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domingo, 12 de dezembro de 2010

Manuel Neves

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 3 NOVEMBRO DE 2006)

Jornalista, autor dramático e tradutor.

Nasceu na Ribeira de Santarém em 5 de Julho de 1875.

Aos treze anos é compelido a deixar o liceu de Santarém e inicia a aprendizagem da profissão de tipógrafo no Correio do Ribatejo que na altura se designava Correio da Extremadura visto ainda não ter sido criada a província do Ribatejo, o que só aconteceu muitos anos depois.

Como o semanário foi criado em 1891, existe aqui uma pequena diferença mas temos que atender que antes deste já João Arruda tinha dado outros a público.
Manteve-se nesta actividade até 1898.

Autodidacta, era atraído para a literatura e principalmente para o jornalismo, gosto possivelmente adquirido no jornal onde trabalhou.
Manuel Neves tinha menos cerca de sete anos do que João Arruda, outro autodidacta de grande valor que pisou caminhos semelhantes, tendo ambos nascido na parte baixa da cidade.

A cultura que foi adquirindo possibilitou ser professor do ensino primário em 1899.
Tendo sempre por fim o exercício do jornalismo, consegue entrar para a redacção do “Folha do Povo2”, de Lisboa, onde depressa dá provas das suas excepcionais qualidades.

Passa depois e sucessivamente pelo “O País”, “O Diário”, “Jornal da Noite”, O Intransigente” e por último pelo “O Século” (1911) onde exerceu a função de subchefe de redacção. Tanto escrevia o artigo de fundo como a mais insignificante notícia!
Para o teatro escreveu a peça em um acto Romantismo, premiada em mérito absoluto num concurso aberto pelo jornal “O Dia”.

De colaboração, escreveu a peça em quatro actos Um Lar, representada no Teatro Nacional em 21 de Junho de 1908.

Escreveu ainda uma opereta em três actos que intitulou Intrigas de Amor.
Traduziu variadíssimas obras, entre as quais “Le Satyre”, “A Viúva Alegre” “Sonho de Valsa e vários romances que foram publicados em “O Século”.

Reformou-se em 1952 e passou a colaborar no Século Ilustrado, escrevendo ainda várias revistas teatrais.

“O Século”, jornal onde trabalhou tantos anos veio a homenageá-lo.

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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol. 18 e 40

Santarém no Tempo, Virgílio Arruda, 1971

domingo, 14 de novembro de 2010

Frei Luís de Sousa

Manuel de Sousa Coutinho nasceu em 1555 no Palácio de seus pais em Santarém, cuja frontaria dava para a Igreja do Salvador e entre as quais corria a Rua Direita da Porta de Leiria, actual Serpa Pinto.

Filho do fidalgo, guerreiro e escritor, Lopo de Sousa Coutinho e de D. Maria de Noronha, era um dos oito irmãos que constituíam a prole.

Estudou direito, actividade que troca talvez quando da morte do pai, pela carreira das armas.

Entra como noviço na Ordem de Malta. Estando a bordo duma galé malteza, depois de ter embarcado no porto de Sardenha, com seu irmão André, são atacados pelos piratas argelinos que os levam cativos para Argel. Trava conhecimento com outro cativo, Miguel de Cervantes que veio a ser um dos maiores escritores espanhóis de todos os tempos.

Consegue obter licença para se deslocar a Portugal, a fim de ir buscar o preço do seu resgate e de seu irmão que ficou como refém.

Volta a Argel para pagar os resgates e regressa à Pátria.

Em 1580 era alcaide de Marialva e capitão-mor da gente da sua comarca e certamente afecto ao rei estrangeiro.

Casa em 1583 com D. Madalena de Vilhena, viúva muito rica de D. João de Portugal, desaparecido nos campos de Alcácer Quibir.

Ainda que tivessem palácio em Lisboa, a S. Roque, vão viver para Almada onde Sousa Coutinho é nomeado guarda-mor e provedor da misericórdia e entrega-se ao negócio da sua casa e ao cultivo das letras, o que sempre o atraiu.

Exerce igualmente as funções de guarda-mor da saúde, em Lisboa.

A vida decorria sem grandes cuidados e o rei deu-lhe o comando de 700 peões e de 100 cavaleiros, até que em 1591, grassando a peste em Lisboa, os Governadores do Reino transferiram a corte para Almada e requisitaram o seu palácio. Em resposta, lança fogo ao mesmo e sai de Portugal, refugiando-se em Madrid.



Deu conta dos acontecimentos à Corte onde tinha amigos poderosos e não consta ter sofrido qualquer punição.

Possivelmente devido ao conflito criado com os governadores do reino, em 1601 parte para o Panamá, chamado pelo irmão, João Rodrigues Coutinho que para ali fora e punha as maiores esperanças no comércio.

Manuel Coutinho teria passado pelo Rio da Prata e Perú, dedicando-se ao comércio de cavalos para Angola, o que parece não ter sido compensador.

Regressa a Portugal em 1604 ou no ano seguinte, altura em que falece a filha única do casal, Ana de Noronha.

O casal divorcia-se em 1613, decidindo abraçarem a vida religiosa, D. Mariana no Convento do Sacramento, professando com o nome de Sóror Madalena das Chagas e Manuel de Sousa Coutinho no Convento de S. Domingos de Benfica, tomando o de Frei Luís de Sousa.

Tem então oportunidade de se dedicar ao culto das letras, revelando-se como prosador e historiador, um dos maiores vultos da literatura e da historiografia portuguesa dos finais do século XVI e dos princípios do século XVII.

Em 1619 saiu a público a “Vida de D. Frei Bartolomeu dos Mártires”, que deu origem a comentários elogiosos em Portugal e no estrangeiro e em 1623 a “História de S. Domingos”. A recolha dos elementos foi feita por Frei Luís de Cácegas, falecido em 1616 mas foi Frei Luís de Sousa quem as compôs e burilou com o seu talento de prosador vernáculo.

Já com setenta e cinco anos é encarregado por Filipe III de escrever a história de D. João III, que sob o título de Anais de D. João III só foi publicado em 1844, ainda que incompleto, por Alexandre Herculano.

Frei Luís de Sousa faleceu em 5 de Maio de 1632 no Convento de S. Domingos de Benfica, ficando sepultado em campa rasa da sua igreja.

Almeida Garrett criou à volta da sua vida o grande drama do teatro português, intitulado precisamente por “Frei Luís de Sousa”.

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Santarém no Tempo Virgílio Arruda, 1971
Boletim da Junta de Província do Ribatejo , 1937-40
Santarém, Lenda e História , Eugénio de Lemos, 1940
Antologia da Historiografia Portuguesa, Vol. I - Org. A.H. Oliveira Marques
História de Portugal , Vol. 3 - Dir. José Matoso
Selecta Literária , Org. José Pereira Tavares
Santarém na História de Portugal Joaquim Veríssimo Serrão, 1950
Património Monumental de Santarém

sábado, 13 de novembro de 2010

Lopo de Sousa Coutinho

Nasceu na então nobre vila de Santarém, cerca de 1515, este fidalgo de linhagem, filho de Fernão Coutinho e de D. Joana de Brito e sendo neto por via varonil do 2º Conde de Marialva, D. Gonçalo Coutinho.

Com dezoito anos e seguindo a vida militar, como era apanágio dos nobres da época, embarca para a Índia procurando a almejada glória. Serve com o 7º governador, D. Nuno da Cunha. Em operações bélicas, está, entre outras acções, no Cerco de Diu onde pratica actos de bravura. Em 14 de Agosto de 1538 foi surpreendido com mais catorze soldados por quatrocentos homens que repeliu e perseguiu até fora da povoação.

Regressando a Portugal com rótulo de heróico e ardoroso guerreiro, D. João III recebe-o com provas de estima, nomeando-o de imediato Governador do Castelo da Mina, para onde embarca.

Volta a Portugal por morte do seu irmão mais velho, entrando na posse da principal herança dos pais.



Casa entretanto com D. Maria de Noronha, dama da Rainha D. Catarina, de cujo enlace nascem oito filhos, entre os quais aquele que viria a ser Frei Luís de Sousa.

Enviuvando e devido à grande afeição que tinha pela mulher, não aceita a sugestão de familiares e amigos para voltar a casar, dedicando-se a educar a numerosa prole, mostrando-lhes os caminhos da virtude, da honra e do conhecimento das letras.

Lopo de Sousa Coutinho, além de valoroso guerreiro, foi um espírito culto, dedicando-se às letras, não descurando as ciências, interessando-se pela física e matemática.
A sua experiência militar levou-o a escrever com engenho literário, dois livros sobre o Cerco de Diu, em que participou, publicados em 1556 e ainda no campo histórico, outro sobre o Naufrágio de Manuel de Sousa Sepúlveda e Empresas de Ilustres Varões Portugueses na Índia. A poesia e a matemática igualmente receberam publicações de sua autoria.

Traduziu Lucano e Séneca.

Acolheu-se, nos últimos anos de vida à terra natal, onde tinha o seu palácio, vindo a falecer no dia 27 de Janeiro de 1577, com sessenta e dois anos e de desastre ocorrido na antiga vila de Povos que foi mesmo sede de concelho e hoje pertencente ao concelho de Vila Franca de Xira. Ao desmontar do cavalo a espada desembainhou e foi cravar-se no corpo, causando-lhe a morte. Depois de tantos perigos e de grandes façanhas, morre em tais circunstâncias !

Foi sepultado na Igreja do Salvador, da sua terra natal, onde a família dispunha de capela privativa. A igreja, já desaparecida, foi vítima do terramoto de 1909, que assolou a região do Ribatejo. O espaço que ocupava é hoje o Largo Padre Francisco Nunes da Silva, vulgarmente designado por Padre Chiquito.

D. Lopo Coutinho, segundo Areosa Feio, no seu magnífico livro, “Santarém, Princesa das Nossas Vilas”- 1929, deixou o seu nome no santuário do Monte em uma obra que em 1553 mandou fazer “em louvor da Virgem”: o portal da entrada proncipal.
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Diccionario Bibliographico Portuguez - Vol. V - MDCCCLX
Boletim da Junta de Província do Ribatejo - 1937-409
LELLO Universal - Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro
Santarém na História de Portugal, Joaquim Veríssimo Serrão, 1950
Santarém no Tempo , Virgílio Arruda, 1971
Dicionário da História de Portugal , Dir. de Joel Serrão

domingo, 24 de outubro de 2010

Pedro de Santarém

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 14 DE JANEIRO DE 2000)

Desconhece-se a data em que nasceu, em Santarém, este eminente jurista, possivelmente cristão-novo e considerado grande autoridade na área de seguros e questões comerciais.

Vivendo na segunda metade do século XVI e parte do seguinte, apanha o período áureo dos Descobrimentos com as vantagens materiais que isso provocou.

A actividade comercial sofreu grande incremento e a capital do país transformou-se num dos mais importantes entrepostos marítimos do mundo.

D. Manuel I nomeou-o seu agente de negócios, ou seja, cônsul, em Florença, Pisa e Livorno, praças comerciais muito importantes na época.

Na conjuntura atrás referida, não admira que a sua obra jurídica incida sobre o direito virado para a actividade económica e comercial.

A matéria dos seguros começa a ganhar notória importância com o transporte marítimo de mercadorias.

Pedro de Santarém debruça-se sobre esta problemática e publica em 1552 um importante trabalho intitulado Tractus de Securationibus et Spontionibus Mercatorum, obra que foi bastante divulgada devido ao nível técnico apresentado.

Este trabalho apareceu algumas vezes junto a outro do autor e intitulado De Mercatura, de Stracta.

Entre 1552 e 1669 foram feitas cerca de vinte edições, em vários locais, como Lion, Antuérpia, Veneza, Colónia e Amesterdão.

O seu principal trabalho divide-se em cinco partes. Entre muitas questões, aborda-se o princípio de boa – fé entre mercadores e referências à situação dos judeus, mouros, turcos e africanos.

Pedro de Santarém é uma figura que pertence à história do direito comercial.
Tem há muito o seu nome numa das artérias da cidade onde nasceu.

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Dicionário Ilustrado de História de Portugal - Alfa
Santarém no Tempo - 1971 - Virgílio Arruda
Lello Universal - Dicionário Enciclopédico Luso ou Brasileiro
Dicionário de História de Portugal - Dir. Joel Serrão

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

João de Santarém

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 14 DE JANEIRO DE 2000)

Dos seus dados pessoais, pouco ou nada se sabe, sendo considerado natural de Santarém, talvez pelo seu nome e que foi grande nauta no seu tempo, século XV, ficando ligado à travessia do Equador e aos caminhos do Atlântico Sul.

Fernão Gomes arrendou por cinco anos, o exclusivo do comércio da Guiné, com excepção do castelo de Arguim e da zona reservada aos habitantes de Cabo Verde.
Uma das cláusulas do contrato e que cumpriu, era a obrigação de descobrir, cada ano, cem léguas de costa.

Para o efeito, contratou, entrou outros navegadores, João de Santarém e Pedro Escobar que teriam chegado à Costa da Mina, ao Calabar e ao Gabão assim como às ilhas de São Tomé (1471.12.21) e de Sto. António (1472.01.17) mais tarde do Príncipe em homenagem ao herdeiro da Coroa, e que veio a ser D. João II.

Também lhe é atribuído a chegada em 1 de Janeiro a uma ilha que ainda hoje é designada por Ano Bom.

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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
Santarém no Tempo - 1971 - Virgílio Arruda
História de Portugal - Vol.II - J. Veríssimo Serrão
Dicionário de História de Portugal - Dir. Joel Serrão
Grande Dicionário Enciclopédico Ediclube

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Frei Fernando de Santarém

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 14 DE JANEIRO DE 2000)

Encontrámo-lo referido na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Monge cisterciense português do século XV traduziu do latim vários tratados de Teologia, Moral e Filosofia.

Este trabalho originou que o abade da sua Ordem, D. Estêvão de Aguiar, o mandasse copiar e juntar num só volume, o que foi feito em 1440 por Frei Nicolau das Eiras e que pertenceu à Biblioteca do Mosteiro de Alcobaça.

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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Luís Nunes de Santarém

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 14 DE JANEIRO DE 2000)
Foi escolar e depois mestre na Universidade de Salamanca, onde se teria matriculado em 1528, em medicina. Parece contudo que já seria aluno de Artes a partir de 1525.

Já como bacharel em Medicina, devia ter saído de Salamanca em 1529 (só dois anos para o curso!) regressando a Portugal, concorreu à cadeira de Súmulas (1530) do Estudo de Lisboa, onde dá lições consideradas magistrais e se mantém até 1536.

Em 1534 e por vaga deixada pelo licenciado Garcia da Orta, o seu nome aparece na eleição da cadeira das Artes.

Em 19 de Março seguinte, toma a grau de licenciado em medicina.

Possivelmente terá voltado em 1536 a Salamanca para reger Artes. Cinco anos depois e por provisão de D. João III regressa a Portugal para reger a cadeira de Terça, de Medicina, na Universidade de Coimbra.

Não acaba contudo o contrato celebrado de três anos pois em 1543 já se encontra novamente em Salamanca e isto por ter sido preterido na cátedra de Prima, de Medicina naquela Universidade em favor de Henrique de Cuelhar.

Volta a deixar Salamanca em 1544.

Foi amigo dilecto de Amato Lusitano, célebre médico português nascido em Castelo Branco e de origem judaica.


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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

Santarém no Tempo -
1971 - Virgílio Arruda

Mestres e Escolares de Santarém e seu Termo nas Universidades Europeias do Renascimento - Lisboa 1982 - Virgílio Arruda

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

D. Frei Gaspar do Casal

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 31 DE DEZEMBRO DE 1999)

Nasceu em Santarém em 1510 e com catorze anos ingressa no convento local da Ordem de Santo Agostinho e professa em 1526.

Estuda em Lisboa e frequenta a Universidade de Coimbra onde se doutorou em Teologia em 1542 e veio a ser lente.

É confirmado bispo do Funchal (1551 - 1556) mas não chega a partir para a sua diocese em virtude de fazer parte do Tribunal da Inquisição.

Em 1557 foi transferido para a Diocese de Leiria onde manda construir a actual Sé Catedral (1573) e a Igreja de Santo Agostinho onde veio a ser sepultado no chão da capela mor, da parte do Evangelho.

Tomou parte no terceiro período do Concílio de Trento (1561 - 1563), como delegado de Portugal e ainda como Bispo de Leiria, tendo tomado parte activa nos trabalhos e onde manifestou vasto talento e dotes elevados de oratória, vindo por isso mesmo a ser conhecido como o Bispo Teólogo.

Assiste aos sínodos provinciais reunidos em Lisboa em 1566 e 1574.

Em 27 de Novembro de 1579 foi expedida a bula transferindo-o para a Diocese de Coimbra, tendo exercido funções em Leiria cerca de vinte e dois anos.

Pregador régio, foi confessor e conselheiro de D. João III e gozou de especial favor do Cardeal - Rei.

Nos primeiros dias de 1580 o Bispo de Coimbra juntamente com D. Manuel de Melo é enviado pela Regência, como embaixador a Castela, sendo recebido por Filipe II em Guadalupe. A missão consistia em pedir ao monarca que não usasse as armas contra Portugal e que aceitasse a decisão dos Juizes.

Fracassada a missão, aceitou Filipe II como rei de Portugal e dele veio a receber favores.

Faleceu o bispo-conde (5º de Arganil mas que parece nunca lhe terem confirmado os privilégios dos seus predecessores) em 9 de Agosto de 1584.

Deixou escrito dois tratados sobre o sacrifício da missa e a instituição da Sagrada Eucaristia e obras de controvérsia contra os hereges, escritas em latim com edições em Coimbra, Veneza, Antuérpia e Lião.

Em português ficou Carta escrita de Leiria em 23 de Janeiro de 1561, à rainha D. Catarina, persuadindo-a a que não deixe a regência da monarquia no tempo da menoridade de seu neto El-Rei D. Sebastião.

D. Frei Gaspar do Casal tem desde os meados deste século uma rua com o seu nome, na terra natal, mais propriamente no Bairro dos Combatentes.


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Dicionário Bibliográfico Português , Tomo III, 1859, Inocêncio Francisco da Silva

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

Brasões da Sala de Cintra , Vol III - 1928 - Anselmo Braamcamp Freire

Dicionário de História de Portugal, Vol I Direc- de Joel Serrão

Santarém, Lenda e História 1940, Eugénio de Lemos

História Eclesiástica de Portugal , P. Miguel Oliveira - Ed. 1994

Santarém no Tempo - 1971, Virgílio Arruda

História de Portugal - Vol VI, Direc. De João Medina

História e Monumentos de Santarém , Zeferino Sarmento

terça-feira, 5 de outubro de 2010

D. Francisco de Meneses

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 24 DE DEZEMBRO DE 1999)

Nasceu em Santarém, sendo filho de D. Duarte de Meneses que foi Comendador de Santa Maria de Alcáçova.

Tomou o hábito no Convento de S. José de Ribamar, de religiosos arrábidos.

Abandonou a clausura por doença, passando a Coimbra onde foi colegial de S. Pedro.

Doutorou-se em Cânones.

Foi director do coro da Sé do Porto e em 22 de Novembro de 1607 nomeado membro do Santo Ofício em Coimbra. Quatro anos depois vai para Lisboa exercer as funções de Inquisidor.

Em 1618 foi nomeado reformador e reitor da Universidade passando em 1624 a exercer o lugar de bispo da Diocese de Leiria, funções que exerce até 1627.

Passa nesse ano a ocupar a mitra do Algarve, onde resolve um velho litígio com as Ordens Militares.

Foi nomeado Governador interino do Algarve, funções que exerce até 28 de Março de 1634 e foi sepultado na Sé e depois transladado para a igreja de S. Francisco de Santarém.

O seu retrato existe na galeria dos Reitores da Universidade de Coimbra.
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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

História Eclesiástica de Portugal, 1994, P. Miguel de Oliveira

A Cidade e o termo de Lagos no Período dos Reis Filipes, 1994, Fernando Cecílio Calapez Correia

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Fernão Teles de Meneses

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 24 de DEZEMBRO DE 1999)



Já aqui falámos de um Fernão Teles de Menezes, ou da Silveira, Este homónimo tem uma biografia diferente, sendo mais velho.

Nasceu em Santarém o pelo menos quarto filho de Brás Teles de Menezes, alcaide-mor de Moura, camareiro por carta de 12 de Maio de 1522 e guarda-mor, capitão de ginetes do filho de D. Manuel I, o Infante D. Luís e de D. Catarina de Brito, sua mulher.

Os seus pais foram sepultados na igreja do Convento de S. Domingos, em Santarém.

Fernão Teles casou com D. Maria de Noronha, filha de D. Francisco de Faro, o 4º Senhor do Vimieiro, vedor da Fazenda de D. Sebastião e de D. Henrique.

Partiu para a Índia em 1566 e foi capitão de uma das fustas na expedição dirigida pelo Vice-Rei D. António de Noronha contra a rainha d ‘Olala, em 1568.

Fez parte do socorro mandado pelo Conde de Atouguia, em 1570, a Chaul para libertar esta praça do cerco que lhe tinham posto.

Quando morreu o 12º Vice-Rei, o Conde de Atouguia, D. Luís de Ataíde, em 10 de Março de 1581, governou até à chegada do novo Vice-Rei, D. Francisco de Mascarenhas, Conde de Santa Cruz.

Apressou-se para fazer jurar e reconhecer Filipe I como legítimo soberano.

Entregue o governo, regressa ao Reino onde lhe dão o governo do Algarve (1587), a Capitania-mor da Armada do Consulado, um lugar no Congresso de Estado e por alvará de 12 de Julho de 1587, a regedoria das Justiças da Casa da Suplicação.

Em 25 de Maio de 1587, o corsário Francisco Draque, desembarcou um grande exército junto de Lagos com o intuito de saquear e destruir a cidade.

Verificando a boa ordem e disposição dos moradores, capitaneados pelo governador, retirou sobre o caso de S. Vicente onde destruiu a fortaleza e o convento que tinha sido mandado edificar pelo Bispo de Silves.

Fernão Teles de Menezes era muito dedicado à Companhia de Jesus. Enquanto na Índia mandou dar-lhe anualmente dois mil pardaus.

Uma vez em Lisboa, na sua quinta do Monte Olivete, mandou fundar um noviciado, para aquela companhia de Jesus. Aqui ficou sepultado com a esposa.

Com a expulsão dos jesuítas instalou-se o Colégio dos Nobres e mais tarde a Escola Politécnica.

Fernão Teles de Meneses faleceu no dia 26 de Novembro de 1605.
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Brasões da Sala de Sintra (Vol.II), 1927, Anselmo Braamcamp Freire
Monografia de Lagos, 1991, Manuel João Paulo Freire

terça-feira, 28 de setembro de 2010

D. Jerónimo de Menezes

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 24 DE DEZEMBRO DE 1999)

Escalabitano nascido no século XVI.

Teólogo de alta capacidade e singular erudição, é como o apresenta o Dr. Virgílio Arruda.

Subiu ao alto cargo de Reitor da Universidade de Coimbra.
Foi o 5º Bispo de Miranda (1579 – 1593) e é nesta qualidade que se encontra nas Cortes de Tomar realizadas em 1581.

Transitou depois para a Diocese do Porto onde foi bispo de 1593 a 1600.
Nos lugares que desempenhou, deixou assinalados os seus méritos e virtudes.
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Boletim da Junta de Província do Ribatejo de 1937/40
Santarém, Lenda e História, 1940, Eugénio de Lemos
Santarém na História de Portugal, 1950, J. Veríssimo Serrão
Santarém no Tempo, 1971, Virgílio Arruda
História de Portugal (Vol IV), J. Veríssimo Serrão

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

P. Diogo da Franca

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 7 DE JANEIRO DE 2000)

[Igreja de Sto. António dos Portugueses, em Roma]
O presbítero secular, Diogo Lopes da Franca, nasceu em Santarém e faleceu em Roma, a 25 de Março de 1649. Ficou sepultado na igreja de Santo António dos Portugueses.

Viveu muitos anos em Roma onde possuía benefícios rendosos.

Publicou: Guia Perfettione e Spechio Dell`Anima, 1628.
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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.

Dicionário Bibliográfico Português, Inocêncio Francisco da Silva.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

D. Frei Sebastião de Meneses

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 24 DE DEZEMBRO DE 1999)



Religioso da Ordem da Trindade, cujo primeiro convento em Portugal foi construído no reinado de D. Sancho II, na sua terra natal.

Dele só resta a torre e mesmo essa esteve para ser demolida e já nos nossos dias, lembrando-me da polémica surgida e de que as páginas deste jornal fizeram eco.

Doutor em Teologia, D. João I nomeou-o seu embaixador em França, governada por Carlos VI e junto do papa João XXII:

E sagrado por este sumo pontífice na igreja de S. Tomás de Formis, arcebispo de Cartago e patriarca de África.

Veio a falecer em Roma onde ficou sepultado.
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Santarém, Lenda e História, Eugénio de Lemos,1940.

Santarém no Tempo, Virgílio Arruda, 1971.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Frei Manuel Coelho

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 7 DE JANEIRO DE 2000)


Pertenceu à Ordem de S. Domingos este afamado pregador que nasceu em Santarém a 24 de Setembro de 1679.

Jubilado em Teologia, foi reitor do Colégio de Coimbra, prior do Convento de Lisboa e seu provincial eleito a 25 de Abril de 1744.

Foi igualmente deputado do Santo Ofício na capital e vigário do Convento do Sacramento de religiosas dominicanas.

Faleceu em Lisboa no dia 16 de Setembro de 1754.
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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

domingo, 12 de setembro de 2010

P. António Gomes

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 7 DE JANEIRO DE 2000)


Outro santareno, sacerdote jesuíta. Recebeu o hábito no Colégio de Coimbra da Companhia de Jesus em 10 de Abril de 1645, tendo exercido o cargo de coadjutor nessa instituição.

Partiu em missão para o Oriente, percorrendo o império de Monomotapa (grande reino do sul de África que abrangia o actual Moçambique e a antiga Rodésia).

Regressado a Salsete (Índia), escreveu a VIAGEM AO IMPÉRIO DE MONOMOTAPA E ASSISTÊNCIA QUE FEZ DAS DITAS TERRAS, obra que ficou inédita

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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

P. Dias Cardoso

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 7 DE JANEIRO DE 2000)

Cónego doutoral da Sé de Évora, nasceu em Santarém.

Era formado em Cânones pela Universidade de Coimbra.

Foi eleito inquisidor do Santo Ofício em 1589, naquela cidade, sendo transferido para Évora em 1602.

Foi igualmente Deputado do Conselho Geral do Santo Ofício (1610).

Escreveu, recompilando, em 1613, por ordem do inquisidor geral D. Pedro de Castilho, o REGIMENTO DO SANTO OFÍCIO DE PORTUGAL, e que parece ter sido o primeiro mandado imprimir em Portugal pela Inquisição.

Faleceu em Lisboa no dia 26 de Janeiro de 1624 e chamava-se, António Dias Cardoso.

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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
Dicionário Biblográfico Português, Inocêncio Francisco da Silva, 1858

terça-feira, 27 de julho de 2010

António de Oliveira Marreca

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 19 DE NOVEMBRO DE 1999)

António de Oliveira Marreca, nasceu na Ribeira de Santarém a 26 de Março de 1805 e faleceu em Lisboa no dia 9 de Março de 1889, por isso com quase oitenta e quatro anos de idade.

Político coerente nas suas ideias base, activista e de esquerda. Economista de renome, considerado um dos primeiros da Europa, no seu tempo.

Foi professor de Economia Política no Instituto Industrial de Lisboa, em 1852, num período de acalmia política.

Exerceu o lugar de director da Biblioteca Nacional e de guarda - mor da Torre do Tombo (1861) e foi sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa.

Muito jovem, ficou fascinado pelas ideias da Revolução de 1820.

Liberal e revolucionário, entrou em quase todas as conspirações contra o absolutismo pelo que foi preso pela polícia de D. Miguel, mas conseguiu evadir-se e refugiou-se em Londres. Aí, tomando contacto com as doutrinas inovadoras dos economistas ingleses da época, apurou a sua formação.

Com a vitória liberal em 1834, regressa à Pátria, sendo nomeado no ano seguinte director administrativo da Imprensa Nacional, onde procedeu à sua reorganização.

Em 1836 está no Setembrismo ao lado de Passos Manuel e dez anos depois entra na Junta Revolucionária de Lisboa que se opõe ao cabralismo.

Publicou em 1838 a mais importante das suas obras escritas: Noções Elementares de economia e Política.

Ajudou a fundar, em 1837, juntamente com Alexandre Herculano, o Panorama, órgão literário onde publicou, entre outros trabalhos de índole histórica, O Conde Soberano de Castela, Fernão Gonçalves (1844) que não concluiu. Merece igualmente a sua colaboração no campo económico, fazendo publicar trabalhos de reconhecido valor.

Entrou na revolta da Janeirinha, em Janeiro de 1868 e no ministério que então se constituiu, foi-lhe oferecida a pasta da Fazenda que não aceitou.

Aderindo ao Partido Republicano, foi presidente do seu primeiro directório, sendo o principal mentor da redacção do programa político, publicado em 1878. Defendia uma forma moderada de República em que a soberania do povo tenha maior extensão e as injustiças sociais estejam diluídas.

Em 1881 defendeu no Parlamento com intransigência a não entrega à Inglaterra da baía e território de Lourenço Marques.

Foi deputado em cinco legislaturas, merecendo a sua especial atenção os assuntos financeiros e económicos.

Colaborou na organização do Código Civil.

Prestou a sua colaboração, além do Panorama, na Ilustração, Jornal Universal, Revolução de Setembro, Revista Económica e no Ateneu, além de outros.

Publicou diversos trabalhos sobre economia política.

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Dicionário Ilustrado da História de Portugal, Publicações Alfa.

Dicionário Bibliográfico Portiguês, Inocêncio Francisco da Silva, 1858.

Dicionário de História de Portugal, Dir. de Joel Serrão.

Santarém no Tempo, Virgílio Arruda.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Virgílio Arruda

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 4 DE ABRIL DE 1996)

Não é a primeira vez que nestas FIGURAS RIBATEJANAS referimos pessoas que conhecemos e hoje mais uma vez isso vai acontecer.

Iniciámos esta primeira série das FIGURAS com o fundador deste jornal e foi nossa intenção fechá-la hoje com a de seu filho, continuador da sua obra, o Dr. Virgílio Arruda.

Em criança disseram-nos quem era aquele senhor que se acabava de cumprimentar e dele nunca mais nos esquecemos. Na nossa mente ficou a ser o senhor do jornal que recebíamos em casa, o “Correio do Ribatejo”, muitas vezes chamado “Correio da Extremadura”, não só nessa altura como ainda hoje é possível ouvir aos santarenos mais idosos.

Já aqui escrevemos que quase aprendemos a ler nas páginas deste jornal que nos acompanha há mais de trinta e seis anos por onde quer que tenhamos passado, continuando a ser ainda um elo de ligação importante com a terra que nos viu nascer apesar do decorrer dos anos nos ir a pouco e pouco cortando algumas raízes com o desaparecimento de familiares e amigos e de locais prenhes de recordações.

O Dr. Virgílio Arruda foi sempre extremamente simpático para a minha família, aliás era assim para toda a gente, e teve relação de amizade que nasceu nos bancos do liceu, com um nosso familiar chegado.

Autografou-nos com simpáticas dedicatórias, grande parte da sua obra que possuo, alguma mesmo por ele gentilmente oferecida.

Passamos presentemente por uma fase transitória da nossa vida que não nos permite, por agora, continuar com as FIGURAS RIBATEJANAS. Referimos cem, muitíssimas mais temos em mão, falta trabalhá-las e para isso é preciso vagar e disposição.

Pensamos voltar quando for possível e o jornal o permitir.

Até um dia, caro leitor que tem tido a paciência de nos acompanhar.

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Virgílio Baptista Cravador Arruda, de seu nome completo, nasceu em Santarém no dia 16 de Outubro de 1905.

Fez os estudos locais na sua terra natal e na Faculdade de Direito de Lisboa obtém a licenciatura.

Filho do jornalista João Arruda, fundador deste semanário que dirigui durante quarenta e cinco anos, cedo se deixou levar pelo gosto do jornalismo, possivelmente influenciado por seu pai.

Logo no liceu dirige o jornal “A Voz da Academia”.
Exerceu a advocacia, foi professor provisório do Liceu de Santarém e Conservador do Registo Civil na ilha do Corvo.

Exerceu também as funções de Delegado do Comissariado do Desemprego e de Subdelegado do Ministério das Corporações e Previdência Social em Santarém.

Vice-Presidente da Câmara Municipal de Santarém, vogal da Junta Geral do Distrito de Santarém e da Província do Ribatejo, Vice-Presidente e Presidente da Junta Distrital de Santarém, funções que exerce até à sua extinção em 1974.

Substitui o seu pai em 1934 na direcção do “Correio da Extremadura”, entretanto transformado em “Correio do Ribatejo” (1936), quando da criação desta província, funções que exerce até à sua morte, por isso durante cinquenta e quatro anos.

Em 1976 foi eleito sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, portas que lhe foram abertas devido à obra que publicou sobre Pedro Álvares Cabral.

A sua obra histórica levou-o igualmente a ser membro da Academia Portuguesa da História, onde demonstrou todo o seu saber e desvelo.

O Dr. Arruda foi um notável jornalista, um historiador vocacionado para o estudo das tradições e costumes da sua terra natal, conferencista de mérito, escritor de fina têmpera, senhor de uma prosa inconfundível, um orador excepcional, de uma palavra que prendia qualquer auditório.

Além dos incontáveis artigos que publicou semanalmente no seu jornal, ainda teve tempo de colaborar activamente na imprensa diária e regional.

Possuidor de uma vasta cultura, era pessoa extremamente amável. Adorava e defendia com intransigência a sua terra e a região para cuja autonomia contribuiu com a sua pena e palavra, nunca querendo viver fora da sua cidade nem afastar-se do seu jornal.

Virgílio Arruda “o cronista-mor de Santarém e seu termo”, como lhe chamou o Senhor Professor J. Veríssimo Serrão.

Falecendo no dia 3 de Janeiro de 1989, ficou sepultado no cemitério dos Capuchos.

Deixou a sua livraria, constituída por cerca de cinco mil volumes, à sua cidade.

A Edilidade Escalabitana decidiu conceder-lhe a título póstumo, a Medalha de Oiro da Cidade de Santarém. Igualmente foi deliberado dar o seu nome a um novo arruamento da cidade e ao auditório da Biblioteca Braamcamp Freire.

Da sua vasta obra indicamos alguns títulos: “Fialho e o Ribatejo” (1957), “Santarém e o Infante Santo” (1966), “Crónicas de França e Itália” (1968), “Crónicas de Espanha” (1970), “Presença de Cabral nas Rotas do Futuro” (1971), “Santarém no Tempo” (1971), “D. Pedro e D. Miguel no Ribatejo”(1972), “O Ribatejo na Vida de Camões e na Obra de Fialho” (1973), “Itinerários Sentimentais” (1974), “Retrato de Herculano” (1979), “Luís Montês Matoso, Historiador e Jornalista…” (1980), “Evocação de Sá da Bandeira” (1982), “Mestres e Escolares de Santarém e do seu termo nas Universidades Europeias do Renascimento” (1982) e “Santarém! Santarém!” (1984.
Virgílio Arruda, um caso ímpar da vida escalabitana!
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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

"Saudade de Um Grande Amigo", Prof. Doutor J.V. Serrão, in Correio do Ribatejo de 13 de Janeiro de 1989

"A propósito de Uma Homenagem", Dr. Rocha Souto, in Correio do Ribatejo de 10 de Julho de 1983

"Dr. Virgílio Arruda, Um Hino à Cultura Portuguesa", J.M. Noras, in Correio do Ribatejo de 20 de Janeiro de 1989.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

João de Sousa


(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 15 DE MARÇO DE 1996)

Nasceu na Ribeira de Santarém (?) (*) em 1885 este laureado poeta de chama lírica e sensibilidade de alma.

Colaborou em muitos jornais e revistas, nomeadamente nos semanários “Damião de Góis”, “Pensamento”, “Ecos do Ribatejo”, “Mensageiro do Cira”, “Vida Ribatejana”, “Eco Literário” e “O Debate”, praticamente os mesmos em que seu irmão Faustino colaborou.

Muito talentoso, deixou impressos dois livros: Os Meus Pecados (trovas satíricas ao amor e às mulheres), com prefácio do Dr. João de Barros e O Livro do Mal, editado no Porto em 1924.

Estes trabalhos mereceram da crítica comentários muito positivos.

João de Sousa foi premiado nos “Jogos Florais de Gaia – Ciência” e nos” Jogos Florais do Real Instituto de Lisboa”, em trabalhos de parceria com seu irmão.

Em concurso de sonetos de amor, promovido pela Revista Ilustrada Portuguesa, em 1913 e em que participaram mais de trezentas composições, obteve um honroso terceiro lugar com o soneto “Virgem do desejo”.

Reunido o que ficou espalhado por jornais e revistas daria um volume de interesse literário.

João de Sousa veio a falecer no Porto em Maio de 1947.
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“Alguns Valores da Província do Ribatejo, Octávio de Campos, in Vida Ribatejana, nº comemorativo, 1940.

“Um Concurso de Sonetos de Amor, Faustino Reis de Sousa, in Vida Ribatejana, nº especial de 1955.

(*) Segundo informação prestada por um bisneto, João de Sousa nasceu em Santa Marta de Penaguião.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Faustino dos Reis Sousa

(PUBLICADO NO CORREIO DO RIBATEJO DE 15 DE MARÇO DE 1996)



Nasceu na Ribeira de Santarém em 6 de Janeiro de 1883.

Poeta e publicista, desde cedo prestou a sua colaboração a jornais e revistas de carácter literário, nos quais se encontram, entre outros, “Damião de Góis”, “Vilafranquense”, “Ecos do Ribatejo”, “Mensageiro de Cira”, “Mensageiro do Ribatejo”, “Vida Ribatejana”, “A Verdade” e “Correio da Extremadura”.

Deu à estampa três livros de poesia. “Meio Dia (1918)”, “Fumo do Meu Casal (1938)” e “Luz da Tarde (1946)”.

Foi um poeta de inspirado sabor lírico.

Obteve vários prémios em concursos literários, tais como: Jogos Florais de Gaia, Porto, 1924, da Emissora Nacional, Lisboa, 1937, do Ateneu Comercial, Lisboa, 1941, do Ateneu de Sevilha, 1947, do Município de Viana do Castelo, 1948, da Câmara de Nova Lisboa, 1948, da Festa Literária de Vigo, 1950, etc.

Escreveu várias peças para teatro, normalmente de carácter regional: Rosa Branca (opereta), 1929, que obteve grande sucesso, “Coroa de Espinhos”, “À Sesta”, “A Primeira Carta”, além das comédias “Comendador Aleixo”, “Casamento Inesperado”, “Gato por Lebre”, “Manhã de Primavera” e das operetas “Irene”, “Lenda da Carochinha”, “Flor de Neve”, “Onde Canta o Rouxinol”, etc.

Utilizou algumas vezes o pseudónimo João Ninguém.

Pertenceu à Direcção da Junta de Província do Ribatejo e foi membro da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses.

Faleceu em Vila Franca de Xira em 3 de Janeiro de 1972, por isso com oitenta e oito anos.
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Santarém no Tempo, Virgílio Arruda, 1971

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira