendendo a tese “Ficção Literária e Censura Eclesiástica”.

Regressa a Portugal em 1961 e através de uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian ingressa na Faculdade de Letras de Lisboa.. Abandona entretanto a Opus Dei e exerce as funções de leitor de Português em Madrid, entre 1971 e 1977.

Participou na greve académica de 1962 e foi candidato em 1969 pela CEUD o que originou  passar a ser uma personagem politicamente vigiada.

Assim, é-lhe recusada a possibilidade de leccionar na Faculdade de Letras de Lisboa, restando-lhe dar aulas na Escola Técnica do Cacém, no ensino nocturno.

Foi chefe de redacção da revista Rumo e director literário da Editorial Aster e dedicou-se igualmente a tradutor.

Entre as suas obras contam-se:

Aquele grande rio Eufrates (1961)

O problema da Habitação (1962)

Boca Bilingue (1966)

Homem de palavra (s) (1969)

Transporte no Tempo (1973)

País Possível (1973)

A Margem da Alegria (1974)

Toda a Terá (1976)

Despeço-me da Terra da Alegria (1978)

A obra poética de Ruy Belo foi organizada postumamente em 3 volumes com o título “Obra Poética de Ruy Belo” em 1981.

Os seus trabalhos prendem-se ao religioso e ao metafísico com interrogações que sempre o preocuparam.

Além de poesia, publicou ensaios e crítica literária.

É considerado um dos maiores poetas portugueses da segunda metade do séc. XX, havendo várias reedições.

Da História da Literatura Portuguesa, abaixo referida, transcrevemos um pequeno texto: De longe o mais original “católico” é Ruy Belo (...) que nos seus primeiros poemas publicadas espraia, com um belo fôlego, um caudal de metáforas e paronomásias desvalorizadores da Cidade humana, na obstinada perseguição da certeza de uma outra Cidade em que a morte ganha sentido para além de tudo o que qualquer desejo humano saiba dizer (Aquele Grande Rio Eufrates, 1961, O Problema da Habitação, (1962) ...

Em 1991 foi condecorado, a título póstumo com o grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Santiago de Espada.

A Escola Básica 2,3 Ruy Belo situa-se no concelho de Sintra, freguesia de Monte Abraão e Queluz e é sede de um Agrupamento.

Fui contemporâneo no Liceu de Santarém de Ruy Belo, sendo ele um “veterano” e eu um “caloiro”. Lembro-me perfeitamente que o jornal (revista) O Mocho, editado todos os anos pelos finalistas, comportava um poema seu. Possuí um exemplar que com as andanças da vida se perdeu.
_______________________________________

História da Literatura Portuguesa, António José Saraiva e Óscar Lopes, Porto Editora, Limitada, 12ª Edição
Infopédia
Wikipédia, a enciclopédia livre
“As escolhas dos nossos historiadores – Marcas do Século no nosso distrito, O Ribatejo de 13 de Janeiro de 2000, p. 20


sábado, 26 de outubro de 2013

D. António Alves Ferreira





Nasceu no lugar de Valhascos, freguesia e concelho do Sardoal a 11 de Junho de 1864.

Iniciou os seus estudos em 1880, em Castelo Branco. Ali realizou os preparatórios para o curso de Teologia, tendo-se matriculado no Seminário de Portalegre em 1883, concluindo o curso três anos depois e celebra a 1ª missa no dia de Natal.

Repete os estudos preparatórios no Liceu de Portalegre e em 1887 matriculou-se na Universidade de Coimbra no curso de Teologia que completa em 1893.

Entretanto tinha sido colocado no concelho de Abrantes, na Paróquia de S. Facundo mas tinha dispensa de residência para poder frequentar a Universidade onde foi Capelão da Real Capela da mesma e do Mosteiro de Santa Clara, também naquela cidade.

De 1904 a 1906 desempenha o cargo de Vice-reitor do Seminário de Lamego onde regeu as cadeiras de Geografia, de História e de Teologia Dogmática. Foi examinador pró-sidonal, governou o Bispado, foi Cónego da Sé e Presidente da Direcção da Infância Desvalida.

É provido depois num canoninato da Sé Patriarcal de Lisboa regendo ao mesmo tempo uma das cadeiras de Teologia Moral no Seminário de Santarém.

É já em 1907 que é apresentado como coadjutor e sucessor do Bispo de Viseu, D. António Alves Martins, sendo provido do lugar após o falecimento do titular, tendo recebido a sagração episcopal em Janeiro de 1908 e entrou ao serviço em meados de Março do mesmo ano.

Com a implantação da república é expulso em 1912, por dois anos, da Diocese devido a ter expedido uma circular em que condenava as cultuais.

Regressou a Valhascos, sua terra natal onde esteve até 5 de Maio altura em que se muda para Fornos de Algodres

Regressou à Diocese em 20 de Janeiro de 1914

Morreu em Viseu em 29 de Janeiro de 1927 vítima de doença cardíaca.

Foi o 59 Bispo (1911-1927) sucedendo-lhe D. José da Cruz Moreira Pinto.
_____________________________________

Diccionario Chorographico de Portugal Continental e Insular, Américo Costa, Vol XII, Porto, 1949, pp 812,813

História Eclesiástica de Portugal, P. Miguel de Oliveira, Publicações Europa .

http://www.sardoalmemoria.net/home/sardoalenses-ilustres/d-antonio-alves-ferreira , cons. em 25.10.2013



quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Frei António das Chagas



É a quinta figura almeirinense que vamos referir nestas pequenas notas biográficas que temos vindo a organizar.

Frei António das Chagas nasceu em Almeirim a 14 de Setembro de 1692 e morreu na segunda metade do século XVIII.

Religioso arrábido, entrou em religião no convento de Santa Maria dos Coutos de Alcobaça em 1711, tendo professado um ano depois.

Foi guardião de vários conventos e autor de “Teatro Jurídico”, importante obra que é um resumo de todos os conhecimentos jurídicos necessários aos prelados das ordens religiosas e outros.

________________________

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira - Vol. 6 - pág. 571
Boletim da Junta de Província do Ribatejo - 1937 - 1940
Esta Almeirim Famosa  - José A. Vermelho - 1950
Al-Meirim - Velharias desta vila tão mui nobre - José A. Vermelho - 1951

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Frei Nicolau de Almeida




Nasceu em Vila Franca de Xira no dia 25 de Dezembro de 1761, Manuel Nicolau de Almeida, filho de Francisco Caetano de Almeida e de sua mulher, Caetana Inácia da Conceição.

Foi aprender as primeiras letras e seguidamente a Gramática Latina, dando logo provas de grande capacidade de aprendizagem.

Destinado à vida eclesiástica, o que na altura era habitual, professa na religião dos Carmelitas Calçados. Continuando a demonstrar as suas aptidões, é mandado cursar Teologia na Universidade de Coimbra onde obteve o grau de Doutor (1790) e serviu por vários anos em Opositor.

É depois nomeado Lente substituto de História Universal e Eloquência no Colégio das Artes da mesma Universidade.

A quando das Invasões Francesas, retira-se da cidade de Coimbra, embarcando na Figueira da Foz com destino a Lisboa, passando à ilha da Madeira como Comissário dos Terceiros da sua Ordem. Aí lecciona Teologia, sendo considerado bom orador, pregando nas principais solenidades.

Recolhe-se entretanto ao Convento do Carmo, em Lisboa, onde é sagrado na sua igreja, Bispo de Angra, em 3 de Maio de 1819, o que é confirmado por bula de 29 de Maio de 1820.,ocupando a 26ª posição nesse lugar, governando o seu bispado de 1820 a 1825.

Considerado liberal convicto cedo se envolve na intensa actividade política que grassava naquela ilha estabelecendo e de contra-poder como capitão general dos Açores Francisco Garção Stockler.

Após ter sido jurada a Constituição de 1822 e sendo adido da Junta Governativa foi chamado a Lisboa, juntamente com Stockler, por ordem de D. João VI

Esteve preso em Camarate sem que se lhe conheçam as acusações que sobre ele impedem.

Esta situação tem a ver com algumas posições políticas dúbias que tomou, principalmente manifestadas nos escaldantes sermões que pronunciou.

Recuperou a liberdade em 1823. Nesta altura é eleito Bispo de Bragança, não chegando contudo a ser confirmado nesta Diocese pelo Papa Leão XII, em razão de dúvidas que a seu respeito se suscitaram, motivado pela publicação das cartas sobre indulgências, de que era autor.

Faleceu em 8 de Outubro de 1825 e ficou sepultado no Convento do Carmo, em Lisboa.


________________________

Três Vilafranquenses ilustre (…), Júlio Pelouro,  in Vida Ribatejana, nº especial de 1951
História Eclesiástica de Portugal, P. Miguel de Oliveira, 1994
Wikipédia, a enciclopédia livre
Diccionario Chorographico de Portugal Continental e Insular,Américo Costa,  Vol II, 1930, p. 476.


domingo, 29 de setembro de 2013

Igreja de Santa Clara



Fundado por D. Afonso III entre 1260 / 70 é templo de raiz gótica ainda que tenha sofrido deturpações no decorrer dos tempos. As clarissas resolveram trocar Lamego por Santarém.

As obras prolongaram-se por todo o século XIII e chegaram até meados do seguinte, recebendo ainda benefícios da rainha D. Isabel e do próprio D. Dinis.

A Igreja é o que resta do antigo Convento de Santa Clara. É de estilo gótico e três naves, sendo a central mais elevada e iluminada por janelas geminadas. A separação das naves é feita por 6 arcos que assentam em pilares prismáticos e colunas acostadas.

Tem 72 metros de comprimento e 18 de altura, sendo considerada em Portugal de invulgares dimensões.

A capela-mor é servida por abóbada gótica de nervuras cruzadas e a claridade é fornecida por cinco janelas geminadas.

Uma cachorrada de pequenas dimensões percorre todo o edifício.

A fachada principal não tem portada, cumprindo assim a regra dos edifícios de clausura, mas possui uma rosácea octogonal, cujos raios se identificam com colunelos partidos que se reúnem em arcos trilobados constituindo uma peça de fino recorte. Por cima, em pedra, as cinco quinas do rei Bolonhês.

D. Leonor Afonso, filha bastarda de D. Afonso III e de Elvira Esteves “mulher de condição baixa”, depois de casar duas vezes, ingressa como freira neste convento, onde faleceu a 26 de Fevereiro de 1291 e ficou sepultada. É possível que esse facto tivesse motivado um maior auxílio de seu pai e de seu irmão, D. Dinis, além da sua protecção pessoal já que não tinha descendentes.

A sua memória era guardada com sinais de santidade.

O seu túmulo original, com alguma aproximação ao de D. Dinis no Mosteiro de Odivelas, foi descoberto aquando das obras de restauro (1937).

O Padre Luís Montês Matoso, na sua Santarém Ilustrada, (1738) descreve no Capítulo XX o Mosteiro de Santa Clara de que anotámos: os altares estão cheios de imagens entre as quais um Santo Cristo dos Passos que com ele fazem sua procissão pelos claustros do mosteiro com sermões e calvário na igreja na sexta-feira de Quaresma. Outra imagem de grande devoção é a de Nossa Senhora da Conceição.

O mosteiro é vítima de dois fogos, um em 18 de Agosto de 1638, que durou dois dias e o outro em 18 de Abril de 1669, que consumiram parte substancial do seu recheio, o que se salvou do primeiro, é vítima do segundo, sendo a igreja a parte menos afectada.

Quando do 1º, as religiosas foram recolhidas na Igreja de S. Francisco seguindo depois para o Mosteiro de S. Domingos das Donas.


Quando morreu a última freira, D. Maria Inocência Xavier Leite, em 1902, as instalações ficaram expostas aos mais variados apetites e houve venda e compra do seu recheio. Depois foi aproveitado para arrecadação militar e mais tarde abandonado.

É despojada do retábulo quinhentista de Diogo de Contreiras, do cadeiral do coro, dos altares em talha, dos painéis de azulejos e das esculpas barrocas de madeira.

O restauro que a deixou com o aspecto actual, teve lugar de 1934 / 40. A reabertura ao culto deu-se no dia 10 de Junho de 1440 com a presença do Cardeal Patriarca D. Manuel Gonçalves Cerejeira.


Está classificada como Monumento Nacional.
______________________________________________

Santarém – História e Arte, Joaquim Veríssimo Serrão, colaboração artística de Braz Ruivo, 2ª Edição, 1959.

Santarém Ilustrada, Luís Montês Matoso (Transcrição do texto e estudo introdutório, Martinho Vicente Rodrigues) Junta de Freguesia de Marvila, 2011.

História e Monumentos de Santarém, Zeferino Sarmento, C.M. de Santarém, 1993.