quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Fernão Teles de Meneses

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 24 de DEZEMBRO DE 1999)



Já aqui falámos de um Fernão Teles de Menezes, ou da Silveira, Este homónimo tem uma biografia diferente, sendo mais velho.

Nasceu em Santarém o pelo menos quarto filho de Brás Teles de Menezes, alcaide-mor de Moura, camareiro por carta de 12 de Maio de 1522 e guarda-mor, capitão de ginetes do filho de D. Manuel I, o Infante D. Luís e de D. Catarina de Brito, sua mulher.

Os seus pais foram sepultados na igreja do Convento de S. Domingos, em Santarém.

Fernão Teles casou com D. Maria de Noronha, filha de D. Francisco de Faro, o 4º Senhor do Vimieiro, vedor da Fazenda de D. Sebastião e de D. Henrique.

Partiu para a Índia em 1566 e foi capitão de uma das fustas na expedição dirigida pelo Vice-Rei D. António de Noronha contra a rainha d ‘Olala, em 1568.

Fez parte do socorro mandado pelo Conde de Atouguia, em 1570, a Chaul para libertar esta praça do cerco que lhe tinham posto.

Quando morreu o 12º Vice-Rei, o Conde de Atouguia, D. Luís de Ataíde, em 10 de Março de 1581, governou até à chegada do novo Vice-Rei, D. Francisco de Mascarenhas, Conde de Santa Cruz.

Apressou-se para fazer jurar e reconhecer Filipe I como legítimo soberano.

Entregue o governo, regressa ao Reino onde lhe dão o governo do Algarve (1587), a Capitania-mor da Armada do Consulado, um lugar no Congresso de Estado e por alvará de 12 de Julho de 1587, a regedoria das Justiças da Casa da Suplicação.

Em 25 de Maio de 1587, o corsário Francisco Draque, desembarcou um grande exército junto de Lagos com o intuito de saquear e destruir a cidade.

Verificando a boa ordem e disposição dos moradores, capitaneados pelo governador, retirou sobre o caso de S. Vicente onde destruiu a fortaleza e o convento que tinha sido mandado edificar pelo Bispo de Silves.

Fernão Teles de Menezes era muito dedicado à Companhia de Jesus. Enquanto na Índia mandou dar-lhe anualmente dois mil pardaus.

Uma vez em Lisboa, na sua quinta do Monte Olivete, mandou fundar um noviciado, para aquela companhia de Jesus. Aqui ficou sepultado com a esposa.

Com a expulsão dos jesuítas instalou-se o Colégio dos Nobres e mais tarde a Escola Politécnica.

Fernão Teles de Meneses faleceu no dia 26 de Novembro de 1605.
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Brasões da Sala de Sintra (Vol.II), 1927, Anselmo Braamcamp Freire
Monografia de Lagos, 1991, Manuel João Paulo Freire

terça-feira, 28 de setembro de 2010

D. Jerónimo de Menezes

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 24 DE DEZEMBRO DE 1999)

Escalabitano nascido no século XVI.

Teólogo de alta capacidade e singular erudição, é como o apresenta o Dr. Virgílio Arruda.

Subiu ao alto cargo de Reitor da Universidade de Coimbra.
Foi o 5º Bispo de Miranda (1579 – 1593) e é nesta qualidade que se encontra nas Cortes de Tomar realizadas em 1581.

Transitou depois para a Diocese do Porto onde foi bispo de 1593 a 1600.
Nos lugares que desempenhou, deixou assinalados os seus méritos e virtudes.
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Boletim da Junta de Província do Ribatejo de 1937/40
Santarém, Lenda e História, 1940, Eugénio de Lemos
Santarém na História de Portugal, 1950, J. Veríssimo Serrão
Santarém no Tempo, 1971, Virgílio Arruda
História de Portugal (Vol IV), J. Veríssimo Serrão

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

As caqueiradas

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 9 DE JUNHO DE 2005)

Os costumes, usos e tradições vão-se esboroando no decorrer do tempo!

O que fica ? A memória de alguns dos mais idosos que inexoravelmente vai desaparecendo e quando muito se transmite aos filhos, numa ou duas gerações. O que permanecerá mais tempo, será o que fica escrito aqui e ali, em jornais, revistas ou livros e que não desaparece com facilidade.

A imprensa regional tem um papel importantíssimo – é pena que por vezes nos tenhamos que deslocar a bibliotecas distantes para consultar um jornal pois as Câmaras Municipais, em grande número, descura estas informações extremamente importantes para formar a história de um concelho, de uma freguesia, de uma pequena localidade !

O nosso velhinho CORREIO DO RIBATEJO, é um manancial de informação!

Este pequeno intróito procura justificar a razão deste pequeno escrito.

Haverá na freguesia da Várzea quem tenha praticado o uso ou costume das CAQUEIRADAS? Pensamos que não. Poderá haver quando muito, quem se lembre de ouvir falar a seus pais e avós e isto no caso de terem boa memória, o que não acontece a todos, como sabem.

Tendo nascido comigo o gosto por estas coisas e privilegiando o contacto familiar, nomeadamente com aqueles que me trouxeram ao Mundo, tudo era pretexto para falar e saber coisas passadas.

Dos quase sessenta assuntos que aqui tenho abordado sobre a freguesia da Várzea, se alguns puderam vir a público foi porque o conhecimento sobre eles foi-nos transmitido por minha mãe que além do espírito aberto que possuía, tinha poder de observação e ... boa memória.

Mais uma vez, assim vai acontecer.

Na altura do carnaval e devido a algum alvoroço que em minha casa sempre havia, minha mãe recordava os seus tempos que já não tinham nada a ver com o dos filhos. Ia contando com grande realismo e eu ia aproveitando para fazer perguntas sobre isto e aquilo. Estava atento e como gostava do assunto fixava com alguma facilidade.

Ora, uma das coisas que minha mãe contava, quando era pequenota, talvez por volta de 1914, era o de ir deitar CAQUEIRADAS com as irmãs e alguma vizinha, a uma velhota de que dizia o nome e já não me recordo, que morava numa estreita travessa que ficava nas traseiras da Capela de Stº António, por onde nunca passei e não sei se ainda existe.

[Vilgateira, Rua Padre Manuel Escabelado. Foto JV, 2010]

A mãe, minha avó, não era muito para estas coisas mas a verdade é que ia consentindo anualmente a brincadeira carnavalesca.

Na época própria, no Entrudo, num dia combinado e ao cair da noite juntavam-se as pequenitas que traziam escondidos quartas, panelas ou qualquer outro objecto de barro que durante o ano anterior se tinha partido e não dava conserto já que, nesses tempos, mandavam-se gatear muitas peças partidas. Ainda não havia as colas sintéticas que hoje existem!

Eufóricas mas receosas, lá se organizavam cabendo a minha mãe as decisões mais importantes, já que era a mais extrovertida.

O terreno era previamente investigado por alguma das trabalhadoras da casa dando a indicação de que estavam em condições de actuar.

Lá iam embuçadas as pequenitas e zás, objectos jogados para a entrada da porta da velhota de maneira que causassem o maior barulho e número de cacos! Ao ouvir o estrondo e ver a cacaria espalhada, a vítima chegava à porta fazendo ameaças de todo o tipo e vociferando impropérios (minhas estas ... minhas aquelas) aos autores da proeza que, rindo-se, se escapuliam como podiam. A trabalhadora tinha ficado a vigiar a situação para dar a ajuda necessária, se fosse caso disso.

Regressavam a casa satisfeitas com a proeza cometida, recordando como as coisas se tinham passado.

Encontrei costume idêntico no Algarve serrano onde ainda se praticava nos meados do século passado, dentro de moldes semelhantes e a que chamavam TESTADAS.

Até quando se praticaram as CAQUEIRADAS na freguesia da Várzea?

Nunca chegou ao meu conhecimento mais qualquer nota.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

P. Diogo da Franca

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 7 DE JANEIRO DE 2000)

[Igreja de Sto. António dos Portugueses, em Roma]
O presbítero secular, Diogo Lopes da Franca, nasceu em Santarém e faleceu em Roma, a 25 de Março de 1649. Ficou sepultado na igreja de Santo António dos Portugueses.

Viveu muitos anos em Roma onde possuía benefícios rendosos.

Publicou: Guia Perfettione e Spechio Dell`Anima, 1628.
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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.

Dicionário Bibliográfico Português, Inocêncio Francisco da Silva.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

D. Frei Sebastião de Meneses

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 24 DE DEZEMBRO DE 1999)



Religioso da Ordem da Trindade, cujo primeiro convento em Portugal foi construído no reinado de D. Sancho II, na sua terra natal.

Dele só resta a torre e mesmo essa esteve para ser demolida e já nos nossos dias, lembrando-me da polémica surgida e de que as páginas deste jornal fizeram eco.

Doutor em Teologia, D. João I nomeou-o seu embaixador em França, governada por Carlos VI e junto do papa João XXII:

E sagrado por este sumo pontífice na igreja de S. Tomás de Formis, arcebispo de Cartago e patriarca de África.

Veio a falecer em Roma onde ficou sepultado.
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Santarém, Lenda e História, Eugénio de Lemos,1940.

Santarém no Tempo, Virgílio Arruda, 1971.

sábado, 18 de setembro de 2010

Os sapateiros

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 2 DE JULHO DE 2002)

Na recente passagem pela minha cidade natal e que aqui já referi muito superficialmente, um amigo do MEU BAIRRO disse-me que agora, depois dos padeiros, seriam os sapateiros !

Comecei a pensar nisso e a verdade é que aproveitei a sua sugestão, veremos, contudo, se a minha memória me ajuda e se consigo articular o assunto com o mínimo possível de falhas.

A arte de fazer calçado manualmente era uma actividade muito importante ainda no século XIX o que se estendeu até meados do século seguinte. A par desta existiam os moleiros, ferreiros, oleiros, marceneiros, tanoeiros, atafoneiros, abegões, correeiros, alvanéis, albardeiros etc., etc, em maior ou menor número conforme as zonas em que se inseriam.

Algumas destas actividades, senão todas, encontram-se extintas ou em vias de extinção. A evolução das coisas com o desenvolvimento da indústria, tudo transformou.

Os sapateiros distribuíam-se por todo o país, desde as cidades aos mais recônditos lugares. Também eles sofreram o ataque da indústria transformadora e foram-se aguentando nos primeiros tempos pois continuava a haver quem não dispensasse o sapatinho manufacturado. O aperfeiçoamento industrial e principalmente o preço competitivo obrigaram a balança a pender para um dos lados.

O sapateiro mais antigo no MEU BAIRRO, sempre me lembro dele, possivelmente teria sido dos primeiros moradores, tinha a sua oficina a meio da Avenida dos Combatentes, com entrada para esta e para o Pátio Frazão. A casa ainda lá se encontra, com pequenas modificações e funciona como estabelecimento comercial.

[Pátio Frazão. Foto JV]

O sapateiro, para mim na altura o único no bairro, ali veio a falecer já de idade avançada.

Era uma figura típica do MEU BAIRRO, com características físicas bem diferenciadas.

Toda a gente o conhecia por um nome que não tinha, ao seu antropónimo juntaram o da mãe, como então era vulgar.

Considerava-se e efectivamente era, tanto quanto sei, um bom sapateiro, ou melhor, um manufactor de calçado como sempre se considerou.

Trabalhava do lado direito de quem entrasse na oficina, sentando-se em pequeno mocho de madeira, de gaveta, tendo na sua frente pequena banca onde colocava a ferramenta, quando não necessária. Punha o pequeno avental de cabedal, para se proteger. Ao lado, um velho alguidar de barro era o recipiente indicado para pôr a sola de molho, para amaciar e poder bater, tornando-a mais concisa e durável. Para isso havia um seixo que se acomodava entre as pernas e sobre o qual a sola era fortemente batido com um martelo próprio, de base larga.

Penduradas na parede ou numa prateleira alta, encontravam-se por ordem as formas de madeira, de diferentes números que se utilizavam a obra nova e em determinados consertos.

Havia igualmente uma forma de ferro, de três pés, destinada a outros tipos de consertos. Nessas alturas, além de se mandarem pôr meias-solas e saltos, também se punham tombas e viras pois o calçado aguentava mais uns tempos sem necessidade de comprar outro.

A turquês especial, de bico, proporcionava o esticar conveniente do cabedal, fixado com o prego adequado. Os furos para coser eram feitos com uma sovela pela qual passavam os fios devidamente preparados, penso que com cera e em cuja extremidade lhe era colocada uma cerda. O sapateiro para poder esticar convenientemente o fio, utilizava uma protecção nas mãos, de que não recordo o nome, se o tinha, como penso. Mesmo assim as suas mãos não deixavam de ficar marcadas por fissuras provocadas pela linha.

O sapateiro utilizava vários tipos de prego, incluindo o de cobre, conforme o trabalho a executar.

Por essas alturas, não se dispensava o uso de protectores nos sapatos e as botas eram cardadas. Quando utilizadas pelos jovens, transformavam-nas em patins, sobre o cimento.

A colocação de capas no calçado de senhora era uma constante. Os saltos eram de madeira só aparecendo depois os de alumínio. Nessa altura ainda não havia as capas de plástico.

Os buracos provocados pelos pregos, eram tapados com os paus dos fósforos, aguçados e embutidos com cola própria. A faca, que se afiava com muita frequência, fazia o acerto. Depois de pregado o bocadinho de sola, era facilmente cortado pelo artista pelo sítio devido. Depois, punha-se a cera com o retoque do ferro.

Só bem mais tarde aparece outro sapateiro a abrir oficina no MEU BAIRRO, igualmente na avenida e próximo do Pátio do Parente e onde penso ainda estar uma tabacaria e venda de jornais e revistas.
Ainda que nela trabalhassem dois irmãos, infelizmente um já desaparecido há anos, era da responsabilidade do mais velho. Não vou repetir os trabalhos que aí se faziam que eram iguais aos já referidos, mas existem coisas interessantes para recordar.

As oficinas de sapateiro foram sempre locais de encontro e era esta que eu frequentava pela maior proximidade de idades. Eram ambos desportistas e guarda-redes de futebol, tendo sido o mais velho, como por várias vezes tenho escrito neste jornal, um dos melhores que Santarém já deu.

[Local de venda de Jornais e onde trabalharam dois sapateiros. Foto JV]

Comprava sempre o jornal “A Bola” e era lá que eu aproveitava para o ler. Eram muito espirituosos e brincalhões e a rapaziada era sempre bem recebida e esgotava facilmente os poucos lugares disponíveis, já que era uma pequena divisão. Quando não havia lugar disponível o pessoal ficava à porta e então era ouvir a voz firme do patrão:- Vá, tirem os taipais, quero trabalhar e não vejo nada. Então a “malta” tinha que desandar.

Na época de férias, passei muitas horas junto deles. Quando estavam bem dispostos, assobiavam e com os martelos e outras ferramentas faziam uma “orquestra”. O mais velho era mais letrado e brincava muitas vezes com a falta de conhecimentos do irmão, mas este retorquia sempre defendendo-se como podia e por vezes com tal espiritualidade que o mais velho e eu partíamo-nos a rir.

De vez em quando eu era posto à prova com perguntas de algibeira do mais velho, tais como, qual e onde era a maior profundidade do Oceano Pacífico; em que arquipélago ficava a ilha tal, etc, etc, perguntas a que de uma maneira geral não sabia responder - de vez em quando lá aparecia uma mais acessível e que acertava !

O trabalho ia dando para os dois mas não se podiam descuidar para safar o dia. Ao Sábado havia grande azáfama e trabalhavam até tarde para cumprir os compromissos. Uma freguesa que era minha vizinha era considerada a melhor pelo muito trabalho que dava. A ela, por mais trabalho que houvesse, nunca se dizia que não!

O mais velho, é apanhado numa altura em que a lei obrigava a ter a quarta classe para jogar futebol e então calhou-me a mim a prepará-lo para esse exame, apesar de já saber ler e escrever com alguma fluidez. Quanto a isso estava tudo bem mas tivemos que dar uma volta à aritmética e aos problemas mas tudo decorreu depressa e bem.

Na oficina, até em política se chegou a falar. Dizia-me o Mestre Sapateiro:- Alpiarça é uma Nação e (na altura das manifestações estudantis), estes tipos são todos os mesmos, depois de terem os cursos, querem é poleiro, mudam logo de ideias !

Depois de sair do MEU BAIRRO e iniciar a minha vida profissional, o que foi feito bem longe, sempre que passava por Santarém não deixava de fazer a visita, sendo sempre recebido com a mesma espiritualidade e com o título de senhor professor, que não era. A partir daí, nunca mudou a agulha.

Entretanto o irmão emigrou e ele arranjou emprego. Ainda vi o irmão uma vez junto da desaparecida Papelaria Silva. Foi então a conversa possível. Pouco tempo depois tive conhecimento da sua morte através deste jornal.

O mais velho vi-o pela última vez à cerca de vinte anos! Encontrei-o na estrada para Rio Maior e parei para o abraçar.

Nas horas ali passadas, acabei por aprender a pôr capas, tacões e outros pequenos trabalhos. Possuo forma de ferro, faca, ferro de bornir mas há muito que não lhe toco. Tenho saudades !


Para terminar direi que antes desta oficina trabalhar nestes termos, havia no mesmo local uma espécie de fabriqueta que só se destinava a obra nova e que passou para a traseira do prédio.

No início da avenida existiu outra fabriqueta de maior dimensão e fundada por indivíduo originário do país vizinho.

Aqui fica o que consegui recolher no sótão da minha memória.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Frei Manuel Coelho

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 7 DE JANEIRO DE 2000)


Pertenceu à Ordem de S. Domingos este afamado pregador que nasceu em Santarém a 24 de Setembro de 1679.

Jubilado em Teologia, foi reitor do Colégio de Coimbra, prior do Convento de Lisboa e seu provincial eleito a 25 de Abril de 1744.

Foi igualmente deputado do Santo Ofício na capital e vigário do Convento do Sacramento de religiosas dominicanas.

Faleceu em Lisboa no dia 16 de Setembro de 1754.
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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

José Manuel Casqueiro, um varzeense de têmpera

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 24 DE SETEMBRO DE 2004)



Varzeense dos nossos dias, José Manuel Rodrigues Casqueiro nasceu a 21 de Julho de 1944 na Quinta do Freixo, freguesia da Várzea, concelho de Santarém e que pertencia a seus pais, Jacinto Falcão Casqueiro e D. Maria Isabel Costa Rodrigues.

Fez o então ensino primário na escola da sua freguesia natal e o chamado 1º ciclo no Liceu Nacional de Santarém, onde logo se mostrou um “caloiro” irreverente. Não esperou pelo 2º ciclo, para ingressar na Escola de Regentes Agrícolas de Santarém, como fez seu irmão e ingressou logo, curso que concluiu em 1971.

Era assim engenheiro técnico agrário de formação, tendo sido criado num ambiente agrícola, como era a casa de seus pais.

Exerceu funções no Centro Nacional de Fruticultura, em Alcobaça.

Cumpre o serviço militar, ingressando na Escola Prática de Cavalaria e é mobilizado para a Guiné, onde foi ferido.

Quando já trabalhava na Brigada Técnica de Santarém em 1975, é afastado dessas funções.

Bateu-se pelos direitos dos agricultores contra a “Reforma Agrária” e a hegemonia das forças políticas da esquerda radical, liderando ou participando em movimentos de contestação dos agricultores às políticas agrárias de que é exemplo marcante a agitação em Rio Maior, por ocasião do 25 de Novembro de 1975.

A sua acção veio a impedir os objectivos de ocupação de muitas propriedades rústicas.

Participa activamente na fundação da CAP (Confederação dos Agricultores Portugueses) desempenhando o cargo de secretário-geral durante vinte e quatro anos, demonstrando firmeza, determinação, frontalidade e coragem que o tornou uma figura pública conhecida em todo o País.

Homem de centro-direita, foi eleito deputado à Assembleia da República, como independente, pela AD e pelo PSD, mas nunca pelo círculo eleitoral da sua região natal.

Figura controversa, José Manuel Casqueiro sempre afirmou com clareza e frontalidade os seus pontos de vista gerando naturalmente defensores e opositores. Há quem pense que nessas alturas, para se ser ministro da agricultura, tinha que se merecer o aval de José Casqueiro!

Foi vice-presidente da Feira Nacional da Agricultura e depois presidente do conselho de administração do CNEMA (Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas) e tendo tido acção na promoção da 1ª Feira Nacional do Toiro.

Exerceu igualmente o lugar de presidente da Cooperativa dos Produtores Agrícolas de Santarém, desempenhando ultimamente, em representação da Associação dos Produtores Agrícolas da região de Rio Maior a presidência da Federação dos Produtores Florestais de Portugal.

Católico praticante, na juventude foi dirigente da Juventude Agrária Católica.

Dividia o seu tempo entre o Brasil, onde casou pela segunda vez e dirigia uma empresa de exportação de produtos de artesanato e Portugal.

Vítima de ataque cardíaco, faleceu no Brasil no dia 25 de Setembro de 2003, com cinquenta e nove anos.

O nosso conterrâneo, com quem lidámos na juventude, foi sempre um “brigão”, no bom sentido da palavra. Foi-o na juventude e pela vida fora.

Estou a vê-lo nas jogatanas de futebol, baixo e já entroncada, a lutar com fibra e raça com os “calmeirões” defensivos!

Era assim o José Manuel Rodrigues Casqueiro!

É esta a nossa pequena homenagem, na passagem do primeiro aniversário do seu falecimento.


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A Freguesia da Várzea (do concelho de Santarém)
- Achegas para uma monografia
-1990 - José Varzeano (policopiado)

Expresso Regiões de 8 de Junho de 1985

Jornal “O Ribatejo” de 2 de Outubro de 2003

Correio do Ribatejo, 3 de Outubro de 2003.

domingo, 12 de setembro de 2010

P. António Gomes

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 7 DE JANEIRO DE 2000)


Outro santareno, sacerdote jesuíta. Recebeu o hábito no Colégio de Coimbra da Companhia de Jesus em 10 de Abril de 1645, tendo exercido o cargo de coadjutor nessa instituição.

Partiu em missão para o Oriente, percorrendo o império de Monomotapa (grande reino do sul de África que abrangia o actual Moçambique e a antiga Rodésia).

Regressado a Salsete (Índia), escreveu a VIAGEM AO IMPÉRIO DE MONOMOTAPA E ASSISTÊNCIA QUE FEZ DAS DITAS TERRAS, obra que ficou inédita

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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

P. Dias Cardoso

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 7 DE JANEIRO DE 2000)

Cónego doutoral da Sé de Évora, nasceu em Santarém.

Era formado em Cânones pela Universidade de Coimbra.

Foi eleito inquisidor do Santo Ofício em 1589, naquela cidade, sendo transferido para Évora em 1602.

Foi igualmente Deputado do Conselho Geral do Santo Ofício (1610).

Escreveu, recompilando, em 1613, por ordem do inquisidor geral D. Pedro de Castilho, o REGIMENTO DO SANTO OFÍCIO DE PORTUGAL, e que parece ter sido o primeiro mandado imprimir em Portugal pela Inquisição.

Faleceu em Lisboa no dia 26 de Janeiro de 1624 e chamava-se, António Dias Cardoso.

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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
Dicionário Biblográfico Português, Inocêncio Francisco da Silva, 1858