domingo, 27 de outubro de 2013

Ruy Belo





Ruy Moura Belo nasceu a 27 de Fevereiro de 1933 em São João da Ribeira, antiga sede de concelho e hoje fazendo parte do concelho de Rio Maior, constando-me ser filho de professores de Instrução Primária.e faleceu em Queluz a 8 de Agosto de 1978, vítima de edema pulmonar.

Fez o curso liceal no Liceu de Santarém e em 1951 matriculou-se como aluno de Direito que acaba por concluir em Lisboa em 1956. Era igualmente licenciado em Filologia Românica.

Tornou-se membro da Opus Dei.

Após o curso parte para Roma, doutorando-se em direito canónico pela Universidade de S. Tomás de Aquino, defendendo a tese “Ficção Literária e Censura Eclesiástica”.

Regressa a Portugal em 1961 e através de uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian ingressa na Faculdade de Letras de Lisboa.. Abandona entretanto a Opus Dei e exerce as funções de leitor de Português em Madrid, entre 1971 e 1977.

Participou na greve académica de 1962 e foi candidato em 1969 pela CEUD o que originou  passar a ser uma personagem politicamente vigiada.

Assim, é-lhe recusada a possibilidade de leccionar na Faculdade de Letras de Lisboa, restando-lhe dar aulas na Escola Técnica do Cacém, no ensino nocturno.

Foi chefe de redacção da revista Rumo e director literário da Editorial Aster e dedicou-se igualmente a tradutor.

Entre as suas obras contam-se:

Aquele grande rio Eufrates (1961)

O problema da Habitação (1962)

Boca Bilingue (1966)

Homem de palavra (s) (1969)

Transporte no Tempo (1973)

País Possível (1973)

A Margem da Alegria (1974)

Toda a Terá (1976)

Despeço-me da Terra da Alegria (1978)

A obra poética de Ruy Belo foi organizada postumamente em 3 volumes com o título “Obra Poética de Ruy Belo” em 1981.

Os seus trabalhos prendem-se ao religioso e ao metafísico com interrogações que sempre o preocuparam.

Além de poesia, publicou ensaios e crítica literária.

É considerado um dos maiores poetas portugueses da segunda metade do séc. XX, havendo várias reedições.

Da História da Literatura Portuguesa, abaixo referida, transcrevemos um pequeno texto: De longe o mais original “católico” é Ruy Belo (...) que nos seus primeiros poemas publicadas espraia, com um belo fôlego, um caudal de metáforas e paronomásias desvalorizadores da Cidade humana, na obstinada perseguição da certeza de uma outra Cidade em que a morte ganha sentido para além de tudo o que qualquer desejo humano saiba dizer (Aquele Grande Rio Eufrates, 1961, O Problema da Habitação, (1962) ...

Em 1991 foi condecorado, a título póstumo com o grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Santiago de Espada.

A Escola Básica 2,3 Ruy Belo situa-se no concelho de Sintra, freguesia de Monte Abraão e Queluz e é sede de um Agrupamento.

Fui contemporâneo no Liceu de Santarém de Ruy Belo, sendo ele um “veterano” e eu um “caloiro”. Lembro-me perfeitamente que o jornal (revista) O Mocho, editado todos os anos pelos finalistas, comportava um poema seu. Possuí um exemplar que com as andanças da vida se perdeu.
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História da Literatura Portuguesa, António José Saraiva e Óscar Lopes, Porto Editora, Limitada, 12ª Edição
Infopédia
Wikipédia, a enciclopédia livre
“As escolhas dos nossos historiadores – Marcas do Século no nosso distrito, O Ribatejo de 13 de Janeiro de 2000, p. 20


sábado, 26 de outubro de 2013

D. António Alves Ferreira





Nasceu no lugar de Valhascos, freguesia e concelho do Sardoal a 11 de Junho de 1864.

Iniciou os seus estudos em 1880, em Castelo Branco. Ali realizou os preparatórios para o curso de Teologia, tendo-se matriculado no Seminário de Portalegre em 1883, concluindo o curso três anos depois e celebra a 1ª missa no dia de Natal.

Repete os estudos preparatórios no Liceu de Portalegre e em 1887 matriculou-se na Universidade de Coimbra no curso de Teologia que completa em 1893.

Entretanto tinha sido colocado no concelho de Abrantes, na Paróquia de S. Facundo mas tinha dispensa de residência para poder frequentar a Universidade onde foi Capelão da Real Capela da mesma e do Mosteiro de Santa Clara, também naquela cidade.

De 1904 a 1906 desempenha o cargo de Vice-reitor do Seminário de Lamego onde regeu as cadeiras de Geografia, de História e de Teologia Dogmática. Foi examinador pró-sidonal, governou o Bispado, foi Cónego da Sé e Presidente da Direcção da Infância Desvalida.

É provido depois num canoninato da Sé Patriarcal de Lisboa regendo ao mesmo tempo uma das cadeiras de Teologia Moral no Seminário de Santarém.

É já em 1907 que é apresentado como coadjutor e sucessor do Bispo de Viseu, D. António Alves Martins, sendo provido do lugar após o falecimento do titular, tendo recebido a sagração episcopal em Janeiro de 1908 e entrou ao serviço em meados de Março do mesmo ano.

Com a implantação da república é expulso em 1912, por dois anos, da Diocese devido a ter expedido uma circular em que condenava as cultuais.

Regressou a Valhascos, sua terra natal onde esteve até 5 de Maio altura em que se muda para Fornos de Algodres

Regressou à Diocese em 20 de Janeiro de 1914

Morreu em Viseu em 29 de Janeiro de 1927 vítima de doença cardíaca.

Foi o 59 Bispo (1911-1927) sucedendo-lhe D. José da Cruz Moreira Pinto.
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Diccionario Chorographico de Portugal Continental e Insular, Américo Costa, Vol XII, Porto, 1949, pp 812,813

História Eclesiástica de Portugal, P. Miguel de Oliveira, Publicações Europa .

http://www.sardoalmemoria.net/home/sardoalenses-ilustres/d-antonio-alves-ferreira , cons. em 25.10.2013



quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Frei António das Chagas



É a quinta figura almeirinense que vamos referir nestas pequenas notas biográficas que temos vindo a organizar.

Frei António das Chagas nasceu em Almeirim a 14 de Setembro de 1692 e morreu na segunda metade do século XVIII.

Religioso arrábido, entrou em religião no convento de Santa Maria dos Coutos de Alcobaça em 1711, tendo professado um ano depois.

Foi guardião de vários conventos e autor de “Teatro Jurídico”, importante obra que é um resumo de todos os conhecimentos jurídicos necessários aos prelados das ordens religiosas e outros.

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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira - Vol. 6 - pág. 571
Boletim da Junta de Província do Ribatejo - 1937 - 1940
Esta Almeirim Famosa  - José A. Vermelho - 1950
Al-Meirim - Velharias desta vila tão mui nobre - José A. Vermelho - 1951

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Frei Nicolau de Almeida




Nasceu em Vila Franca de Xira no dia 25 de Dezembro de 1761, Manuel Nicolau de Almeida, filho de Francisco Caetano de Almeida e de sua mulher, Caetana Inácia da Conceição.

Foi aprender as primeiras letras e seguidamente a Gramática Latina, dando logo provas de grande capacidade de aprendizagem.

Destinado à vida eclesiástica, o que na altura era habitual, professa na religião dos Carmelitas Calçados. Continuando a demonstrar as suas aptidões, é mandado cursar Teologia na Universidade de Coimbra onde obteve o grau de Doutor (1790) e serviu por vários anos em Opositor.

É depois nomeado Lente substituto de História Universal e Eloquência no Colégio das Artes da mesma Universidade.

A quando das Invasões Francesas, retira-se da cidade de Coimbra, embarcando na Figueira da Foz com destino a Lisboa, passando à ilha da Madeira como Comissário dos Terceiros da sua Ordem. Aí lecciona Teologia, sendo considerado bom orador, pregando nas principais solenidades.

Recolhe-se entretanto ao Convento do Carmo, em Lisboa, onde é sagrado na sua igreja, Bispo de Angra, em 3 de Maio de 1819, o que é confirmado por bula de 29 de Maio de 1820.,ocupando a 26ª posição nesse lugar, governando o seu bispado de 1820 a 1825.

Considerado liberal convicto cedo se envolve na intensa actividade política que grassava naquela ilha estabelecendo e de contra-poder como capitão general dos Açores Francisco Garção Stockler.

Após ter sido jurada a Constituição de 1822 e sendo adido da Junta Governativa foi chamado a Lisboa, juntamente com Stockler, por ordem de D. João VI

Esteve preso em Camarate sem que se lhe conheçam as acusações que sobre ele impedem.

Esta situação tem a ver com algumas posições políticas dúbias que tomou, principalmente manifestadas nos escaldantes sermões que pronunciou.

Recuperou a liberdade em 1823. Nesta altura é eleito Bispo de Bragança, não chegando contudo a ser confirmado nesta Diocese pelo Papa Leão XII, em razão de dúvidas que a seu respeito se suscitaram, motivado pela publicação das cartas sobre indulgências, de que era autor.

Faleceu em 8 de Outubro de 1825 e ficou sepultado no Convento do Carmo, em Lisboa.


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Três Vilafranquenses ilustre (…), Júlio Pelouro,  in Vida Ribatejana, nº especial de 1951
História Eclesiástica de Portugal, P. Miguel de Oliveira, 1994
Wikipédia, a enciclopédia livre
Diccionario Chorographico de Portugal Continental e Insular,Américo Costa,  Vol II, 1930, p. 476.


domingo, 29 de setembro de 2013

Igreja de Santa Clara



Fundado por D. Afonso III entre 1260 / 70 é templo de raiz gótica ainda que tenha sofrido deturpações no decorrer dos tempos. As clarissas resolveram trocar Lamego por Santarém.

As obras prolongaram-se por todo o século XIII e chegaram até meados do seguinte, recebendo ainda benefícios da rainha D. Isabel e do próprio D. Dinis.

A Igreja é o que resta do antigo Convento de Santa Clara. É de estilo gótico e três naves, sendo a central mais elevada e iluminada por janelas geminadas. A separação das naves é feita por 6 arcos que assentam em pilares prismáticos e colunas acostadas.

Tem 72 metros de comprimento e 18 de altura, sendo considerada em Portugal de invulgares dimensões.

A capela-mor é servida por abóbada gótica de nervuras cruzadas e a claridade é fornecida por cinco janelas geminadas.

Uma cachorrada de pequenas dimensões percorre todo o edifício.

A fachada principal não tem portada, cumprindo assim a regra dos edifícios de clausura, mas possui uma rosácea octogonal, cujos raios se identificam com colunelos partidos que se reúnem em arcos trilobados constituindo uma peça de fino recorte. Por cima, em pedra, as cinco quinas do rei Bolonhês.

D. Leonor Afonso, filha bastarda de D. Afonso III e de Elvira Esteves “mulher de condição baixa”, depois de casar duas vezes, ingressa como freira neste convento, onde faleceu a 26 de Fevereiro de 1291 e ficou sepultada. É possível que esse facto tivesse motivado um maior auxílio de seu pai e de seu irmão, D. Dinis, além da sua protecção pessoal já que não tinha descendentes.

A sua memória era guardada com sinais de santidade.

O seu túmulo original, com alguma aproximação ao de D. Dinis no Mosteiro de Odivelas, foi descoberto aquando das obras de restauro (1937).

O Padre Luís Montês Matoso, na sua Santarém Ilustrada, (1738) descreve no Capítulo XX o Mosteiro de Santa Clara de que anotámos: os altares estão cheios de imagens entre as quais um Santo Cristo dos Passos que com ele fazem sua procissão pelos claustros do mosteiro com sermões e calvário na igreja na sexta-feira de Quaresma. Outra imagem de grande devoção é a de Nossa Senhora da Conceição.

O mosteiro é vítima de dois fogos, um em 18 de Agosto de 1638, que durou dois dias e o outro em 18 de Abril de 1669, que consumiram parte substancial do seu recheio, o que se salvou do primeiro, é vítima do segundo, sendo a igreja a parte menos afectada.

Quando do 1º, as religiosas foram recolhidas na Igreja de S. Francisco seguindo depois para o Mosteiro de S. Domingos das Donas.


Quando morreu a última freira, D. Maria Inocência Xavier Leite, em 1902, as instalações ficaram expostas aos mais variados apetites e houve venda e compra do seu recheio. Depois foi aproveitado para arrecadação militar e mais tarde abandonado.

É despojada do retábulo quinhentista de Diogo de Contreiras, do cadeiral do coro, dos altares em talha, dos painéis de azulejos e das esculpas barrocas de madeira.

O restauro que a deixou com o aspecto actual, teve lugar de 1934 / 40. A reabertura ao culto deu-se no dia 10 de Junho de 1440 com a presença do Cardeal Patriarca D. Manuel Gonçalves Cerejeira.


Está classificada como Monumento Nacional.
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Santarém – História e Arte, Joaquim Veríssimo Serrão, colaboração artística de Braz Ruivo, 2ª Edição, 1959.

Santarém Ilustrada, Luís Montês Matoso (Transcrição do texto e estudo introdutório, Martinho Vicente Rodrigues) Junta de Freguesia de Marvila, 2011.

História e Monumentos de Santarém, Zeferino Sarmento, C.M. de Santarém, 1993.



terça-feira, 16 de julho de 2013

Rafael Duque



Rafael da Silva Neves Duque é um ribatejano nascido no concelho de Torres Novas, mais propriamente no lugar da Mata, freguesia de Chancelaria, o que aconteceu em 23 de Setembro de 1893. Era filho de João da Silva Duque, proprietário e de Ana Rosa das Neves.

Licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra, onde foi aluno na cadeira de Economia do Doutor António de Oliveira Salazar, com quem travou laços de amizade, cujo professor era mais velho apenas quatro anos.

Após o curso, exerce advocacia nomeadamente em Torres Novas, onde se instala e ainda emTomar, Golegã e Santarém.

Casa em 1920 com uma senhora da freguesia do Chouto, concelho da Chamusca e tornam-se proprietários de uma importante casa agrícola do concelho.

Na 1ª República exerceu o cargo de chefe de gabinete do Ministro do Trabalho, que era seu primo.

Tornou-se militante do Partido Nacionalista, em cujas listas foi candidato a deputado ao Congresso da República (1925).

Foi governador civil do distrito de Leiria em 1924.

Adere abertamente ao golpe do 28 de Maio de 1926 e ajuda à instalação da Ditadura Nacional e é Presidente da Câmara Municipal da Chamusca de 1926/29, fazendo regressar ao concelho a freguesia de Vale de Cavalos que se encontrava no concelho de Alpiarça, além de se proceder ao abastecimento de água e energia eléctrica.

Foi Ministro da Agricultura (1934-1940) sendo preponderante o seu papel no estabelecimento das políticas agrária e cerealífera do Estado Novo e na Campanha do Trigo. Foi igualmente responsável pelo Ministério da Economia (1940-1944).

Em 1935 cria o Grémio dos Produtores de Frutas da Região de Vila Franca de Xira, autorizando a aquisição nos viveiros nacionais ou estrangeiros de 300 000 árvores, arbustos e plantas herbáceas para enriquecer o sistema florestal do país. No ano seguinte manda constituir brigadas móveis do Ministério da Agricultura sedeadas em nove cidades.

Está presente na qualidade de Ministro na inauguração da 1ª Exposição-Feira do Distrito de Santarém, nesta cidade.

Em 1938 extingue a Federação de Sindicatos Agrícolas do Norte de Portugal, considerando que se tinha desviado dos fins para que fora criada. Mais sindicatos agrícolas são extintos, entre os quais Porto de Mós. Sardoal e Lourinhã.

Fixa em 1942 o preço máximo do sal posto na marinha.

Foi dirigente associativo pertencendo à Federação dos Vinicultores do Centro e Sul de Portugal (1936-1937), deputado à Assembleia Nacional (1938-1944) e procurador à Câmara Corporativa(1945-1969).

É devido à sua acção política que se procede à plantação do “Parque Florestal de Monsanto, em Lisboa.

Inicia, entretanto, outro período de actividade, sendo membro do conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos (1945 / 46), delegado do Governo junto do Banco Nacional Ultramarino (1950/55) e Governador do Banco de Portugal (1957/63) pois atinge o limite de idade.

Regressa à Chamusca em 1965 ali falecendo em 28 de Abril de 1969.

Enquanto a placa toponímica na Chamusca foi arreada depois do 25 de Abril, mantém-se numa rua de Lisboa.
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Boletim da Junta de Província do Ribatejo, 1937 – 40, pág. 627

História de Portugal, Joaquim Veríssimo Serrão, Vols. XIV e XV

Rafael Duque ainda é nome de rua em Lisboa. Na Chamusca a placa caiu em 25 de Abril – O Mirante

App.parlamento.pt (cons.15.07.2013)

Os procuradores da Câmara Corporativa (1935 – 1974).

Centro de Estudos do Pensamento Político

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domingo, 14 de julho de 2013

Gabriel Soares de Sousa


 Teria nascido em Punhete, actual vila de Constância, por volta de 1540.

Filho de família nobre, chega ao Brasil em 1568/69 na Armada de Francisco Barreto.

Uma vez na Baía, instala nas margens do rio Jeriquiçá um engenho de açúcar e casa, vivendo por esses lados mais de dezoito anos.

O seu irmão João Coelho de Sousa, que já lá se encontrava, foi explorando o rio São Francisco e referiu-lhe a possibilidade de existência de minas preciosas. Organiza entretanto, um roteiro de minas de prata da região de Minas Gerais.

Em 1584 vem ao Reino requerendo a Filipe I a concessão dessas minas e apesar das dificuldades encontradas consegue obter. É nomeado governador e capitão-mor da conquista das Minas. Enquanto aguarda as decisões reais, escreve (1587) um tratado, “Tratado Descritivo do Brasil”e oferece um manuscrito ao Ministro Cristóvão de Moura, possivelmente, para justificar e influenciar na decisão pretendida.

Em 1591 regressa ao Brasil com o intuito de prosseguir a descoberta da rota do rio São Francisco. Faz-se acompanhar de 360 colonos e quatro religiosos carmelitas, próximo da costa Brasileira a embarcação naufragou morrendo muita gente.

Seguiu para a Baía com o auxílio do Governador Francisco de Sousa, recompôs a expedição que tinha planeado e explora as margens do rio Paraguaçu viajando pelo interior do país em busca de metais preciosos, percorrendo cerca de 600 km.

Atacado de febre, morre próximo da nascente do rio junto do seu guia índio, perto do lugar onde sete anos antes tinha sucumbido o irmão.

O seu corpo foi transportado para a Baía e depositado no Mosteiro de S. Bento. Sobre a lápide, o seguinte epitáfio “ Aqui jaz um pecador”.

O “Tratado Descritivo do Brasil”esteve inédito até ao século XIX e tem sido publicado com títulos diferentes.

O texto veio a ser conhecido por Diogo Barbosa Machado que deu notícia da existência da obra.

José Mariano da Conceição Veloso deu início à sua publicação com o título “Descrição Geográfica da América Portuguesa”, mas a edição foi interrompida. Em 1825 a Academia Real das Ciências resolveu mandar imprimi-la, seguindo-se, naturalmente, outras edições sobretudo no Brasil onde continua a ser estudada.

Constitui um manancial de informação em vários aspectos, geográficos, botânicos, zoológicos, históricos, sociais, económicos e etnográficos entre outros, retratando minuciosamente o Brasil dessa época, constituindo uma verdadeira enciclopédia.

Os críticos põem em relevo a variedade dos assuntos abrangidos, a atenção, minúcia e técnica com que os aborda, tomando em consideração os conhecimentos desse tempo.

É grande o mérito dessa obra.

Extremamente versátil, é apresentado como agricultor, comerciante, empresário, colonizador, navegador, sertanista e ao mesmo tempo como botânico, zoólogo, geólogo, etnógrafo e historiador.

Desempenhou as funções de vereador na Câmara de Salvador (da Baía).

Gabriel Soares de Sousa é considerado o mais importante cronista do século XVI sobre o Brasil, coube a Varnhagen reeditar o seu trabalho em 1851, corrigindo os erros da primeira publicação. Em 1939 reedita-se novamente havendo, entretanto, novas edições.
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O Grande Livro dos Portugueses Esquecidos, Joaquim Fernandes, Círculo dos Leitores – Temas e Debates, 2008

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

Enciclopédia Mirador Internacional, Vol. 11, São Paulo – Rio de Janeiro, Brasil, 1981

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quinta-feira, 11 de julho de 2013

Infante D. Duarte


Conhecido também por Infante D. Duarte de Portugal, por D. Duarte II, sendo o I seu pai e ainda por D. Duarte de Bragança.

5º Duque de Guimarães, nasceu em Almeirim em Março de 1541, filho do Infante D. Duarte, que lhe transmitiu o título e de D. Isabel, filha do 4º Duque de Bragança, D. Jaime.

Era neto paterno de D. Manuel I e consequentemente sobrinho de D. João III.

Em 1555 tornou-se o 10.º Condestável de Portugal. Quando o rei D. João III  morreu, D.Duarte era um dos três descendentes masculinos legítimos vivos do rei D. D. Manuel I (para além do seu primo, o rei D. Sebastião e de seu tio, o cardeal-infante D. Henrique).

Teve lugar de privilégio na corte de D. João III e na de D. Sebastião, seu 2º primo, manteve posição de destaque.

D. Sebastião tratou-o sempre com o respeito que lhe era devido, pois ocupava posição cimeira na hierarquia do Estado e tanto mais que sem o monarca e sem ele ficava extinta a descendência varonil de D. Manuel. Estava pois na linha da sucessão da Coroa.

Tanto D. Sebastião como D. Duarte foram filhos póstumos.

D. Catarina e o Cardeal D. Henrique, que eram seus tios, durante o período das suas regências, concederam-lhe apreço, tendo sido convocado com outras altas personagens por D. Catarina, para dar parecer sobre a sua sucessão ao marido como regente e tutora do neto, o Rei D. Sebastião, tendo-se expressado positivamente.

O Senhor D. Duarte, no Conselho de Estado, onde era membro, votou a favor de um possível casamento do jovem rei com Margarida de Valois, apesar de ir contra o desejo do rei.

Como Condestável do Reino, foi-lhe entregue o comando da esquadra que se preparava para participar na Santa Liga e ocupou lugar de destaque na comitiva que acompanhou na jornada que fez ao Alentejo e ao Algarve, em 1573, tal como no ano seguinte ao norte de África.

O Senhor D. Duarte tinha grande interesse pela música e tinha junto do povo grande popularidade, circunstância que parece não ter agradado a D. Sebastião. Não tendo sido convidado pelo rei para uma tourada realizada em Xabregas (Lisboa), retirou-se da Corte e foi viver para Évora, onde veio a falecer em 28 de Novembro de 1576, com trinta e cinco anos, solteiro e sem deixar filhos.

Duarte II tinha duas irmãs mais velhas, a Infanta D. Maria (1538-1577) que casou com Alessandro Farnese, Duque de Parma e Piacenza e a Infanta D. Catarina (1540-1614) casada com D. João I, Duque de Bragança, que herdou os direitos de seu irmão ao Ducado de Guimarães.

Após a morte do Cardeal-rei, D. Henrique, foi pretendente ao trono português, sendo considerada por alguns juristas como a candidata com mais direitos.

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Dicionário Ilustrado da História de Portugal - Publicações - Alfa
História de Portugal, Vol. III - Joaquim Veríssimo Serrão
Uma Jornada ao Alentejo e ao Algarve - Francisco de Sales Loureiro - Livros Horizonte - 1984
Reis e Rainhas de Portugal - Manuel de Sousa - 2ª Edição – 2001
"Nobreza de Portugal e do Brasil" – Vol. I1. Publicado por Zairol Lda., Lisboa 1989
Brasões da Sala de Sintra (Vol.III), Anselmo Braamcamp Freire, Imprensa Nacional-Casa da Moeda
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terça-feira, 9 de julho de 2013

"Guia de Santarém"


O conhecimento da existência deste guia turístico vem dos tempos da nossa adolescência, altura em que nos começámos  a interessar por estes assuntos e isto porque líamos na imprensa local, mais propriamente, no Correio do Ribatejo referências a ele feitas pelos historiadores locais.

Nesses tempos não havia professores que nos mandassem às bibliotecas fazer qualquer consulta, para a realização de trabalhos, possivelmente, isso seria considerado subversivo.

Quando passávamos na “Rua da Amargura”, olhávamos sempre para aquele palácio onde se encontra a Biblioteca Municipal, edifício doado ao município para esse efeito por Anselmo Braamcamp Freire, historiador e genealogista. Tínhamos medo de subir as escadas e de perguntar fosse o que fosse.

No Liceu havia uma biblioteca, mas nunca conhecemos nenhum aluno que lá tivesse feito qualquer leitura. Ainda hoje há quem compre enciclopédias para encher a estante ficando assim o espaço com boa apresentação. Um gerente de uma livraria dizia-nos que isto era vender livros a metro!

Das poucas vezes que recorremos à biblioteca de Santarém nunca o fizemos para consultar este livrinho, onde possivelmente existirá, pois os motivos eram outros.

Já fizemos uma pequena referência neste espaço a José Ozório, o autor deste guia e em que indicámos, entre outras coisas que foi autor de um Guia de Santarém.

Acontece que recentemente num alfarrabista encontrámos o livrinho que tivemos oportunidade de consultar e até de adquirir e que obviamente já lemos.

No formato de 11X17 cm comporta 144 páginas, teve por editor, J. Cardoso da Silva, Santarém e veio a público em 1924.

Abre com um mapa da cidade, é ilustrado com gravuras que já eram do nosso conhecimento pois foram fazendo parte de várias obras editadas e de jornais e revistas, constituindo zincogravuras, processo então usado.

Além da referência aos templos da cidade, a lugares de interesse histórico, alude a terras circunvizinhas como Alcanhões, Almoster, Almeirim, Alpiarça, Azóia de Baixo, Cartaxo e Vale de Santarém, além de muitas indicações úteis e curiosas como Feiras, mercados e romarias, Imprensa periódica, na altura os semanários O Debate e Correio da Extremadura, actual Correio do Ribatejo, a Bibliografia sobre a cidade e até o número das badaladas que indicavam em que lugar se estavam a dar os incêndios.

Nas três páginas que dedica a Santarenos ilustres, entre muitos, apenas refere João Afonso de Santarém e Guilherme de Azevedo e apresenta fotografias dos Drs. Abel Anacoreta e Eduardo Santos, médicos falecidos em 1913 e que foram seus amigos.


É curioso verificar que as últimas 139 páginas são ocupadas por anúncios da mais variada origem e que nos dá a conhecer o comércio e a indústria locais. Naturalmente que tal receita ajudou a suportar os custos da edição.

domingo, 7 de julho de 2013

Infante D. Afonso


Segundo filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre foi o primeiro varão e consequentemente o primeiro na via de sucessão a seu pai como rei de Portugal.

Nasceu no paço real de Santarém no dia 30 de Junho de 1390 e foi baptizado a 3 de Outubro na então vila na velha Igreja de Santa Maria de Alcáçova, onde existia a primeira estátua de D. Afonso Henriques, hoje fazendo parte do Museu do Carmo.

O nome que lhe puseram esteve relacionado, certamente, com o dos seus ascendentes, que muito pugnaram para a fundação no aspecto bélico: D. Afonso Henriques, D. Afonso II, D. Afonso III e D. Afonso IV.

Nas Cortes de Évora de 1390-1391 foi jurado sucessor do trono, sendo seus procuradores o Condestável e o Mestre da Ordem de Cristo, D. Lopo Dias de Sousa, ficando assegurada a fidelidade da nobreza ao futuro herdeiro do trono.

Quando nasceu, D. João I festejou o acontecimento com justas reais, ou seja torneios da época que consistiam numa competição entre dois cavaleiros com armaduras de protecção, normalmente montados em cavalos, usando vários tipos de armas, nomeadamente, lanças.

Veio a falecer a 22 de Dezembro de 1400, por isso, com pouco mais de dez anos e foi sepultado na Sé de Braga, numa capela sob a torre sul.

O túmulo, recentemente reabilitado, estudado, veio da Flandres por encomenda da família real. É de um estilo gótico inédito composto por arca tumular, jacente e baldaquino. Os elementos em cobre existentes são revestidos por uma camada de ouro ou de prata e estão fixos a uma estrutura de madeira.

O príncipe herdeiro faleceu quando seguia acompanhado de sua mãe, a rainha D. Filipa de Lencastre, a caminha de Santiago de Compostela e possivelmente daí o ter ficado sepultado naquela cidade.
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D. João I, Maria Helena da Cruz Coelho, Temas e Debates, 2008.

Dicionário de História de Portugal, Direcção de Joel Serrão, Vol. II, Livraria Figueirinhas / Porto (Entrada Évora 3, Ruy de Abreu Torres).

Santarém – Raízes e Memórias – Páginas da Minha Agenda – Efemérides, José Campos Braz, 2000.

Dicionário de História de Portugal Ilustrado, Círculo de Leitores, Vol I, 1982.

http://bragamaior.blogspot.pt/2012/07/santiago-em-braga-o-tumulo-do-infante-d.html - Cons. 2.6.2013.