quarta-feira, 21 de julho de 2010
domingo, 18 de julho de 2010
Padeiros
Padeiro é, segundo os dicionários, o homem que fabrica ou vende pão; dono de padaria. Neste caso, o título da MEMÓRIA apresentada, só significa o homem que venda pão, já que, pelo menos enquanto vivi no MEU BAIRRO, não me lembro da existência de qualquer padaria. Que eu saiba, viveu contudo no MEU BAIRRO um industrial de panificação que penso também sabia fazer pão e a sua padaria situava-se em instalações que fizeram parte do solar dos Saldanha, ainda com pedra de armas, frente ao mercado municipal (vulgo praça).
Padeiro de profissão, isto é fabricante de pão, durante toda a vida e sempre o conheci vivendo em casa própria, no meu bairro, mas trabalhando na cidade, como então dizíamos, o meu saudoso amigo, alentejano de Mértola, o Sr. José Gomes. (1) A sua primeira mulher e mãe dos seus filhos, de que bem me lembro apesar do seu desaparecimento já ter ocorrido há muitos anos, penso que há mais de cinquenta, desempenhava uma actividade relacionada com o pão, pensando eu ter sido vendedeira.

Vendedeiras de pão, além da já referida e que me lembro ser oriunda da freguesia de Achete, tivemos pelo menos três pessoas do sexo feminino que exerciam a sua actividade nos depósitos do mercado municipal, (mas que viviam no MEU BAIRRO) lojas que circundavam o ainda belo edifício. Havia depósitos de pão, mercearias, talhos, depósito de sementes, pequenos cafés principalmente utilizados pelos trabalhadores do mercado. Destas três figuras, duas eram familiares, mãe e filha, e a outra, ajudou-me a criar.
Sempre me lembro de existir no MEU BAIRRO um depósito de pão que era explorado pelo Sr. Ribeiro, mais tarde por seu filho e depois alugado a quem o explorou por muitos anos, pelo menos até eu lá ter vivido (1959/60). Era aí que eu me deslocava a mandado de minha mãe, para a compra do indispensável pão, o que acontecia com grande parte dos residentes.
Além de toda esta gente que tinha a sua actividade relacionado com o pão, viviam no bairro também os vendedores ambulantes de pão.
O transporte era feito de bicicleta a pedal. Um grande seirão de duas bolsas, confeccionado de verga, era colocado no porta-bagagens da pasteleira. Devido ao peso, muitas vezes os padeiros mandavam adaptar uma roda traseira mais robusta, de secção mais avantajada para assim poder aguentar o peso do padeiro, do pão e da verga, ainda que esta fosse relativamente leve.
O vendedor tinha um contrato com o fabricante, comprando a determinado preço por cada quilo, já que cem pães, não pesavam cem quilos. Depois, vendia à unidade e não ao peso.
O seirão era forrado de pano branco sendo o pão igualmente tapado com o mesmo pano.
Levantavam-se bem cedo para ao sair dos fornos estarem aptos a recebê-lo, bem quentinho, a estalar e lá iam à sua vida, correndo toda a cidade, com roteiro elaborado e fregueses certos, vendendo contudo a quem o solicitasse. Acabava-se a carrada, ia-se buscar outra e outra, até satisfazer toda a freguesia.
Havia aqui um pequeno pormenor a considerar. O pão era tabelado e ao quilo. Naturalmente que os exemplares tinham quase sempre, ou mesmo sempre, um pouco menos pelo que nos depósitos o peso era corrigido pelo contrapeso (o que nem sempre acontecia) o que nunca vi nos vendedores ambulantes, possivelmente seria a compensação para o serviço ao domicílio, aliás o que era justo.
As suas buzinas, de borracha, tinham um toque que os fregueses distinguiam. Conheci três no MEU BAIRRO, o Sr. Leonel Padeiro (Leonel da Trindade Pinto, falecido não há muitos anos, apaixonado pela columbofilia, sócio e dirigente do extinto Sport Grupo União Operária), depois o seu filho e também o Sr. Manuel Fazenda.
Tudo isto desapareceu com a evolução dos tempos. Hoje nem sei como as coisas se processam mas será igual ao que acontece nas outras terras. Nas pequenas e por esse país fora, continua a fazer-se a venda ao domicílio em carrinhas que vendem pão de toda a espécie, bolos, folares, etc. e que se deslocam a distâncias consideráveis.
Também eu compro pão em tais circunstâncias quando não estou na cidade, mas no campo e costumo receber o vendedor de pão dizendo: - Aqui está o padeiro que não sabe fazer pão -, ao que ele me responde, : lá isso é verdade, este homem está sempre a querer pôr-me em cheque!
_________________________
(1) - Passando em Maio de 1975 pela vila em que me encontrava exercendo a minha profissão e a cerca de trezentos quilómetros de distância de Santarém, onde vivia, não deixou de procurar este seu amigo, que conhecia quase desde que nasceu. Nunca esqueci tal amabilidade e prova de amizade.
Padeiro de profissão, isto é fabricante de pão, durante toda a vida e sempre o conheci vivendo em casa própria, no meu bairro, mas trabalhando na cidade, como então dizíamos, o meu saudoso amigo, alentejano de Mértola, o Sr. José Gomes. (1) A sua primeira mulher e mãe dos seus filhos, de que bem me lembro apesar do seu desaparecimento já ter ocorrido há muitos anos, penso que há mais de cinquenta, desempenhava uma actividade relacionada com o pão, pensando eu ter sido vendedeira.

Vendedeiras de pão, além da já referida e que me lembro ser oriunda da freguesia de Achete, tivemos pelo menos três pessoas do sexo feminino que exerciam a sua actividade nos depósitos do mercado municipal, (mas que viviam no MEU BAIRRO) lojas que circundavam o ainda belo edifício. Havia depósitos de pão, mercearias, talhos, depósito de sementes, pequenos cafés principalmente utilizados pelos trabalhadores do mercado. Destas três figuras, duas eram familiares, mãe e filha, e a outra, ajudou-me a criar.
Sempre me lembro de existir no MEU BAIRRO um depósito de pão que era explorado pelo Sr. Ribeiro, mais tarde por seu filho e depois alugado a quem o explorou por muitos anos, pelo menos até eu lá ter vivido (1959/60). Era aí que eu me deslocava a mandado de minha mãe, para a compra do indispensável pão, o que acontecia com grande parte dos residentes.Além de toda esta gente que tinha a sua actividade relacionado com o pão, viviam no bairro também os vendedores ambulantes de pão.
O transporte era feito de bicicleta a pedal. Um grande seirão de duas bolsas, confeccionado de verga, era colocado no porta-bagagens da pasteleira. Devido ao peso, muitas vezes os padeiros mandavam adaptar uma roda traseira mais robusta, de secção mais avantajada para assim poder aguentar o peso do padeiro, do pão e da verga, ainda que esta fosse relativamente leve.
O vendedor tinha um contrato com o fabricante, comprando a determinado preço por cada quilo, já que cem pães, não pesavam cem quilos. Depois, vendia à unidade e não ao peso.
O seirão era forrado de pano branco sendo o pão igualmente tapado com o mesmo pano.
Levantavam-se bem cedo para ao sair dos fornos estarem aptos a recebê-lo, bem quentinho, a estalar e lá iam à sua vida, correndo toda a cidade, com roteiro elaborado e fregueses certos, vendendo contudo a quem o solicitasse. Acabava-se a carrada, ia-se buscar outra e outra, até satisfazer toda a freguesia.
Havia aqui um pequeno pormenor a considerar. O pão era tabelado e ao quilo. Naturalmente que os exemplares tinham quase sempre, ou mesmo sempre, um pouco menos pelo que nos depósitos o peso era corrigido pelo contrapeso (o que nem sempre acontecia) o que nunca vi nos vendedores ambulantes, possivelmente seria a compensação para o serviço ao domicílio, aliás o que era justo.
As suas buzinas, de borracha, tinham um toque que os fregueses distinguiam. Conheci três no MEU BAIRRO, o Sr. Leonel Padeiro (Leonel da Trindade Pinto, falecido não há muitos anos, apaixonado pela columbofilia, sócio e dirigente do extinto Sport Grupo União Operária), depois o seu filho e também o Sr. Manuel Fazenda.
Tudo isto desapareceu com a evolução dos tempos. Hoje nem sei como as coisas se processam mas será igual ao que acontece nas outras terras. Nas pequenas e por esse país fora, continua a fazer-se a venda ao domicílio em carrinhas que vendem pão de toda a espécie, bolos, folares, etc. e que se deslocam a distâncias consideráveis.
Também eu compro pão em tais circunstâncias quando não estou na cidade, mas no campo e costumo receber o vendedor de pão dizendo: - Aqui está o padeiro que não sabe fazer pão -, ao que ele me responde, : lá isso é verdade, este homem está sempre a querer pôr-me em cheque!
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(1) - Passando em Maio de 1975 pela vila em que me encontrava exercendo a minha profissão e a cerca de trezentos quilómetros de distância de Santarém, onde vivia, não deixou de procurar este seu amigo, que conhecia quase desde que nasceu. Nunca esqueci tal amabilidade e prova de amizade.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Faustino dos Reis Sousa
(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 15 DE MARÇO DE 1996)

Nasceu na Ribeira de Santarém em 6 de Janeiro de 1883.
Poeta e publicista, desde cedo prestou a sua colaboração a jornais e revistas de carácter literário, nos quais se encontram, entre outros, “Damião de Góis”, “Vilafranquense”, “Ecos do Ribatejo”, “Mensageiro de Cira”, “Mensageiro do Ribatejo”, “Vida Ribatejana”, “A Verdade” e “Correio da Extremadura”.
Deu à estampa três livros de poesia. “Meio Dia (1918)”, “Fumo do Meu Casal (1938)” e “Luz da Tarde (1946)”.
Foi um poeta de inspirado sabor lírico.
Obteve vários prémios em concursos literários, tais como: Jogos Florais de Gaia, Porto, 1924, da Emissora Nacional, Lisboa, 1937, do Ateneu Comercial, Lisboa, 1941, do Ateneu de Sevilha, 1947, do Município de Viana do Castelo, 1948, da Câmara de Nova Lisboa, 1948, da Festa Literária de Vigo, 1950, etc.
Escreveu várias peças para teatro, normalmente de carácter regional: Rosa Branca (opereta), 1929, que obteve grande sucesso, “Coroa de Espinhos”, “À Sesta”, “A Primeira Carta”, além das comédias “Comendador Aleixo”, “Casamento Inesperado”, “Gato por Lebre”, “Manhã de Primavera” e das operetas “Irene”, “Lenda da Carochinha”, “Flor de Neve”, “Onde Canta o Rouxinol”, etc.
Utilizou algumas vezes o pseudónimo João Ninguém.
Pertenceu à Direcção da Junta de Província do Ribatejo e foi membro da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses.
Faleceu em Vila Franca de Xira em 3 de Janeiro de 1972, por isso com oitenta e oito anos.
__________________________
Santarém no Tempo, Virgílio Arruda, 1971
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

Nasceu na Ribeira de Santarém em 6 de Janeiro de 1883.
Poeta e publicista, desde cedo prestou a sua colaboração a jornais e revistas de carácter literário, nos quais se encontram, entre outros, “Damião de Góis”, “Vilafranquense”, “Ecos do Ribatejo”, “Mensageiro de Cira”, “Mensageiro do Ribatejo”, “Vida Ribatejana”, “A Verdade” e “Correio da Extremadura”.
Deu à estampa três livros de poesia. “Meio Dia (1918)”, “Fumo do Meu Casal (1938)” e “Luz da Tarde (1946)”.
Foi um poeta de inspirado sabor lírico.
Obteve vários prémios em concursos literários, tais como: Jogos Florais de Gaia, Porto, 1924, da Emissora Nacional, Lisboa, 1937, do Ateneu Comercial, Lisboa, 1941, do Ateneu de Sevilha, 1947, do Município de Viana do Castelo, 1948, da Câmara de Nova Lisboa, 1948, da Festa Literária de Vigo, 1950, etc.
Escreveu várias peças para teatro, normalmente de carácter regional: Rosa Branca (opereta), 1929, que obteve grande sucesso, “Coroa de Espinhos”, “À Sesta”, “A Primeira Carta”, além das comédias “Comendador Aleixo”, “Casamento Inesperado”, “Gato por Lebre”, “Manhã de Primavera” e das operetas “Irene”, “Lenda da Carochinha”, “Flor de Neve”, “Onde Canta o Rouxinol”, etc.
Utilizou algumas vezes o pseudónimo João Ninguém.
Pertenceu à Direcção da Junta de Província do Ribatejo e foi membro da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses.
Faleceu em Vila Franca de Xira em 3 de Janeiro de 1972, por isso com oitenta e oito anos.
__________________________
Santarém no Tempo, Virgílio Arruda, 1971
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
terça-feira, 13 de julho de 2010
Duarte Pacheco Pereira
(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 1 DE MARÇO DE 1996)

Uns dão-no como natural de Santarém, outros, de Lisboa.
Os seus ascendentes conhecidos vão, pelo menos até Diogo Lopes Pacheco, um dos executores de D. Inês de Castro e de quem era trineto.
Filho de João Pacheco, navegador, que acabou por morrer em Tânger combatendo os mouros e de Isabel Pereira, teria nascido por volta de 1460. Seu bisavô foi alcaide-mor de Santarém.
Em 1488 Bartolomeu Dias, o grande navegador, encontra-o bastante doente na ilha do Príncipe, trazendo-o de regresso a Portugal, onde se recompõe.
Vivendo em Lisboa em 1490, a sua competência em matéria de geografia e cosmografia já é conhecida pelo que integra a delegação portuguesa encarregada de discutir e de estabelecer os termos do Tratado de Tordesilhas (7.6.1494).
Em 1498 participa numa longa expedição ordenada por D. Manuel I que o teria levado a percorrer grande parte das costas americanas e em 1503 acompanha Francisco e Afonso de Albuquerque à Índia onde acaba por ficar como capitão de mar a fim de fazer frente ao Samorim que ameaçava o rei de Cochim pelo facto de este ter boas relações com os Portugueses.
Fez prodígios de valor na defesa de Cochim, sitiada por cinquenta mil indianos e defendida por setenta e sete portugueses e mil “naires”.
O prestígio de Duarte Pacheco motivado pelas suas extraordinárias façanhas, provocaram muito respeito aos inimigos e consolidaram o nosso poder no Oriente.
Em Setembro de 1504 chega à Índia Lopo Soares com o novo capitão-mor do mar, Manuel Teles e Pacheco Pereira regressa a Portugal no ano seguinte, tendo sido recebido por D. Manuel com grande pompa e o acompanha numa procissão, entre a Sé e o Mosteiro de São Domingos, onde o Bispo de Ceuta, D. Diogo Ortiz de Vilhegas pronunciou eloquente sermão alusivo aos seus feitos heróicos.
O rajá de Cochim, agradecido pelos serviços prestados pelo insigne português, pretendeu cumulá-lo de riquezas mas este tudo recusou, excepto o brasão de armas de Triumpara. A riqueza com que regressou à Pátria era constituída por honra e glória.
Começa então a redigir a sua obra, “Esmeraldo de situ orbis” onde confirma os seus conhecimentos de cosmografia e marinharia. É então encarregado por D. Manuel de dar caça ao corsário francês Mondragon que encontra por alturas do Cabo Finisterra, metendo-lhe a pique uma nau apreendendo as outras três e capturando o corsário, saindo-se assim e mais uma vez. Airosamente da sua missão.
Em 1511 é escolhido para ir em socorro de Tânger, onde seu pai tinha morrido, que fora cercado pelo rei de Fez, missão que desempenha com prestígio.
Casa em 1512 com D. Antónia de Albuquerque, filha de Jorge Garcez, secretário de D. Manuel.
É nomeado capitão e Governador de S. Jorge da Mina em 1519, mantendo-se no lugar até 1522, quando é substituído por Afonso de Albuquerque (filho), preso e trazido para Portugal.
Não se conhece bem a situação, afirmando alguns que teria sido vítima de inimizades pessoais, às quais já alude no seu trabalho “Esmeraldo de situ orbis”.
Esteve bastante tempo preso, acabando por ser solto por ordem de D. João III que acaba por lhe conceder uma pensão anual pelos altos serviços prestados.
Camões chama-lhe o Aquiles Lusitano, dedicando-lhe quinze estâncias no canto X de “Os Lusíadas”.
Parece ter morrido na sua terra natal, pobre e esquecido, nos primeiros meses de 1533.
______________________________
Dicionário de História de Portugal, dir. Joel Serrão
Dicionário Ilustrado da História de Portugal, Ed. Alfa
Lello Universal, Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro
Santarém no Tempo, Virgílio Arruda, 1971
Duarte Pacheco Pereira, J. Estêvão Pinto, Edições S.N.I., 1954

Uns dão-no como natural de Santarém, outros, de Lisboa.
Os seus ascendentes conhecidos vão, pelo menos até Diogo Lopes Pacheco, um dos executores de D. Inês de Castro e de quem era trineto.
Filho de João Pacheco, navegador, que acabou por morrer em Tânger combatendo os mouros e de Isabel Pereira, teria nascido por volta de 1460. Seu bisavô foi alcaide-mor de Santarém.
Em 1488 Bartolomeu Dias, o grande navegador, encontra-o bastante doente na ilha do Príncipe, trazendo-o de regresso a Portugal, onde se recompõe.
Vivendo em Lisboa em 1490, a sua competência em matéria de geografia e cosmografia já é conhecida pelo que integra a delegação portuguesa encarregada de discutir e de estabelecer os termos do Tratado de Tordesilhas (7.6.1494).
Em 1498 participa numa longa expedição ordenada por D. Manuel I que o teria levado a percorrer grande parte das costas americanas e em 1503 acompanha Francisco e Afonso de Albuquerque à Índia onde acaba por ficar como capitão de mar a fim de fazer frente ao Samorim que ameaçava o rei de Cochim pelo facto de este ter boas relações com os Portugueses.
Fez prodígios de valor na defesa de Cochim, sitiada por cinquenta mil indianos e defendida por setenta e sete portugueses e mil “naires”.
O prestígio de Duarte Pacheco motivado pelas suas extraordinárias façanhas, provocaram muito respeito aos inimigos e consolidaram o nosso poder no Oriente.
Em Setembro de 1504 chega à Índia Lopo Soares com o novo capitão-mor do mar, Manuel Teles e Pacheco Pereira regressa a Portugal no ano seguinte, tendo sido recebido por D. Manuel com grande pompa e o acompanha numa procissão, entre a Sé e o Mosteiro de São Domingos, onde o Bispo de Ceuta, D. Diogo Ortiz de Vilhegas pronunciou eloquente sermão alusivo aos seus feitos heróicos.
O rajá de Cochim, agradecido pelos serviços prestados pelo insigne português, pretendeu cumulá-lo de riquezas mas este tudo recusou, excepto o brasão de armas de Triumpara. A riqueza com que regressou à Pátria era constituída por honra e glória.
Começa então a redigir a sua obra, “Esmeraldo de situ orbis” onde confirma os seus conhecimentos de cosmografia e marinharia. É então encarregado por D. Manuel de dar caça ao corsário francês Mondragon que encontra por alturas do Cabo Finisterra, metendo-lhe a pique uma nau apreendendo as outras três e capturando o corsário, saindo-se assim e mais uma vez. Airosamente da sua missão.
Em 1511 é escolhido para ir em socorro de Tânger, onde seu pai tinha morrido, que fora cercado pelo rei de Fez, missão que desempenha com prestígio.
Casa em 1512 com D. Antónia de Albuquerque, filha de Jorge Garcez, secretário de D. Manuel.
É nomeado capitão e Governador de S. Jorge da Mina em 1519, mantendo-se no lugar até 1522, quando é substituído por Afonso de Albuquerque (filho), preso e trazido para Portugal.
Não se conhece bem a situação, afirmando alguns que teria sido vítima de inimizades pessoais, às quais já alude no seu trabalho “Esmeraldo de situ orbis”.
Esteve bastante tempo preso, acabando por ser solto por ordem de D. João III que acaba por lhe conceder uma pensão anual pelos altos serviços prestados.
Camões chama-lhe o Aquiles Lusitano, dedicando-lhe quinze estâncias no canto X de “Os Lusíadas”.
Parece ter morrido na sua terra natal, pobre e esquecido, nos primeiros meses de 1533.
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Dicionário de História de Portugal, dir. Joel Serrão
Dicionário Ilustrado da História de Portugal, Ed. Alfa
Lello Universal, Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro
Santarém no Tempo, Virgílio Arruda, 1971
Duarte Pacheco Pereira, J. Estêvão Pinto, Edições S.N.I., 1954
segunda-feira, 12 de julho de 2010
O povoamento e a população
(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 14 DE FEVEREIRO DE 1992)
[Antiga rua de Vilgateira. Desenho de JV]
A passagem dos Romanos pela freguesia, parece estar provada. Assim o indicam as sepulturas descobertas na Quinta da Granja e uma ponte em Perofilho também é dada como obra daquele povo. (1)
Admite-se também a hipótese do topónimo Aramanha, aproximável de Sarmenha, possa ter a mesma origem. (2)
Quanto aos árabes, Mafarra, nome de uma quinta da freguesia é, segundo Pinho Leal (3) corrupção do substantivo árabe”mahafarra”, que significa cova. E efectivamente esta quinta está situada numa baixa.
Pré-nacional parece ser o topónimo Vilgateira, com “villa” no sentido territorial (rústico).
Depois da conquista de Santarém e Alcanede, deu-se o repovoamento com incidência na colonização interna. Assim, Alcobacinha e Coimbrã, denunciam importação trazida por repovoadores.
Vários topónimos medievais denunciam propriedades monásticas e outras. (2)
Temos assim prova do povoamento pré-nacional sob a égide arábica e de repovoamento nacional, após a conquista, acompanhada pela cristianização revelada pelos velhos cultos de São Martinho e São Miguel.
***
O varzeense não abandona com facilidade o torrão natal e mesmo quando iniciou a fuga à vida dura do campo, não mudou a residência, preferindo deslocar-se diariamente ao local de trabalho, regressando à sua aldeia, ao seu casal, onde ocupa todos os tempos livres.
No período áureo, poucos foram os varzeenses que procuraram os francos ou marcos, contrariamente ao que aconteceu noutras zonas do país que ficaram despovoadas.
A população não apresenta índices significativos de oscilação.
De uma maneira geral os casamentos dão-se entre indivíduos da própria freguesia ou das circunvizinhas e a saída de uns é compensada com a entrada de outros.
Aquando da apanha da azeitona, há anos, deslocavam-se grupos de trabalhadores de zonas mais afastadas, ao norte, a que chamavam serranhos e alguns ficaram por cá, principalmente do sexo feminino, constituindo família.
A população da Várzea tem tendência para aumentar e nos últimoa anos, como já dissemos, começou a esboçar-se o sentido de dormitório da cidade.
_________________________________
NOTAS
(1)-Boletim da Junta de Província do Ribatejo, 1937/40, p. 578.
(2)–Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.
(3)–Portugal Antigo e Moderno, A.S. Barbosa de Pinho Leal.

(a)–Corografia Portuguesa, Padre António Carvalho Costa.
(b)–Geografia Histórica de Todos os Estados Soberanos da Europa, D. Luiz Caetano de Lima, 1736, p. 215.
(c)–Portugal Sacro-Profano, Comp. E Ord. Por Paulo Dias de Niza, Lisboa, 1768.
(d)-Estatística Paroquial.
(e)-Recenseamento Geral da População, Tomo I, Vol. I, INE.
(f)-Corografia Portuguesa, (2ª Edição) Padre António de Carvalho Costa.
(g)-Dicionário Corográfico, Américo Costa, 1926.
(h)-Directório Prático a todos os que promovem negócios nas Repartições e Tribunais Eclesiásticos, Joaquim José Ribeiro, 1878 (?).
(i)-Portugal Antigo e Moderno, Pinho Leal.
(j)-Dicionário “Portugal”, Edição Romano Torres, Esteves Cardoso e Guilherme Rodrigues.
(m)-Censo. Compreende 21 de Pêro Filho, 16 de Grainho, 23 de Vilgateira e 12 de Aldeia de Alcobaça (actual Alcobacinha) e Póvoa do Baixinho.
(n)–Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.
[Antiga rua de Vilgateira. Desenho de JV]A passagem dos Romanos pela freguesia, parece estar provada. Assim o indicam as sepulturas descobertas na Quinta da Granja e uma ponte em Perofilho também é dada como obra daquele povo. (1)
Admite-se também a hipótese do topónimo Aramanha, aproximável de Sarmenha, possa ter a mesma origem. (2)
Quanto aos árabes, Mafarra, nome de uma quinta da freguesia é, segundo Pinho Leal (3) corrupção do substantivo árabe”mahafarra”, que significa cova. E efectivamente esta quinta está situada numa baixa.
Pré-nacional parece ser o topónimo Vilgateira, com “villa” no sentido territorial (rústico).
Depois da conquista de Santarém e Alcanede, deu-se o repovoamento com incidência na colonização interna. Assim, Alcobacinha e Coimbrã, denunciam importação trazida por repovoadores.
Vários topónimos medievais denunciam propriedades monásticas e outras. (2)
Temos assim prova do povoamento pré-nacional sob a égide arábica e de repovoamento nacional, após a conquista, acompanhada pela cristianização revelada pelos velhos cultos de São Martinho e São Miguel.
***
O varzeense não abandona com facilidade o torrão natal e mesmo quando iniciou a fuga à vida dura do campo, não mudou a residência, preferindo deslocar-se diariamente ao local de trabalho, regressando à sua aldeia, ao seu casal, onde ocupa todos os tempos livres.
No período áureo, poucos foram os varzeenses que procuraram os francos ou marcos, contrariamente ao que aconteceu noutras zonas do país que ficaram despovoadas.
A população não apresenta índices significativos de oscilação.
De uma maneira geral os casamentos dão-se entre indivíduos da própria freguesia ou das circunvizinhas e a saída de uns é compensada com a entrada de outros.
Aquando da apanha da azeitona, há anos, deslocavam-se grupos de trabalhadores de zonas mais afastadas, ao norte, a que chamavam serranhos e alguns ficaram por cá, principalmente do sexo feminino, constituindo família.
A população da Várzea tem tendência para aumentar e nos últimoa anos, como já dissemos, começou a esboçar-se o sentido de dormitório da cidade.
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NOTAS
(1)-Boletim da Junta de Província do Ribatejo, 1937/40, p. 578.
(2)–Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.
(3)–Portugal Antigo e Moderno, A.S. Barbosa de Pinho Leal.

(a)–Corografia Portuguesa, Padre António Carvalho Costa.
(b)–Geografia Histórica de Todos os Estados Soberanos da Europa, D. Luiz Caetano de Lima, 1736, p. 215.
(c)–Portugal Sacro-Profano, Comp. E Ord. Por Paulo Dias de Niza, Lisboa, 1768.
(d)-Estatística Paroquial.
(e)-Recenseamento Geral da População, Tomo I, Vol. I, INE.
(f)-Corografia Portuguesa, (2ª Edição) Padre António de Carvalho Costa.
(g)-Dicionário Corográfico, Américo Costa, 1926.
(h)-Directório Prático a todos os que promovem negócios nas Repartições e Tribunais Eclesiásticos, Joaquim José Ribeiro, 1878 (?).
(i)-Portugal Antigo e Moderno, Pinho Leal.
(j)-Dicionário “Portugal”, Edição Romano Torres, Esteves Cardoso e Guilherme Rodrigues.
(m)-Censo. Compreende 21 de Pêro Filho, 16 de Grainho, 23 de Vilgateira e 12 de Aldeia de Alcobaça (actual Alcobacinha) e Póvoa do Baixinho.
(n)–Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Duarte Lopes
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(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 16 DE FEVEREIRO DE 1996)
Nasceu no terceiro quartel do século XV na vila de Benavente este explorador de ascendência judaica.
Acompanha o tio num barco de mercadorias de sua propriedade que saiu de Lisboa em 1578 com direcção ao Norte de Angola.
Estando no Reino do Congo, soube conquistar a confiança do rei local que o considerou “seu fidalgo”, facilitando-lhe o comércio que pretendia efectuar e em que se englobava o tráfico de escravos.
Cinco anos após ter saído de Lisboa, o Rei do Congo envia-o a Roma como embaixador a fim de reivindicar melhores condições para o comunidade cristã do seu reino, notando-se fundamentalmente a falta de sacerdotes, diligência de que não foi bem sucedido.
Duarte Lopes antes de chegar a Roma, esteve algum tempo em Portugal e principalmente em Espanha, sendo recebido pelo papa Sixto V, em 1588.
As facilidades e regalias que o rei do Congo lhe concedeu para fins comerciais, possibilitavam-lhe ir fazendo croquis topográficos e anotações de factos históricos da dinastia dos reis negros do Congo, cristianizado desde 1491, da maneira de ser das populações com seus usos, ritos, trajos e armas, das condições meteorológicas, dos nomes das povoações, dos principais rios e elevações, da flora e da fauna.
Quando da presença em Roma, o Bispo de S. Marcos, António Miglione, impressionado pelo que lhe constava da exótica peregrinação do explorador português, contactou com o escritor Filipe Pigafetti no sentido de este o servir e depois dar à estampa, em italiano, quanto ele lhe transmitisse sobre essas regiões de África quase desconhecidas.
[Relação do Reino do Congo]Assim, em 1591 é publicado em Roma a Relação do Reino do Congo, notícia de coisas, peregrina e conveniente a homens de estudo e de grande engenho, como filósofos e geógrafos, ilustradas com desenhos representativos da abordagem.
Procederam-se a várias edições em Itália como em França, na Grã-Bretanha e noutros países.
A obra teve em Portugal uma das últimas edições e “fac similada”, em 1951, com representação integral da capa inserta na primeira edição italiana.
______________________________
Cultura Portuguesa, Vol. 7, Hernâni Cidade e Carlos Selvagem
Boletim da Junta de Província do Ribatejo, 1937/40
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Américo de Bívar
(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 9 DE FEVEREIRO DE 1996)
Américo Maria de Bívar de Sousa Dores, de seu nome completo, nasceu em Tomar no dia 6 de Dezembro de 1881.
Seguindo a carreira das armas, fez o curso da arma de infantaria na antiga Escola do Exército.
Em África, foi chefe de gabinete do Governador-geral de Moçambique, inspector das Unidades Militares, governador dos distritos de Quelimane e Tete.
No continente foi promotor do Conselho Superior de Disciplina do Exército e professor da Escola Central de Oficiais, entre outras missões que desempenhou.
Passou à reserva em 1938 no posto de coronel.
Foi considerado dos oficiais mais sabedores do exército português.
Foi colaborador, dentro da sua área de especialização, da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.
Faleceu em Lisboa no dia 15 de Agosto de 1951.
______________________________
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.
Boletim da Junta de Província do Ribatejo, 1937/40
Américo Maria de Bívar de Sousa Dores, de seu nome completo, nasceu em Tomar no dia 6 de Dezembro de 1881.
Seguindo a carreira das armas, fez o curso da arma de infantaria na antiga Escola do Exército.
Em África, foi chefe de gabinete do Governador-geral de Moçambique, inspector das Unidades Militares, governador dos distritos de Quelimane e Tete.
No continente foi promotor do Conselho Superior de Disciplina do Exército e professor da Escola Central de Oficiais, entre outras missões que desempenhou.
Passou à reserva em 1938 no posto de coronel.
Foi considerado dos oficiais mais sabedores do exército português.
Foi colaborador, dentro da sua área de especialização, da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.
Faleceu em Lisboa no dia 15 de Agosto de 1951.
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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.
Boletim da Junta de Província do Ribatejo, 1937/40
domingo, 4 de julho de 2010
O porquito
(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 30 DE ABRIL DE 2004)
A insónia por vezes leva-nos a rememorar. Assim aconteceu mais uma vez, dando origem a esta pequena croniqueta.
O MEU BAIRRO era habitado por gente de todas as condições mas a maioria era gente da classe operária, de prestação de serviços, o pequeno funcionário público. Aqui se fixaram também pessoas oriundas das freguesias rurais circundantes e até de bem mais distante. Procuravam fugir ao trabalho da enxada de dois bicos, da ceifa dos trigais, do varejo e apanha da azeitona, mal pagos e incertos. Por aqui se iam fixando e livrando os filhos desses trabalhos pois tinham possibilidades de lhe proporcionarem um ofício que após a instrução primária aprendiam nesta ou naquela oficina ou então ocupavam-nos no comércio local, relativo ao vestuário ou à alimentação. Em todos estes ramos houve gente que deu a volta por cima, tornando-se conceituados industriais ou comerciantes.
Esta possibilidade era bastante mais difícil se os pais continuassem nos meios rurais.
É natural que tivessem trazido, a acompanhar a sua força de trabalho e o desejo de ter uma vida melhor, os seus usos e costumes, o que aprenderam com pais e avós.
Uma das coisas que alguns moradores no MEU BAIRRO faziam era criar o seu porquito como tinham feito nas suas aldeias ou visto fazer a seus pais. Nesta altura, se ainda se podia ter nos quintais, uma capoeirita com dois ou três bicos ou um casal de coelhos, não era possível ter porcos como existiam nas aldeias. Nos terrenos agrícolas das proximidades, normalmente ocupados por hortas e olivais, arranjava-se um bocado (não sei se havia qualquer renda ou se era gracioso, mas penso que era a última hipótese) onde se construía a pocilga, sendo a construção feita à base de madeira. Nesse tempo as coisas embalavam-se em madeira ou em folha pois não existiam plásticos e o papelão que era pouco não tinha esse destino. Essa matéria-prima era utilizada no fabrico de pacotes de vários tamanhos (vulgo papeluchos) pois tudo era a granel.
[Era por perto da Escola Primária que construiam os pocilgos onde criavam os seus porquitos. Foto JV, 1992]
Com umas tábuas, paus, chapas e umas telhas de canudo, lá se engenhocava uma pocilga para receber um ou mais bichos. Acontecia que havia várias pocilgas mas eram sempre umas junto às outras.
Quem comprava um porquinho para engordar, pedia aos vizinhos no bairro que lhe guardassem os restos de comida, hortaliças, etc. (nesse tempo não havia o perigoso de fungicidas e afins) vulgo lavadura, e para o efeito deixavam uma lata para a recolha. De uma maneira geral as pessoas compreendiam e guardavam, como fazia a minha mãe. Normalmente era a proprietária do animal que fazia a recolha, levando um latão maior. Depois, com um em cada mão lá andava aquela distância que por vezes era bem considerável. Há tarde era ajudada pelo marido, quando regressa do trabalho e ainda tinham que levar a água!
Era muito trabalhoso, sem dúvida, mas tornava-se um mealheiro já que pouco gastavam, penso que um pouco de farelo ou farinha de milho, quando muito. A engorda não se destinava a abate para consumo próprio mas sim para venda.
Alguns dos meus amigos os pais criavam os seus porquitos e eu gastava de ir vê-los, mas só o fazia quando iam os donos.
O último local que me lembro de pocilgos, era atrás da escola num terreno do Louro. Não tenho ideia de alguma vez se ter feito mal aos bichos, nem a rapaziada, nem os adultos!
A vida era muito diferente. Se fosse hoje... ...
A insónia por vezes leva-nos a rememorar. Assim aconteceu mais uma vez, dando origem a esta pequena croniqueta.O MEU BAIRRO era habitado por gente de todas as condições mas a maioria era gente da classe operária, de prestação de serviços, o pequeno funcionário público. Aqui se fixaram também pessoas oriundas das freguesias rurais circundantes e até de bem mais distante. Procuravam fugir ao trabalho da enxada de dois bicos, da ceifa dos trigais, do varejo e apanha da azeitona, mal pagos e incertos. Por aqui se iam fixando e livrando os filhos desses trabalhos pois tinham possibilidades de lhe proporcionarem um ofício que após a instrução primária aprendiam nesta ou naquela oficina ou então ocupavam-nos no comércio local, relativo ao vestuário ou à alimentação. Em todos estes ramos houve gente que deu a volta por cima, tornando-se conceituados industriais ou comerciantes.
Esta possibilidade era bastante mais difícil se os pais continuassem nos meios rurais.
É natural que tivessem trazido, a acompanhar a sua força de trabalho e o desejo de ter uma vida melhor, os seus usos e costumes, o que aprenderam com pais e avós.
Uma das coisas que alguns moradores no MEU BAIRRO faziam era criar o seu porquito como tinham feito nas suas aldeias ou visto fazer a seus pais. Nesta altura, se ainda se podia ter nos quintais, uma capoeirita com dois ou três bicos ou um casal de coelhos, não era possível ter porcos como existiam nas aldeias. Nos terrenos agrícolas das proximidades, normalmente ocupados por hortas e olivais, arranjava-se um bocado (não sei se havia qualquer renda ou se era gracioso, mas penso que era a última hipótese) onde se construía a pocilga, sendo a construção feita à base de madeira. Nesse tempo as coisas embalavam-se em madeira ou em folha pois não existiam plásticos e o papelão que era pouco não tinha esse destino. Essa matéria-prima era utilizada no fabrico de pacotes de vários tamanhos (vulgo papeluchos) pois tudo era a granel.
[Era por perto da Escola Primária que construiam os pocilgos onde criavam os seus porquitos. Foto JV, 1992]Com umas tábuas, paus, chapas e umas telhas de canudo, lá se engenhocava uma pocilga para receber um ou mais bichos. Acontecia que havia várias pocilgas mas eram sempre umas junto às outras.
Quem comprava um porquinho para engordar, pedia aos vizinhos no bairro que lhe guardassem os restos de comida, hortaliças, etc. (nesse tempo não havia o perigoso de fungicidas e afins) vulgo lavadura, e para o efeito deixavam uma lata para a recolha. De uma maneira geral as pessoas compreendiam e guardavam, como fazia a minha mãe. Normalmente era a proprietária do animal que fazia a recolha, levando um latão maior. Depois, com um em cada mão lá andava aquela distância que por vezes era bem considerável. Há tarde era ajudada pelo marido, quando regressa do trabalho e ainda tinham que levar a água!
Era muito trabalhoso, sem dúvida, mas tornava-se um mealheiro já que pouco gastavam, penso que um pouco de farelo ou farinha de milho, quando muito. A engorda não se destinava a abate para consumo próprio mas sim para venda.
Alguns dos meus amigos os pais criavam os seus porquitos e eu gastava de ir vê-los, mas só o fazia quando iam os donos.
O último local que me lembro de pocilgos, era atrás da escola num terreno do Louro. Não tenho ideia de alguma vez se ter feito mal aos bichos, nem a rapaziada, nem os adultos!
A vida era muito diferente. Se fosse hoje... ...
sábado, 3 de julho de 2010
P. Diogo de Faria e Silva
(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 9 DE FEVEREIRO DE 1996)

Nasceu em Alviobeira, concelho de Tomar, em 18 de Setembro de 1803 e morreu a 27 de Abril de 1886.
Foi monge professo no Convento dos Jerónimos, em Belém, tomando o nome de Frei Diogo do Espírito Santo.
Como representante daquele Convento, prestou grandes serviços à sua Ordem.
Quando da extinção das Ordens Religiosas em Portugal (1834), foi escolhido para depositário de todos os bens do convento, valores que defendeu com o risco da própria vida, quando se pretendeu fazer o saque. Conseguiu efectuar o depósito do tesouro constituído por alfaias e numerário no Erário Público.
Foi beneficiado da Sé de Lisboa em 1838 e cónego da Sé de Évora em 1840
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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
Boletim da Junta de Província do Ribatejo, 1937/40

Nasceu em Alviobeira, concelho de Tomar, em 18 de Setembro de 1803 e morreu a 27 de Abril de 1886.
Foi monge professo no Convento dos Jerónimos, em Belém, tomando o nome de Frei Diogo do Espírito Santo.
Como representante daquele Convento, prestou grandes serviços à sua Ordem.
Quando da extinção das Ordens Religiosas em Portugal (1834), foi escolhido para depositário de todos os bens do convento, valores que defendeu com o risco da própria vida, quando se pretendeu fazer o saque. Conseguiu efectuar o depósito do tesouro constituído por alfaias e numerário no Erário Público.
Foi beneficiado da Sé de Lisboa em 1838 e cónego da Sé de Évora em 1840
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Boletim da Junta de Província do Ribatejo, 1937/40
sexta-feira, 2 de julho de 2010
P. José Anchieta
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Natural de Tomar onde nasceu a 13 de Maio de 1732, desconhecendo-se quando nasceu.
Membro da Companhia de Jesus foi professor em Lisboa, em 1748, sendo deportado para Itália em 1751, certamente por acção do Marquês de Pombal.
Viveu então em Roma até finais do século XVIII, tendo traduzido em verso português os dezasseis livros das Metamorfoses, de Ovídio.
Autor de várias obras em italiano, escreveu para teatro: “Mistério de Jesus Cristo”, “Auto de Santa Úrsula e as Onze Mil Virgens” e “Auto da Pregação Universal.
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