sábado, 13 de outubro de 2012

José Frederico Pereira Marecos

 
Nasceu em Santarém em 29 de Novembro de 1802 sendo filho de José Tiago Marecos (*) e de D. Ana Gertrudes Marecos.
 
 
Em 1819 estava matriculado no 1º ano do curso jurídico da Universidade de Coimbra e nessa altura foi-lhe dado como residência o Colégio da Trindade em Santarém, curso que certamente concluiu, visto ser considerado Bacharel formado em Direito pela Universidade de Coimbra.

Foi professor de Retórica e Poética no Real Colégio Militar e Oficial da Secretaria de Estado dos Negócios do Reino.

Exerceu com proficiência o lugar de Administrador da Imprensa Nacional de 1838 a 1844, substituindo José Liberato Freire de Carvalho.

Foi condecorado por D. Maria II em 16 de Março de 1840 e deputado às Cortes em 1842.

Considerado poeta inspirado e talentoso para poder figurar entre os seus conterrâneos de maior nomeada, se as condições políticas e a necessidade de dar-se a outros trabalhos não o tivessem desviado desta área de acção.

Em 1823 deu a público Poesias Diversas, editado em Coimbra na Imprensa da Universidade, de 110 páginas e dedicado a sua mãe.

Praticou o jornalismo político em vários períodos, destacando-se pela polidez, moderação e elegância de estilo.

Iniciou-se em 1827 coadjuvando José Liberato na redacção da Gazeta de Lisboa.

Em 1835 colaborou no jornal Tempo. Redigiu a Gazeta Oficial do Governo de Julho a Dezembro de 1834. Volta a este trabalho mais tarde, tendo-se despedido em 9 de Fevereiro de 1842.

Faleceu em Lisboa a 27 de Setembro de 1844.

Nunca o vi referido nos trabalhos que referem os santarenos em destaque.
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História de Portugal por M. Pinheiro Chagas e J. Barbosa Colen, Vol X, 1905.
Diccionario Bibliographico Portuguez, Estudos de Innocencio Francisco da Silva, Vol. IV, Lisboa, 1860, p 342.
Relação e Índice Alfabético dos estudantes Matriculados na Universidade de Coimbra no Ano Lectivo de 1819 para 1820, suas naturalidades, filiações e moradas.
https://www.incm.pt/portal/incm_hin.jsp

(*) Em 1823 aparece como membro da Câmara Municipal de Santarém (absolutista)  um José Thiago Marecos que admito possa ser este. In Santarém entre as Guerras Liberais, 1820 - 1835, Luís Eugénio Ferreira, 1977, p. 62


domingo, 30 de setembro de 2012

Bernardo de Sá Nogueira, Marquês de Sá da Bandeira




Das maiores figuras nascidas em Santarém, viu a luz do dia a 26 de Setembro de 1795, sendo filho primogénito do desembargador Faustino José Lopes Nogueira de Figueiredo e de D. Francisca Xavier de Sá Mendonça Cabral da Cunha Godolphim, recebendo o sacramento do baptismo na desaparecida Igreja de O Salvador.

Assenta praça como voluntário no Regimento de Cavalaria nº 11, em 1810, sendo logo promovido a cadete e a alferes em Dezembro do mesmo ano.

Distingue-se nas Guerras Peninsulares pela sua bravura e foi ferido gravemente em França na batalha de Gers, tendo sofrido várias cutiladas na cabeça deixando-o como morto.

Assinada a Paz em 1814, regressa à pátria quase surdo motivado pelos golpes de que foi alvo.

Pediu licença para estudos, regressando ao serviço militar em 1820.

Cedo abraçou as ideias liberais, revoltando-se contra os morticínios do Campo de Sant `Ana e da Torre de S. Julião da Barra. Uma vez em Paris, matricula-se na Universidade, onde tirou o curso de engenheiro.

Quando D. Miguel se faz aclamar rei absoluto, Sá Nogueira vê-se na necessidade de emigrar para a Galiza, pois os liberais são derrotados nos combates de Ega, Cruz de Marouços e Vouga, passando depois para Inglaterra.

Ao saber que a ilha da Madeira se tinha levantado a favor de D. Pedro, embarca para lá, mas encontra a revolta subjugada, pelo que segue viagem para o Brasil. Depois de conferenciar com D. Pedro, regressa à Inglaterra para se juntar aos seus correligionários.

Sabendo que o seu camarada de armas e de ideais políticos, António José Menezes Severiano de Noronha, mais tarde Duque da Terceira, se encontrava nesta ilha, para lá embarca e ajuda a ocupar todo o arquipélago, entrando nos combates do Pico, S. Jorge, Faial, S. Miguel e no combate da Ladeira-a-Velha onde os miguelistas são totalmente destroçados.
 

Casa onde nasceu Sá da Bandeira. Foto JV, 2011


Organizada a expedição do Mindelo, Bernardo de Sá acompanha D. Pedro como seu ajudante-de-campo e é enviado por este para conferenciar com o General José Cardoso no sentido de deixar efectuar o desembarque e reconhecesse o legítimo governo de Portugal. Não o conseguiu regressando a bordo, mas o desembarque faz-se no dia 8 de Julho de 1832 e no dia seguinte o exército liberal entrava na cidade do Porto.

Na defesa desta cidade e no Alto da Bandeira, em Gaia, batendo-se com heroicidade, como sempre fez, é ferido num braço que teve de ser amputado. Foi agraciado com o título de Barão de Sá da Bandeira em 4 de Abril de 1833.

É por sua influência nas hostes liberais que é recrutado o almirante inglês Napier, que veio a ter acção decisiva nos acontecimentos a nível naval.

Depois da ocupação de Lisboa pelo exército liberal, é nomeado governador da praça de Peniche, cargo de que é exonerado, pois foi nomeado comandante de operações no Algarve onde predominavam as guerrilhas miguelistas.

Após a Convenção de Évora-Monte e já brigadeiro, é agraciado com o título de Visconde em recompensa pelos serviços prestados à causa liberal.
 

Praça Sá da Bandeira. Anos 40


As qualidades de Sá da Bandeira não se restringiram às militares pois também entrou na luta política e parlamentar. A ele se deve o malogro da Belenzada movimento cartista contra a Revolução de Setembro que tinha implantado a Constituição de 1822.

O período político que se seguiu foi muito movimentado e Sá da Bandeira nele se encontrou para defender os seus ideais políticos.

Presidiu várias vezes os ministérios.

Deixou publicadas obras de interesse em vários ramos.

Foi elevado a 1º Marquês de Sá da Bandeira em 3 de Fevereiro de 1864.

Foi fidalgo da Casa Real, Conselheiro de Estado, Comendador da Ordem da Torre e Espada, Grã-Cruz da de Cristo, Rosa do Brasil, Leopoldo da Bélgica, Carlos III e Isabel a Católica de Espanha, etc.

Faleceu em Lisboa a 26 de Setembro de 1795, por isso, com 80 anos e por sua vontade expressa, foi sepultado em campa rasa no cemitério da terra onde nasceu e que por sua iniciativa foi elevada a cidade como era de todo o merecimento.

A cidade levantou-lhe, em frente da casa onde nasceu, uma estátua em bronze que constitui monumento valioso e que perpetua a sua memória.
Os sinos da Igreja Matriz de S. Salvador, templo onde foi baptizado, após o seu derrube devido a um terramoto, foram utilizados na feitura do monumento.

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Monumentos e Lendas de Santarém, Zephyrino N. G. Brandão, Lisboa, 1883.

Enciclopédia Histórica de Portugal, Dir. Duarte de Almeida, Vol. 11, Ed. João Romano Torres & cª, Lisboa, 1938.

Santarém lenda e história, Eugénio de Lemos, Santarém, 1940.

Santarém na História de Portugal, Joaquim Veríssimo Serrão, Santarém, 1950.

Santarém, História e Arte, Joaquim Veríssimo Serrão, Santarém, 1959 (2ª Edição).

Santarém no tempo, Virgílio Arruda, 1971.
 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Mancebos da Freguesia da Várzea em 1960



Apresento hoje uma fotografia com 52 anos , tratando-se de um grupo de mancebos recenseados pela freguesia da Várzea do concelho de Santarém e de uma maneira geral, todos de lá naturais.

A Inspecção Militar realizou-se no Distrito de Recrutamento e de Mobilização, onde num ano efectuei a minha, ainda que não vivesse lá fui englobado nos mancebos representativos daquela freguesia.

Tratava-se de um velho edifício na parte velha da cidade de ruas, becos e ruelas, para os lados da Travessa de José Paulo e da Igreja do Milagre.

Atendendo a que a inspecção teve lugar em 16 de Junho de 1960, isto é, tudo rapaziada que já ultrapassou os 70. Alguns, infelizmente, já não estão entre nós.

Este dia era popularmente designado pelo “Dia das Sortes”, um dos mais importantes na vida de alguns mancebos que o recordavam pela vida fora.

Era considerado e era realmente o dia da emancipação, o dia da maioridade, o dia em que se podia ser seleccionado para defender a Pátria.

Lá estavam os fatinhos novos a estriar como era apanágio de então.

Sei que havia uns lacinhos de cores diferentes que se colocavam na banda do casaco, significando a sua cor o apuramento para todo o serviço militar ou em oposição o ficar livre.

Os mancebos organizavam-se contratando um músico, normalmente, um acordeonista, que percorria com o grupo os principais lugares da freguesia e à noite realizava-se grande baile, onde as moças casadoiras não faltavam e que durava até às tantas.

Do grupo em questão, alguns estiveram nas guerras coloniais mas só consigo identificar três ou quatro, ainda que muitas caras não me sejam estranhas.

Agradeço ao meu velho Amigo António Augusto, que não vejo vai para 38 anos, (o 2º do lado direito no 1º plano) a cedência da foto para colocar no CORREIO DAS LEMBRANÇAS.

Tudo isto pertence ao passado, hoje para ir à tropa é preciso requerê-lo e a selecção é rigorosa. Só ficam os melhores.

Deixámos, felizmente, de ser um país de generais.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Joaquim Luís Gomes



Joaquim Luís Gomes nasceu em Santarém a 19 de Novembro de 1914 e faleceu em Lisboa no dia 23 de Julho de 2009, tendo ficado sepultado no cemitério de Benfica em Lisboa.

Revelando muito cedo propensão para a música, aos 18 anos entrou para o Batalhão de Caçadores 5, onde tocava clarinete e se manteve oito anos.

Tirou os cursos superiores de composição, harpa e clarinete do Conservatório Nacional de Lisboa. Foi harpista solista da Banda da G.N.R, onde ingressou em 1940 e regente da Banda da Companhia Carris de Ferro de Lisboa e maestro da Orquestra Típica Scalabitana da sua terra natal.

Também trabalhou na Emissora Nacional onde foi produtor de programas musicais. Conheceu grandes êxitos como compositor de música ligeira.

Trabalhou com artistas como Amália Rodrigues, Maria de Lourdes Resende, Maria Clara, Francisco José, Rui de Mascarenhas, Tony de Matos, Carlos do Carmo, Fernando Tordo, Simone de Oliveira e muitos mais.

Foi o orquestrador da canção Desfolhada Portuguesa que Simone de Oliveira interpretou no Festival da Canção. Orquestrou, igualmente, “Grândola vila morena”.

Entre as suas obras destacam-se uma Sonata para piano; Suite Infantil, para orquestra; Concertina, para harpa e orquestra; Olhos Verdes, partitura que obteve o 1º Prémio (Caravela de Ouro) no Festival da Canção Latina, em Génova.

É autor do fundo musical dos filmes Nun `Alvares, Herói e Santo; Madeira, Pérola do Atlântico, Canção de Embalar , Justiça dos Céus e Passagem de Nível.

Escreveu obras para orquestra sinfónica, harpa e piano, com destaque para "Pérolas Soltas", "Abertura Scalabitana", "Abidis", "Sonata em Mi Bemol" (para piano) e "Mar Português.

Dirigiu festivais da canção em Portugal, Inglaterra, Brasil e Espanha, em vários dos quais foram interpretadas canções que ele próprio compusera e orquestrara.
A Sociedade Portuguesa de Autores, de que era associado desde 1937, descreve-o como "uma das figuras mais marcantes da música portuguesa no século XX".

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Santarém no tempo, Virgílio Arruda, 1971.

Quem é quem – Portugueses Célebres, Círculo dos Leitores, 2008.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

José António da Silva Torres Ponce de Leão - Visconde da Serra do Pilar

Nasceu em Santarém a 16 de Março de 1782 e é lá que falece aos 66 anos.

Escolhendo a carreira das armas, assentou praça no Regimento de Cavalaria nº 1 em 1800. Era alferes em 1805, tenente em 1809 e capitão no ano seguinte. Promovido a major em 1814, a tenente-coronel em 1820 e a coronel em 1821.

Na Guerra Peninsular tomou parte nas batalhas de Albuera, Salamanca, Vitória e Pamplona.

Perfilhando as ideias liberais, quando o infante D. Miguel provoca o movimento militar conhecido pela Vilafrancada e quando comandava o Regimento de Cavalaria 2, no Alentejo, desloca-se para Santarém no sentido de fazer frente às tropas afectas a D. Miguel.

É perseguido pelas suas ideias liberais, chegando mesmo a estar preso por isso no Forte de Peniche.

Toma parte no embate da Cruz de Marouços e noutros recontros da mesma época.

Vê-se obrigado com outros correligionários a embarcar no Belfast emigrando para Inglaterra. Depois reúne-se aos liberais na ilha Terceira, único baluarte dos Constitucionais. Aí, comandando uma coluna ganha a batalha do Pico do Celeiro derrotando uma guerrilha miguelista, resultando, assim, a posse total da ilha por parte dos liberais.

Foi membro da Junta Provisória e governador do Castelo de S. João Baptista.

Santarém. Praça Visconde Serra do  Pilar
. Guache  de Vitor Faria
Regressou ao continente com a expedição do Mindelo, tomando parte no cerco do Porto. Bate-se em Ponte Ferreira e Souto Redondo.

Substituiu Sá da Bandeira, defendendo a posição estratégica da Serra do Pilar desde 8 de Setembro de 1832 a 25 de Novembro do ano seguinte, batendo-se com firmeza e galhardia. Destroçou as forças inimigas em Sto. Tirso e na Lixa, entrando em Amarante.

Em Agosto de 1833 vem para Lisboa, sendo encarregado de fortificar a Torre de Belém.

Foi encarregado do Governo Militar da província do Douro e interinamente da do Minho.

Foi Par do Reino, tenente-rei da Torre de Belém e mais tarde nomeado marechal - de - campo e tenente - general.

Entre várias condecorações possuía a Cruz de Ouro das Campanhas da Guerra Peninsular.

Foi agraciado com o título de 1º e único Barão do Pico do Celeiro por D. Maria II em 4 de Abril de 1833 e depois feito, em recompensa dos serviços prestados, Visconde da Serra do Pilar, também pela mesma rainha, em 1 de Dezembro de 1834.

Era filho de Lázaro da Silva Torres, Cavaleiro da Ordem de Cristo e Correio-Mor da Vila de Santarém e de D. Feliciana Rosa de Oliveira.

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Resenha das Famílias Titulares do Reino de Portugal, Imprensa Nacional, 1838.

Enciclopédia Histórica de Portugal, Dir. de Duarte de Almeida, Volume 11, Edição Romano Torres, 1938.

Santarém no Tempo, Virgílio Arruda, 1971.

Monumentos e Lendas da Santarém, Zephyrino N. G. Brandão, David Corazzi, Editor, Lisboa, 1883.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Ant%C3%B3nio_da_Silva_Torres

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Álvaro Nunes

Judeu, dizem que natural de Santarém onde teria nascido por meados do século XVI.

Para não desdizer a sua religião foi obrigado a exilar-se.

Acompanhou o Arquiduque Alberto, da Áustria como seu físico (médico) – mor, depois deste ter entrado em Lisboa como governador do Reino, em nome de Filipe I.

Na Flandres goza de grande reputação sendo aclamado professor de Medicina.

Era feliz nas curas que realizava e por isso nele brilhavam os conhecimentos científicos que tinha adquirido.

Os seus méritos repartiam-se ainda pelo conhecimento das línguas clássicas, filosofia, matemática e história.

Comentou em 1574 uma obra do médico espanhol, Francisco Arceu, um dos mais considerados médicos no século XVI.

O Prof. Doutor J. Veríssimo Serrão coloca-o entre as dez maiores figuras que nasceram em Santarém.

Faleceu em Antuérpia em 1603.

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Mapa de Portugal, João Bautista de Castro, 1763

Monumentos e Lendas de Santarém, Zephyrino N. O. Brandão. Lisboa, 1883

Santarém no Tempo, Virgílio Arruda, 1971

Páginas da História de Santarém, Joaquim Veríssimo Serrão, I Volume, Lisboa, 2008

O Grande Livro dos Portugueses Esquecidos, Joaquim Fernandes, Círculo dos Leitores / Temas e Debates, 2008

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Gregório Rodrigues Fernandes



Nasceu na vila ribatejana de Salvaterra de Magos em 4 de Janeiro de 1849.

Foi muito jovem para Lisboa onde estudou no Colégio de Santo Agostinho. Faz depois no Porto os preparatórios na Academia Politécnica.

Regressa a Lisboa para frequentar a Escola Médico-Cirúrgica onde se forma com distinção em 1873 (?) apresentando a tese As Ressecções e a Sua Importância Cirúrgica.

No Hospital de S. José é nomeado cirurgião do banco, passando a extraordinário em 1883 e a director de enfermaria do de S. Francisco em 1888.

Muito estudioso, andou sempre na vanguarda da ciência médica praticada na época, sendo considerado um excelente cirurgião.

Era grande amigo do não menos conhecido Dr. Sousa Martins, que era visita de sua casa e a cuja morte assiste.

Publicou vários trabalhos, entre os quais “A Patogenia da Febre Traumática, (1875)” e “Glaucoma e Recessão do Joelho” (1877). Este último trabalho relata uma intervenção altamente apreciada, sendo ele o primeiro cirurgião a realizá-la em Portugal. Contudo, o maior êxito foi alcançado em 1892, com o tratamento e extracção de tumor do útero e ovários.

Exerceu as funções de Delegado de Saúde de Lisboa e foi o 27º Presidente da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, (1903 – 1905).

Faleceu em Lisboa no dia 24 de Julho de 1906.

Foi pai de dois brilhantes médicos.

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Boletim da Junta de Província do Ribatejo, 1937 – 1940.

Quem é Quem – Portugueses Célebres, (Coord. Leonel de Oliveira) Círculo de Leitores, 2008.



domingo, 15 de julho de 2012

A Escola dos Combatentes [2]


Já apresentei aqui e incluída na rubrica Memórias do Meu Bairro a fotografia na minha 4ª classe [1948/49] realizada na escola que inaugurei com os meus colegas vindo transferido da do Pereiro, da velhinha que destruíram.

Talvez devido a essa publicação e a muitas referências que este  blogue faz a este já velhinho bairro da cidade, fui contactado de França por um antigo morador do Meu Bairro que também fez lá a sua 4ª classe e que está há muito radicado naquele país encontrando-se na situação de reforma.

Este grupo de 40 elementos, como eram as turmas de então, foram alunos do prof. Agnelo da Silva Lázaro que igualmente foi meu professor. No ano seguinte à minha 4ª classe, iniciaram estes a 1ª com o professor Agnelo, vulgo entre os alunos Bintóito, devido à sua pronúncia de beirão que nunca perdeu. Esta fotografia representa a 3ª classe.

É graças à amabilidade do meu amigo Carlos Isidoro que a posso publicar com a identificação que fez passados tantos anos o que motivou algumas falhas e interrogações absolutamente naturais.

O nº 1 é o José Pinto, 2-Narciso, 3- Quim Fontes, 4- Coelho, 5-Matos, 6-Luís Filipe, 7-Ernesto, 8. CARLOS ISIDORO, por alcunha o “pcanino”, 9-Manuel Castro, 10-Rui de Oliveira, 11-Branco, 12- por alcunha o Tejo, 3-Salvador, 14 – Samouco, 15-Hilário da Rampa, 16 – Faia, 17- Valdemar, 18- Conde (dos cestos), 19- Manuel José, irmão do Maroca, 20 – Caiado, 21- (não identificado), 22- Conceição, 23 (não identificado), 24- Ramiro, 25-Mariano, 26- Plaza, 27- Valente, 28 – Defensor, da ribanceira, 29 – Verdasca, da estrada das Padeiras, 30(não identificado), 31 – Pedro, 32 – Ribeiro, 33 – por alcunha o avô, 34 (irmão de uma empregada da sapataria Plaza), 35 (não identificado), 36 – António Alfaro Matias, 37-António Oliveira (?), 38- Maroca Santana (?), 39- Cruz.

A contínua é a Menina Marcelina.

Lembro-me bem da maior parte deles, principalmente dos que viviam mais próximo de mim e muitos deles nunca mais os vi e não sei por onde andam. Os últimos que me lembro de ter encontrado foram o Quim Fontes, o Valdemar e o Carlos Mariano.

Se alguém procurar dar uma achega a este texto tem na página o meu e-mail de contacto e será bem-vindo.
Actual edifício escolar, muito aumentado em relação ao original. Foto JV

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Pedro Eanes Lobato




Viveu no século XIV / XV abrangendo os reinados de D. Fernando, D. João I, D. Duarte e de D. Afonso V.

Nasceu em Santarém em data incerta tendo servido D. João Afonso Telo de Meneses, irmão da rainha D. Leonor Teles.

Quando se deu o problema da sucessão de D. Fernando colocou-se ao lado de D. João I, Mestre de Avis, que o armou cavaleiro antes da batalha de Aljubarrota onde se encontrou.

D. Nuno Álvares Pereira teve-o sempre a seu lado constituindo, juntamente, com João Vasques de Almada e Afonso Pires da Charneca o seu Conselho de Guerra.

Não podia deixar de fazer parte da expedição para a conquista de Ceuta sendo capitão de uma das naus.

D. João I nomeia-o vedor da Fazenda ou seja zelador ao mais alto nível pela administração do património e da Fazenda.

Exerceu, seguidamente, as funções de regedor da Casa do Cível, Tribunal que lhe cabia o julgamento das apelações cíveis.

Com a subida ao trono de D. Duarte, este nomeou-o para o seu Conselho e enviou-o como embaixador a Castela.

Tomou parte nas Cortes de Torres Novas, reunidas em 10 de Novembro de 1439 para decidir da regência do Reino e onde se digladiavam os dois partidos, o da rainha, viúva e o do infante D, Pedro. O Infante D. Henrique conseguiu organizar um documento bipartido que as partes aceitaram mas não por muito tempo. Eanes Lobato pertencia ao partido da rainha.

D. Nuno Álvares Pereira doou-lhe os direitos de Almada e em memória da amizade que os unia e como agradecimento dos serviços que lhe prestou, junto da sua quinta que tinha fundado em Corroios fundou outra próximo no sítio de Cheiraventos de que lhe fez presente. Parece que teria mudado de nome para Quinta dos Lobatos.

O Palácio de Cheiraventos, nos finais do séc. XIX foi utilizado como retiro pelo rei D. Carlos e pela rainha D. Amélia

Além dos seus atributos de militar era muito versado em letras.

Pedro Eanes Lobato veio a falecer em Lisboa e de avançada idade.

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Enciclopédia Histórica de Portugal Vol. 8 (Direcção de Duarte de Almeida) João Romano Torres & Cª, Lisboa, 1938

Monumentos e Lendas de Santarém, Zephyrino N. G. Brandão, Lisboa, David Corazzi, Editor, 1883

Santarém História e Arte, Edição da Comissão Municipal de Turismo de Santarém, 2ª Edição, 1959

Santarém no Tempo, Virgílio Arruda, Edição da Comissão Municipal de Turismo de Santarém, 1971

Htt://www.eb1-fogueteiro-n3.rcts.pt/cidade_amora.htm


sábado, 17 de março de 2012

António Prestes

Enquanto Zeferino Brandão e Virgílio Arruda na sua peugada dizem ter nascido em Santarém, outros dão-no como tendo visto a luz do dia em Torres Novas, o que parece ser mais seguro, casando contudo em Santarém.

É nesta então vila que exerce a função de inquiridor do Juízo Cível mas em 1565 já exercia a magistratura em Lisboa.

Dedicou-se ao teatro escrevendo sete autos: o da Ave-Maria, o do Procurador, o do Desembargador, o dos Dois Irmãos, o da Ciosa, o do Mouro Encantado e o dos Cantarinhos.

Os seus trabalhos de teatro demonstram uma atenta observação do meio social e na linha de Gil Vicente.

Os seus autos aparecem compilados com outros em 1587 e reunidos por Afonso Lopes

Dirigida por Tito de Noronha aparece uma 2ª Edição em 1871 e que parece comportar variadíssimos erros.

A sua obra é controversa e por isso tem merecido opiniões desencontradas. Se para uns a sua poesia tem pouca valia, para outros é considerado entre os grandes que lamentam o esquecimento para que tem sido relegado.

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Monumentos e Lendas de Santarém, Zephyrino Brandão, Lisboa, 1883.

Santarém no Tempo, Virgílio Arruda, 3ª Edição, 1999.

Verbo, Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, vol. XV.

Dicionário Bibliográfico Português, Inocêncio P. da Silva, Vol I (1858) e Vol.(1867)

http://www.fl.ul.pt/cet-publicacoes/cet-livros/780-autos-de-antonio-prestes